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Mulheres-Palestina
Ataques suicidas femininos
Fawzia Sheikh

Jerusalém, 08/03/2006, (IPS) - As mulheres suicidas entraram no cenário do conflito palestino-israelense em janeiro de 2002. Wafa Idris, que mora no acampamento de refugiados na cidade cisjordana de Ramalá, matou nesse ano uma pessoa e feriu 90 em Jerusalém. Tinha 27 anos. Desde então, pesquisadores do fenômeno calculam que pelo menos 20 ataques suicidas em Israel foram cometidos por mulheres. "Cada vez mais e mais mulheres jovens se imolam. As que o fazem influem nas que as seguem", disse à IPS Yoram Schweitzer, do Centro Jaffee de Estudos Estratégicos da Universidade Telavive, que em dois anos entrevistou potenciais atacantes suicidas. O especialista discorda com a insistência com que as forças de segurança israelenses afirmam que, em geral, as suicidas sofrem problemas emocionais que as levam a se imolar.

Em sua maioria são "jovens comuns" motivadas "pela necessidade de defender sua nação da ocupação", do mesmo modo que os homens, e só algumas são particularmente religiosas, afirmou o especialista. No caso de Idris, Israel informou que seu marido a havia rejeitado por não ser capaz de conceber e, portanto, se sentia alienada em uma sociedade que se valoriza especialmente os filhos e o casamento. Além disso, insistiu-se em que seu trabalho como enfermeira a teria colocado em contato direto com o conflito entre palestinos e israelenses. De fato, foi ferida duas vezes com balas de borracha enquanto trabalhava para a Meia Lua Vermelha Palestina.

O segundo atentado cometido por uma mulher palestina ocorreu em fevereiro de 2002. Dareen Abu Aysheh, estudante universitária de 21 anos, procedente da aldeia cisjordana de Beit Wazan, detonou a bomba que carregava em uma estrada israelense, ferindo quatro pessoas. Dareen deixou gravado um vídeo no qual afirma ter decidido se converter em mártir indignada pela visita, em 2001, do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon à mesquita de Al Aqsa, um gesto provocativo que desatou a segunda intifada (insurreição popular dos palestinos contra a ocupação israelense). "Que o covarde Sharon saiba que cada mulher palestina dará à luz um exército de mártires, e que seu papel não se limitará a chorar por um filho, um irmão ou um marido, mas ela mesma se converterá em uma mártir", disse Dareen.

A estes ataques seguiram-se outros cometidos por mulheres palestinas com idade média de 20 anos. Em outubro de 2003, a jovem advogada Hanadi Tayseer Jaradat detonou seu cinturão explosivo em um restaurante de Haifa, matando 19 israelenses e ferindo outros 50. Seu irmão mais novo havia morrido em seus braços durante uma incursão israelense na cidade cisjordana de Jenín, em junho desse ano. Schweitzer disse que, em princípio, os líderes religiosos condenavam a idéia da participação feminina em operações suicidas, embora depois da morte de Idris tivessem mudado de opinião. Porém, ainda hoje alguns grupos terroristas são contrários às suicidas.

As mulheres que decidem cometer um atentado devem superar grandes desafios psicológicos e sociais, ainda mais do que os homens, afirmou o especialista. O mundo se surpreende por histórias como as de Idris, pois predomina o conceito de que as mulheres são alheias a este tipo de violência, mas não deveria ser assim, afirmou Schweitzer. A participação de mulheres em atentados suicidas está bem documentada em diversos lugares do planeta, como Sri Lanka, Chechênia, Uzbequistão e Iraque. Em dezembro, 43 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas em um atentado suicida cometido por duas mulheres contra a Academia de Polícia de Bagdá.

A criminologista Anat Berko, do Instituto de Políticas Internacionais para o Contraterrorismo, em Herzliya, Israel, que entrevistou várias palestinas dispostas a cometer ataques suicidas, afirmou que "as mulheres são apenas a bala na arma". Algumas vêem seu martírio como mecanismo para elevar sua condição, mas, em geral, a sociedade árabe não as reconhece da mesma maneira que aos mártires homens. Mas, nem todos concordam com essa opinião. "A sociedade Palestina vê as mulheres suicidas da mesma forma que os homens. São heroínas que sacrificam suas vidas pelo bem público. Lutam contra uma situação desumana e intolerável", disse à IPS a diretora do Centro de Assistência e Conselho Legal para as Mulheres, de Jerusalém, Maha Abu Dayyeh Shamas. A maioria dos palestinos lamenta que uma mulher jovem chegue a estes extremos, "mas a situação é tão difícil que as pessoas entendem o motivo de fazê-lo. É algo frustrante, desumano e desesperador", acrescentou. (IPS/Envolverde)

(FIN/2006)

 
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