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FSM
“A crise nos deu a razão”
Roberto Fuentelba

Belem do Pará, 26/01/2009, (IPS) - - TerraViva.- Graças à crise, o capitalismo já não poderá ser como antes, descontrolado e onipotente, disse Cándido Grzybowski, diretor do Instituto Ibase e um dos principais organizadores do Fórum Social Mundial, em entrevista à Rádio Terra, no Chile.

Ainda propõe que, em Belém, os presidentes progressistas latino-americanos expliquem seus pensamentos e respondam às inquietações da sociedade civil.

Rádio Terra - O FSM será realizado num momento em que a crise econômica mundial, associada à especulação financeira, ainda não chegou ao fim e existem diferentes interpretações. Por um lado, há quem diga que esta é uma crise do modelo neoliberal, há outros que assinalam que é apenas mais uma crise. Que perspectivas esperarmos deste Fórum?

Cándido Grzybowski - É difícil antecipar tudo o que os diversos participantes vão falar sobre a crise. A crise estará no centro, isso é evidente, mas as visões sobre a crise dependem de quem são os atores, de que região e de qual país vem. São visões diferentes e que também possuem as mais diversas dimensões. Isso foi mais evidente com a crise ambiental, climática, após a crise alimentar, a crise energética e, por fim, a crise econômica, agora tocando a economia de uma maneira real e profunda. Neste sentido, eu acredito que todos estes aspectos vão ser pontuados. Talvez, pelo que eu vi - porque ainda estamos finalizando o programa do Fórum -, seja a dimensão climática, ambiental, mais central do que as outras e, também, a alimentar, mas todos os aspectos serão tratados.

Rádio Terra - Muitos empresários do mundo dizem que esta crise não ameaça o modelo mercadológico, que não questiona o modelo neoliberal, que falta somente uma regulação. Será esta uma oportunidade para que o Fórum coloque melhor as suas propostas altermundistas aos governos e às organizações internacionais?

Cándido Grzybowski - Sim, como sempre é uma disputa social. O novo agora é que finalmente os governos possuem a iniciativa, ou seja, o que pontuávamos, a partir de uma perspectiva da sociedade civil, que era mais subordinada à economia e à política do poder público regulando a economia, isso é um feito. Pode ser que isso não vá mudar a essência deste capitalismo neoliberal, mas já não será como antes, onde as empresas diziam o que deveria ser feito e queriam total liberdade, total abertura de mercado, sem controle. Não será mais isso, será algum sistema mais cauteloso com o Estado, mais controlado, com as políticas públicas ganhando importância. Será mais do que isso? Vamos conseguir mudar a direção para termos uma prioridade humana, uma prioridade ambiental, atender as necessidades das pessoas e fazer a economia e as finanças auxiliares? Isso dependerá muito de nossa força. O que é evidente é a vitória fantástica do movimento social. Há dez anos, quando iniciamos as discussões para realizar o Fórum Social, era quase impossível pensar em alternativas, as pessoas nos tomavam como loucos. Agora a alternativa se impõe, não somente porque pedimos, mas porque isso não é mais viável, não é mais possível ser mais assim.

Rádio Terra - Alguns veículos de comunicação têm relembrado, por exemplo, que a ATTAC, seção integrante do FSM, vinha assinalando para a possibilidade de uma crise financeira, produto da desregularão nos mercados especulativos.

Cándido Grzybowski - Sim, é verdade. Desde o começo, o Fórum da ATTAC, que é mais velho do que o Fórum Social, em 1999 ou 1998, já dizia, colocava o dedo na ferida sobre o controle dos mercados. A idéia da taxa Tobin (um imposto sobre as transações financeiras) era parte disso, este foi o centro, o começo do trabalho da ATTAC. Isso teve uma grande repercussão na sociedade civil. Porém, acredito que a própria ATAAC e as pessoas em tono da ATTAC, não imaginavam o tamanho desta desordem financeira que se estabeleceu em nome do livre comércio, o que é uma loucura.

Rádio Terra - Os empresários, os economistas e os especialistas estavam quase cegos?

Cándido Grzybowski - O único ou o primeiro grande empresário a falar que isso não iria funcionar foi o surpreendente George Soros, já em 2002. Ele quis vir ao FSM, para dizer que o livre comércio funciona, mas o Estado não, que necessitamos de mais Estado, o que é surpreendente, vindo de um especulador. Mas, no geral, o sistema financeiro, todas as instituições multilaterais de finanças, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a própria Organização Mundial do Comércio, a OCD, todas estas organizações foram submetidas à idéia de que isso era melhor para o crescimento da economia. Agora vemos que não passava de uma economia-cassino, uma economia do jogo, que não existia riqueza real por trás, mas sim muito sofrimento para pessoas que não podiam participar deste banquete fantástico de transferências de recursos dos países pobres para os países ricos. A desigualdade no mundo cresceu de uma maneira fantástica.

Rádio Terra - Para o FSM em Belém do Pará foram convidados também alguns presidentes da América do Sul. Gostaria que você falasse um pouco sobre isso. Vão participar? Quais presidentes já confirmaram presença?

Cándido Grzybowski - Pelo critério que utilizamos, que é a Carta de Princípios, os presidentes podem participar se quiserem, mas para participar do Fórum, precisam ser convidados, porque o FSM é um espaço onde a governança é da cidadania, não dos governos. Neste sentido, é um espaço onde definimos as regras do jogo e, caso eles se submetam a isso, poderão participar. Então, as organizações, as redes, os espaços da sociedade civil, as coalizões, as campanhas, podem convidar os presidentes. Eu sei que Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Fernando Lugo (Paraguai), foram convidados pela Via Campesina para os eventos organizados por eles. Lugo não deve participar, mas Chávez e Evo confirmaram.

O Ibase, como parte das entidades brasileiras, está pensando em organizar um grande debate com os presidentes da América Latina, sobre questões como a crise, alternativas de desenvolvimento, como pensam a integração regional, o projeto para a região e como pensam o poder, a arquitetura do poder na dimensão local e mundial. Se simplesmente esperam ser parte, como o governo brasileiro, de um G8 ampliado, ou a entrada no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se é uma real transformação, uma reconstrução, restabelecimento do multilateralismo. A idéia é que façamos as perguntas e que eles respondam. Participariam deste debate Lula, Bachelet, Evo, Lugo, Chávez, talvez Correa, mas todos dependem do presidente brasileiro, e ele dará uma resposta somente na semana que vem. Gostaria muito de ter, por exemplo, Michelle Bachelet, a presidente do Chile, para que tenhamos uma visão mais regional sobre este problema, e não somente do Mercosul. Mas, até agora, ainda não está certo se teremos outros presidentes. Houve uma oferta dos assessores de Barack Obama, para que ele participasse, mas não sabemos o que fazer com ele. Seria bom tê-lo aqui, mas ele assumirá a presidência somente no dia 20 de janeiro, e o Fórum começa no dia 27. Então, é um pouco difícil, talvez no próximo ano.

Rádio Terra - De toda maneira teria sido uma tremenda novidade, a presença de Barack Obama no FSM. Como se manifestará, nesta versão do Fórum, as duas vertentes que existem dentro do FSM, uma que defende o espaço dos movimentos sociais e outra que busca uma incidência política maior, uma organização política? Imagino que essas duas correntes devam ter o poder de se escutarem sobre a crise econômica.

Cándido Grzybowski - Sem dúvida teremos um debate importante sobre o Fórum e o futuro do Fórum, sobretudo pensando no futuro. Nascemos contra a globalização neoliberal, e essa globalização muda nosso horizonte que está em crise. Então, temos que avançar, sem dúvida. Mas o debate é se faremos como organização política ou como espaço aberto. Este é o debate. Acredito que o grupo, ou os grupos e as organizações que defendem o Fórum como espaço abeto, sejam a maioria.

Porque estamos falando também num desafio de construir uma nova cultura política, espaços para as questões que a esquerda em geral, mesmo a esquerda que vem de um internacionalismo da esquerda socialista, não possuía, como a de considerar a diversidade como um elemento fundamental. Nisso estão as mulheres, entram questões como a indígena, que não são o passado, mas talvez o futuro. Da crise climática, por exemplo, da crise ambiental, aos problemas étnicos, como no Brasil, as questões raciais, que condenam a metade da população a viver numa situação de desigualdade, devido a um preconceito étnico muito forte. Isto não é admissível, mas existe. Este tipo de problema, que no pensamento da esquerda tradicional se reduziria ao alinhamento das classes sociais, como uma idéia de divisão de classe. Este conceito já não pode cumprir todos os desafios que temos e, estabelecer este diálogo entre movimentos, atores, é a essência do Fórum e é a novidade que apontamos. Acredito que isso se tornou muito claro no último ano, por que os mesmos atores que defenderam ou defendiam a necessidade de posições políticas mias claras, começaram a ver que isso não é possível de realizar, pois nega a legitimidade de outros atores que também têm o que dizer.

Rádio Terra - Por último, gostaria de saber como será a relação deste FSM com os meios de comunicação de massa, porque há todo um desdobramento de meios de comunicação comunitários, dos que irão a Belém participar da cobertura. Que impacto poderão ter as grandes cadeias de televisão e rádios mundias?

Cándido Grzybowski - Isso de ter impacto na “mainstream media”, os grandes veículos, digamos, é para dar eco a um evento que é mundial, mas ao ser realizado num lugar específico do mundo, muitos não conseguem participar, por isso necessitamos destes espaços públicos que os meios oferecem, incluindo rádios comunitárias e jornais alternativos. Não estamos tão organizados para competir com os meios dominantes, por isso precisamos criar formas que consigam interferir nos grandes veículos e dar a notícia, digamos, a boa notícia para que as pessoas do mundo afora saibam que existem pessoas como eles, que estão pensando em alternativas. Mas isso é uma dificuldade, porque, desde o começo, os grandes meios estavam em Davos, mas não do nosso lado. Eles são parte do Fórum Econômico Mundial, que combatemos.

Agora, com a crise, talvez vejam um pouco mais. Quando escolhemos Belém e a Amazônia como espaço para a realização do evento, foi devido ao debate climático, ambiental, à crise do modelo de desenvolvimento. A Amazônia tem um destaque por si só, e isso talvez atraia mais os meios de comunicação. Esperamos voltar a ter uma grande cobertura dos grandes veículos, mas da maneira como eles fazem, eles buscam o que é “negativo” para noticiar, o que fizemos de errado e não o bem que fazemos. Essa é a realidade da vida. Penso que se conseguirmos organizar um debate com presidentes, isto dará uma possibilidade de inversão para essa relação, e possamos tornar os veículos mais próximos de nós, no sentido de determinarmos a agenda que deve ser noticiada e não simplesmente o que eles querem tornar público.

(Envolverde/IPS/TerraViva) (FIN/2009)

 
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