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Desafios para as multilatinas que se globalizam
Marcela Valente

Buenos Aires, Argentina, 22/3/2011, (IPS) - O crescimento econômico da América Latina empurra cada vez mais suas corporações a se expandirem por todo o mundo, incluindo países do Norte industrializado que antes pareciam inalcançáveis.

Esta propagação, que em outras épocas foi liderada por Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros países europeus, contribui para o desenvolvimento integral dos países de origem ou só aumenta a brecha de iniquidade, deixando mais ricos os donos das empresas?

“A preocupação é central”, admitiu à IPS o economista Bernardo Kosacoff, diretor do Centro de Empresas, Competitividade e Desenvolvimento da Universidade de San Andrés, na Argentina. Porém, logo esclareceu que “seria errado pensar em produzir menos riqueza para não aumentar essa brecha. É preciso proporcionar políticas e regulamentações para que os benefícios não sirvam apenas às empresas, mas ao desenvolvimento do país”, ressaltou.

Bernardo, ex-diretor do escritório argentino da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), destacou que para crescer, gerar emprego, divisas e pagar impostos, as empresas não podem se restringir ao mercado doméstico. “A internacionalização definitivamente contribui para o desenvolvimento, não só em sua primeira fase, quando as empresas exportam bens, como quando começam a inovar, a gerar redes de fornecedores e emprego, e isto tem impacto no país”, afirmou.

A Argentina foi pioneira neste processo, e agora o Brasil, com a maior parte das mais de 500 “multilatinas” – seguido do México – arrebatou a liderança, disse Kosacoff. Multilatinas define há uma década as multinacionais ou transnacionais que têm sua origem em algum país latino-americano e atividades em pelo menos dois continentes, e que durante o processo de expansão de seus mercados se consolidaram como atores da globalização econômica.

Empresas do Brasil, como a mineradora Vale ou a Petrobras; mexicanas com Cementos Mexicanos (Cemex) ou a panificadora Bimbo, não são dominantes na região, mas animaram-se a conquistar os Estados Unidos e os demais continentes. E não se trata de um fenômeno baseado apenas na exploração de recursos naturais como minerais ou grãos. Elas existem no campo da cosmética, gastronomia, telecomunicações, aeronavegação ou fabricação de aviões.

A onda de companhias latino-americanas transformadas em atores globais tampouco é privativa das maiores economias da região. Também existem multilatinas baseadas na Colômbia, no Chile, na Guatemala ou no Peru. “A emergência das global latinas foi facilitada por um contexto geral de crescimento econômico da América Latina e altos preços das commodities (produtos básicos)”, afirma Lourdes Casanova no livro “De multilatinas a global latinas”.

O fenômeno se espalhou depois que muitas empresas já vinham internacionalizando-se em busca de novos mercados que justificassem o aumento da escala produtiva, desde 2002, quando a região começou a crescer 5%, em média. A pesquisa de Casanova, espanhola e professora de estratégia da escola de negócios INSEAD, da França, foi financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Em conversa telefônica com a IPS, a especialista falou sobre os desafios das multilatinas. Destacou que os fundadores destas empresas “tinham uma visão do próprio país que se perdeu com o tempo e que deve ser recuperada. Pela volatilidade que caracterizou a região durante muitos anos, as grandes empresas latino-americanas tiveram que se ocupar do curto prazo, mas para o longo prazo é preciso pensar no desenvolvimento das classes medias”, recomendou.

Casanova recordou que o crescimento de grandes potências emergentes como China ou Índia se baseia no desenvolvimento destes setores que buscam acesso à moradia, mediante hipotecas; comprar carros, computadores ou telefone celular. É uma expansão que deixou de estar baseada apenas na mão-de-obra barata, explicou. “Deixando de lado a questão ética do gravíssimo problema da pobreza e da desigualdade, o que é mais rentável: exportar soja para a China ou estimular o crescimento da classe média?”, perguntou.

O certo é que as também chamadas translatinas se globalizaram depois de aprender a vencer dificuldades de todo tipo em seus países. Algumas agora possuem filiais em 30 países, compram empresas no exterior, investem e criam emprego aqui e ali. Distinguem-se das corporações de países desenvolvidos pelo controle familiar e centralizado da companhia, por ter líderes fortes que facilitam as decisões rápidas e pela capacidade de inovação. As multilatinas aprenderam a sobreviver em ambientes econômicos nem sempre favoráveis e sabem como ninguém navegar em águas turbulentas, disse Casanova.

Sua pesquisa avaliou a fundo 11 empresas latino-americanas. Entre elas grandes corporações do México, como Bimbo, com 100 mil funcionários em 17 países; Cemex, com 57 mil empregados em 33 países, e a operadora de telecomunicações América Móvil, que tem mais de 200 milhões de usuários em 18 países. Após a publicação do livo, Bimbo, a maior panificadora da América Latina se expandiu para os Estados Unidos, onde adquiriu a SaraLee Corporation, uma grande distribuidora de pão nesse país.

Casanova também aprofunda no estudo de casos brasileiros, como a Empresa Brasileira de Aeronatica (Embraer) ou a companhia de cosméticos Natura, além da Petrobras e da Vale, estas duas com projeção em todos os continentes. Ficaram fora da pesquisa outras grandes corporações do Brasil, como o grupo siderúrgico Gerdau, 11º do setor em nível mundial e com 55% de sua produção localizada fora do Brasil, e os conglomerados de alimentação Friboi e Marfrig.

A Friboi aparece em primeiro lugar no ranking das 60 maiores multilatinas da América Economia, editada no Chile, e a Marfrig acaba de comprar a norte-americana Keystone Foods Intermediate, para abastecer de carne a cadeia multinacional de fast food McDonald’s. O livro também apresenta casos “emergentes”, como a chilena Concha y Toro, a maior exportadora de vinhos da América Latina, com vendas em 115 países, e que acaba de adquirir uma empresa nos Estados Unidos por SU$ 200 milhões, e, também, a empresa de serviços de tecnologia da informação Politec.

Casanova também analisa os casos de duas redes de restaurante: Pollo Campero, da Guatemala, com lojas nos Estados Unidos, Espanha, China e Indonésia, e Astrid & Gastón, no Peru, com presença em oitos países da região e na Espanha. A bonança dos donos destas multinacionais se reflete no anual índice da revista Forbes sobre as pessoas mais ricas do mundo. Em 2011, o mexicano Carlos Slim, dono do grupo América Móvil, se manteve na liderança do ranking.

Em 2010, a lista da Forbes tinha 34 latino-americanos entre os mais ricos. Este ano o número subiu para 51 empresários da região com patrimônio de, no mínimo, US$ 1 bilhão. A fortuna de Slim é muito superior a esse valor, situando-se em US$ 74 bilhões. IPS/Envolverde (FIN/2011)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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