África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Descontentamento com o Islã custa caro
Abderrahim El Ouali

Casablanca, Marrocos, 25/11/2011, (IPS) - Quando Kacem el Ghazzali decidiu expressar em público seus pontos de vista sobre o Islã, não sabia que estava colocando sua vida em perigo.

Contudo, isto não o impediu de continuar sua luta, mesmo no exílio, a favor da liberdade de culto no reino do Marrocos. Ghazzali pediu, no ano passado, à comunidade internacional que interviesse para pôr fim à shariá (lei islâmica) em países muçulmanos, e, depois disso, em uma mesquita um imã pediu sua morte.

O jovem estudante recebeu ameaças telefônicas e por e-mail. Depois apanhou bastante de seus companheiros e funcionários da escola secundária onde estudava, e acabou sendo alvo de uma campanha de solidariedade, conduzida por ativistas pelos direitos humanos que concluiu com seu asilo na Suíça, em abril deste ano. Criado em Meknes, 230 quilômetros a nordeste de Casablanca, Ghazzali recebeu educação religiosa de seu pai, que queria que ele fosse imã. Porém, para ele, a religião “é uma filosofia de perseguição e opressão que lança todas as perguntas fora da galáxia”, explicou.

“O moderno e democrático” Marrocos não tolerou que essas opiniões fossem publicadas no blog de Ghazzali, apesar do discurso oficial de abertura. A liberdade de culto, apesar de consagrada pela Constituição, está longe de ser aplicada na vida cotidiana marroquina. O Código Penal impõe até três anos de prisão para quem “desestabiliza” a fé muçulmana no reino. De fato, a população marroquina, que nasce muçulmana e adota outra religião ou se torna ateia, entra nessa categoria.

Os ventos da Primavera Árabe não conseguiram separar a política da fé neste país do norte da África, de 32 milhões de habitantes. O Islã continua sendo a religião do Estado na Constituição aprovada em 1º de julho deste ano. As cobranças de laicidade soaram no levante do Movimento 20 de Fevereiro, mas “a entrada de islâmicos no grupo rebelde arruinou essa iniciativa e a restringiu, até ser abandonada totalmente”, contou Ghazzali à IPS.

Sua opinião não é compartilhada por ativistas do Movimento. “O Marrocos é um país que respeita a liberdade de culto”, afirmou Mohammad Amine Manar, de Casablanca. “A prova é que os judeus marroquinos sempre tiveram o direito de praticar sua religião”, acrescentou. O Marrocos tem uma comunidade judia de aproximadamente 200 mil pessoas. A maioria residente no exterior. Contudo, esta tolerância com as religiões monoteístas não se estende aos que abandonam a fé de Maomé.

“É uma limitação das liberdades pessoais dos cidadãos e uma grave violação dos direitos humanos”, disse Ghazzali, que não está disposto a cruzar os braços. “Primeiro, deve-se construir um equilíbrio político para defender as liberdades individuais, e isto é o que faço com meus artigos e as campanhas que organizo”, explicou Ghazzali. “Todos os marroquinos, políticos e público em geral, devem estar conscientes” desta causa, acrescentou. A melhor forma de conseguir isto é “lançar um amplo debate público sobre a liberdade de culto, com força e responsabilidade”, ressaltou.

Outras vozes estimam que o que está em jogo não é um assunto cultural. “O respeito à liberdade de culto no Marrocos não se dará por uma cultura de tolerância, mas como fruto de pressões da comunidade internacional”, afirmou Manar. “A mescla de religião e política produziu um Islã político que nega o laicismo, mas não tem programas para resolver os problemas da sociedade”, afirmou Ghazzali. Os benefícios do Islã político marroquino começam com o Estado.

“Não se concebe abandonar a ideia de religião oficial. É a fé da maioria, a que prefere todas as formas de perseguição em lugar de o Estado deixar de proteger a religião”, acrescentou Ghazzali. A Constituição marroquina estipula que o rei é “Amir al Mouminine”, o comandante dos fiéis, em árabe. “Isto o converte em uma pessoa sagrada, a quem ninguém pode criticar nem questionar”, advertiu. “Esta sacralidade faz com que a sociedade marroquina, ao contrário do que ocorre em outros países da região, se contente com reformas em lugar do fim do regime”, ressaltou. Envolverde/IPS (FIN/2011)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 U.S. to Create National Plan on Responsible Business Practices
 Militarising the Ebola Crisis
 Iraq Looking for an ‘Independent’ Sunni Defense Minister
 Zero Nuclear Weapons: A Never-Ending Journey Ahead
 Championing Ocean Conservation Or Paying Lip Service to the Seas?
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Vaca Muerta, la nueva frontera del desarrollo argentino
 EEUU desarrolla plan de prácticas empresariales responsables
 La próxima despensa global en la cuerda floja
 Conflictos privan a las mujeres de atención médica en India
 El camino sin fin hacia la erradicación de las armas nucleares
MÁS >>