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Sólido presente e futuro lúcido para a América Latina
Roberto Pérez

Amsterdã, Holanda, 23/2/2012, (IPS) - Desde a década de 1980 até hoje, e apesar de uma crise social crônica, a América Latina conseguiu significativos avanços em seu desenvolvimento econômico e social.

Certos momentos prósperos das economias também permitiram a origem de uma indústria cinematográfica. Digo origem porque a indústria cinematográfica latino-americana ainda está se afirmando, graças à melhora nas legislações correspondentes, e funciona mediante fundos disponíveis para projetos anuais e administrados por agências nacionais.

O mais significativo é que a produção hoje é possível graças à participação dos governos nacionais, que atuam como protagonistas e fundadores dessa indústria. Com a abertura econômica experimentada a partir de 1990, ampliaram-se os problemas para a distribuição e exibição de filmes nacionais, e houve muitos casos em que o que era produzido não chegava a um número adequado de salas de exibição.

Isso justificou uma ação governamental para proteger o cinema nacional, que sofre grave falta de competitividade diante dos filmes norte-americanos, com exceção de dois ou três que conseguiram números altos de bilheteria. Segundo especialistas e profissionais, o tema também está relacionado com a escassez de salas de cinema na região e o alto preço do ingresso para a grande maioria da população.

É necessária uma complexa análise da informação sobre este grande território que é a América Latina, e esta procede de instituições oficiais cujas metodologias de coleta diferem em grande parte umas das outras. Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai são os países que fornecem informação mais detalhada, e, portanto, facilitam o trabalho do pesquisador na hora de interpretar o contexto real do mercado atual.

Deve-se destacar que os países latino-americanos ainda trabalham por um acesso maior de seus filmes, buscando o sistema ideal para garantir um movimento mais intenso dos filmes nacionais. Este esforço está representado pelo que hoje se chama Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (Recam), criadora do observatório Mercosul Audiovisual (Oma), cujo objetivo é a unificação dos sistemas de informação.

A própria agência define que sua intenção é “contribuir com o desenvolvimento produtivo e a integração da indústria e da cultura audiovisual regional”, com a produção de um sistema básico de informação sobre a evolução das atividades cinematográficas regionais para o envio periódico à coordenação regional do Oma. Em outras palavras, busca unificar os métodos de análise dos mercados da região.

Informação da Agência Nacional de Cinema (Ancine) indica que, até dezembro de 2009, no Brasil foram aprovados 527 projetos para produzir filmes, enquanto no mesmo período foram exibidos 108 produções nacionais em 1.964 das 2.110 salas do país. Isto confirma que a maior parte do conteúdo produzido no Brasil não consegue uma difusão mínima em seu próprio território.

O Brasil, com 191 milhões de habitantes e onde há uma sala de exibição para cada 46.981 pessoas, sabe bem que o grande dilema para a distribuição da produção local está na capacidade de ampliar o mercado e criar mais cinemas. A situação se agrava quando se tenta distribuir a produção para outros países da região. Segundo Gustavo Dahl, diretor da Ancine, “é claro que a distribuição desigual da riqueza limita o número de exibições e o público”.

Um fenômeno de destaque no Brasil foi o filme Tropa de Elite (2007 e 2010), que conta em duas partes a história de um capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro que assume o cargo de secretário de Segurança Pública. A primeira parte recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2009. A sequência foi lançada em 2010 e se converteu no filme nacional mais visto. Esta produção foi um marco para a indústria cinematográfica brasileira, já que sua distribuição foi 100% independente. Foi produzida pela Zazen Produções, liderada pelo cineasta Marcos Prado, e dirigida por José Padilha.

Até então, um filme destas características era algo desconhecido no Brasil. Nenhum filme nacional havia conseguido uma bilheteria tão alta nem havia impactado tanto o mercado dos Estados Unidos. É preciso esperar as estatísticas de 2011 para ver se as produções brasileiras poderão competir, como neste caso, com Hollywood.

Na Argentina, em 2009, houve só um filme nacional entre os mais vistos, El Secreto de sus Ojos, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Isto confirmou que não só a audiência nacional está ávida por cinema argentino, mas que este também interessa ao público internacional. Em anos anteriores algo semelhante teria ocorrido com o filme de Daniel Burman, El Nido Vacío (2008). Também ficou entre as produções mais vistas no período. Em 2007 foi La Señal, obra-prima do popular ator Ricardo Darín. Contudo, à exceção desses grandes êxitos, os demais filmes mais vistos sempre são norte-americanos.

Além disso, os encarregados locais da bilheteria estão, em geral, vinculados às principais distribuidoras norte-americanas e, portanto, mantêm um monopólio no mercado. Uma grande quantidade de filmes locais não é considerada adequada para a distribuição e é incapaz de encontrar uma audiência mais significativa devido à persistente competição de Hollywood.

Na Argentina, como em outros países, existe o chamado cinema invisível: quando se produz bons filmes, que recebem o reconhecimento de críticos profissionais, mas não encontram espaço adequado na agenda cinematográfica. Um bom exemplo é La Sangre Brota (2008), dirigido pelo jovem cineasta Pablo Fendrik.

A distribuição e exibição apresentam uma série de dificuldades: como programar um alto número de filmes nas relativamente poucas salas de exibição da América do Sul? E, uma vez que encontram seu lugar na agenda, como competirão com os norte-americanos? É claro que a publicidade é um instrumento fundamental para cativar o público que o filme necessita. Como a maioria das iniciativas governamentais se foca nos custos de produção, restam poucos recursos para a promoção.

Muitíssimos filmes nacionais, com nomes menos famosos do que os de Hollywood, têm grandes dificuldades de se promoverem. Uma solução para este desafio pode ser a resposta à necessidade de expandir o número de salas, de tal forma que sejam feitas mais cópias dos filmes nacionais. Existem alguns projetos nesta direção, com o objetivo de alcançar audiências virgens: na América Latina há um considerável número de pessoas que nunca entrou em um cinema.

Como em outras partes do planeta, o cinema da América Latina sofre uma persistente competição da produção norte-americana, líder absoluta do mercado. Diante disso, os subsídios do governo estão justificados pela necessidade de proteger o cinema nacional. Por outro lado, os filmes da América Latina contêm um importante elemento social. Ao usar dinheiro público para produzir arte cinematográfica, a população e seu governo esperam que o investimento de alguma forma beneficie toda a sociedade.

Entretanto, a realidade é que a maior parte da produção não chama a atenção da audiência em geral. Em última instância, a indústria justifica sua existência por seu próprio valor cultural. Assim, o cinema latino-americano se aproxima muito da produção geral da União Europeia, onde os governos ou as agências nacionais envolvidas também atuam com principal estímulo para a produção e proteção de seu cinema contra o dos Estados Unidos.

Apesar de todos estes problemas, não há dúvida de que o momento econômico favorável que vive a região oferece ao cinema latino-americano uma temporada próspera e um futuro promissor. As autoridades reconhecem o valor que tem para a nação a atividade cinematográfica, aniquilada por regimes anteriores, e o proclamam abertamente desde o começo do Século 21.

Nos últimos dez anos, houve um destacado estímulo na quantidade e qualidade dos filmes regionais. Diários de Motocicleta (2004), E Tu Mamá También (2001) e Cidade de Deus (2002), entre outros, expressam a maturidade que a América Latina alcançou. Envolverde/IPS

(FIN/2012)

 
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