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França na encruzilhada
Joaquín Roy*

Miami, abril/2012 , (IPS) - Os recentes assassinatos (três estudantes judeus, seu professor e três paraquedistas) não só têm um impacto nas eleições na França, no dia 22, como removerão o tecido social neste país, sempre em delicada situação

Porém, outros fatores podem fazer uma nova vítima no contexto europeu mais amplo. Estas eleições presidenciais extrapolam o cenário gaulês. Muito dependerá de como se comportar a dupla de candidatos principais (Nicolas Sarkozy e François Hollande), sobretudo quando Marine Le Pen e outros desaparecerem, no inevitável segundo turno do dia 6 de maio.

O reaparecimento do fantasma do racismo pode piorar com a divisão da França diante da empresa europeia e com uma repetição do "não" diante do projeto constitucional.

Os incidentes racistas que ressuscitaram em diversos países da União Europeia (UE) são uma ameaça contra a essência da reabilitação do continente após a debacle da Segunda Guerra Mundial. Parece que não houve cautela.

O holocausto começou culpando convenientemente umas minorias pelas sérias crises da década de 20 no século passado. Além dos casos concretos de discriminação e violência exercidas contra imigrantes, não por casualidade de raízes africanas e ciganas, também o racismo se reflete nos estádios de futebol, sem que os clubes nem as federações demonstrem saber como atacar o câncer.

O fenômeno é complexo. Mas as leis são cristalinas e é imperativo cumpri-las e punir as violações de maneira contundente.

A debilidade das instituições europeias para enfrentar os casos explícitos do governo francês foi um aviso do que pode vir. O fato de não ter respondido com firmeza às deportações coletivas de Sarkozy, decretadas há meses contra cidadãos romenos, foi um sinal de que o crime não compensa.

Curiosamente, as vítimas de ataques em outros países são precisamente os imigrantes que deveriam constituir a força de trabalho necessária para equilibrar a envelhecida demografia europeia com salvaguarda fiscal do Estado de bem-estar.

A pergunta principal para o contexto amplo da democracia europeia (que cremos incólume) é a avaliação do possível impacto deste crime racista nas eleições francesas. A resposta preliminar é que o mais prudente será esperar seu desenvolvimento, a contagem final e a pesquisa científica da atitude dos eleitores.

No momento, podemos apenas especular sobre duas dimensões. Uma é o manejo que Sarkozy faz das circunstâncias. É evidente que saiu fortalecido ao enfrentar de frente o desafio. Outra é a atitude, prudente e corretíssima, que seu adversário Hollande apresentou até agora. A nenhum convém usar o grave crime com arma no que resta antes das eleições.

Agora, se o desenrolar da campanha revelar para Sarkozy um efeito negativo do manejo posterior dos atentados, então se poderá meditar sobre o uso que os socialistas poderão fazer, lembrando ao presidente que certos comentários e certas ações do passado foram graves para as minorias e os imigrantes.

Seria interessante, então, estudar a fundo se fatos aterradores como estes servem de catapulta para a volta dos social-democratas não somente na França, mas no restante da UE. No momento, o setor perdedor é a família Le Pen e organizações afins, já que seu perfil nacional fundamentalista afasta os eleitores moderados.

A facilidade com que se recorre ao bode expiatório da suposta insegurança provocada pela imigração, sobretudo a procedente da África, já representa um desafio para a governança europeia em plena crise econômica, que tem um impacto considerável na trama institucional da UE, que se percebe como ineficaz.

As decisões agora são tomadas diretamente pela colaboração franco-alemã ou, pior, seguindo o roteiro dos chamados eufemisticamente "mercados", que são precisamente os mesmos interesses que fracassaram em prever a crise, e que agora não conseguem proporcionar melhores remédios além de reclamar mais empréstimos e insistir nas medidas de austeridade, desprezando o crescimento.

Hollande já explorou o divórcio entre a direção europeia e a sociedade quanto à ratificação (parlamentar, não esqueçamos) do minitratado para solucionar os problemas derivados do sistema presidido pelo euro. Sua promessa de reclamar uma revisão dessa decisão o deixa, paradoxalmente, lado a lado com a atitude britânica de David Cameron diante do acordo de 25 dos 27 membros da UE.

Se for eleito, segundo as estimativas em um segundo turno, o candidato socialista abriria uma brecha na UE difícil de fechar. Animaria outros partidos destituídos a acrescentarem sua oposição ao tratado. E também se colocaria em evidência diante de seus colegas social-democratas que defendem uma dose maior de Europa.

No momento, as perspectivas da mudança já começam a preocupar Berlim. Angela Merkel conseguiu impor suas teses financeiras pelos argumentos de seu poder geopolítico e econômico. No entanto, esteve abrigada na aliança com seu colega no Eliseu. O desaparecimento de "Merkozy" faria variar o cenário europeu consideravelmente. A resposta, nos dias 22 e 6 de maio. Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu). (FIN/2012)

 
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