África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Bolha palestina prestes a estourar
Jillian Kestler-D'Amours

Ramalá, Palestina, 7/8/2012, (IPS) - "Vai entrar em colapso, e quanto mais tarde, mais duro será", alertou o economista palestino Tareq Sadeq, professor da Universidade Birzeit, ao explicar a bolha econômica que cresce na Autoridade Nacional Palestina (ANP).


Crédito: Jillian Kestler-D’Amours/IPS.
Ramalá
"As pessoas perderão suas casas, carros e, talvez, sua terra, pelo estouro da bolha. Toda a economia será afetada e também a ANP, por isso pode-se dizer que a própria ANP cairá em colapso", disse Sadeq à IPS.

A ANP informou que enfrenta uma crise de financiamento. Depende das doações para cobrir seu orçamento de US$ 1,1 bilhão e tem escassez de liquidez de US$ 500 milhões. "A economia palestina depende cada vez mais e mais dos salários, e não apenas o setor público. Cerca de 70% dos trabalhadores são servidores públicos, assim, não há produção na economia. As pessoas consomem, consomem e consomem, e não há produção", explicou.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou um pedido feito no começo de julho pelo governo israelense de US$ 1 bilhão para financiar à ANP. A economia da Cisjordânia depende totalmente da assistência internacional. Em 2011, os doadores prometeram US$ 1 bilhão, dos quais só entregaram US$ 800 milhões. "Toda a economia está restrita à assistência financeira dos doadores internacionais, o que acentua mais a vulnerabilidade da economia palestina", ressaltou.

O primeiro-ministro, Salam Fayyad, impulsionou o desenvolvimento econômico e os investimentos no setor privado para garantir a independência. A maioria dos órgãos internacionais e governos elogiou seu enfoque, destacando que uma prova do êxito era o crescimento do produto interno bruto, de 7,7% entre 2008 e 2011. Em seu plano de desenvolvimento 2011-2013, Criando o Estado, construindo nosso futuro, a ANP estima que o PIB aumentará 12% em 2013. Entretanto, um informe do Banco Mundial, divulgado no dia 25 de julho, conclui que a economia da Palestina não é sustentável.

"A ANP realizou progressos sustentáveis em muitas áreas para criar as instituições que exigirá o futuro Estado, mas a economia não está suficientemente forte para respaldá-los", alertou John Nasir, um dos principais autores do estudo Para uma sustentabilidade econômica de um futuro Estado palestino: promovendo o crescimento a pedido do setor privado, em uma declaração que antecipa os resultados do mesmo. Eliminar as restrições de acesso ao mercado e aos recursos naturais é o primeiro passo necessário para expandir o setor privado palestino e que a ANP deixe de depender da ajuda estrangeira, afirma o estudo.

"Isto está diante de nossos narizes desde o início do processo de Oslo: qualquer um pode ver claramente que a economia não é sustentável", observou o empresário palestino-norte-americano Sam Bahour. Segundo sua experiência, o maior obstáculo ao desenvolvimento econômico é o controle israelense sobre o capital humano da Palestina.

"Se no setor privado se perguntar qual é o maior problema, a resposta será que não podemos encontrar os profissionais que precisamos. Como Israel controla todos os pontos de entrada e saída, e não apenas de mercadorias, mas também de pessoas, basicamente regula o ritmo de nosso desenvolvimento mediante o bloqueio de recursos humanos", descreveu Bahour à IPS.

Israel e os representantes palestinos assinaram o Protocolo de Paris em abril de 1994 no contexto dos Acordos de Oslo, um convênio assinado em 1993 que detalha relações e responsabilidades entre ambos, e que também deu à luz a Autoridade Nacional Palestina. O Protocolo criou um contexto de relações econômicas entre as partes. Desde então, Israel arrecada as taxas sobre os produtos importados para os territórios palestinos e transfere os fundos à ANP.

Além disso, foi concedida à ANP autoridade para adotar impostos de forma direta e indireta para criar uma política industrial, gerar cargos públicos e uma autoridade monetária. Mas o comércio palestino com outros países ficou nas mãos dos portos israelenses ou dos postos de fronteira controlados pelo Estado judeu, o que continua causando perdas econômicas significativas.

Segundo Bahour, o controle de Israel sobre o mercado palestino e as dificuldades econômicas e sociais resultantes para a população levaram ao que ele chama de "americanização da população palestina". Quando "a economia se ressente, a participação dos doadores é basicamente de domínio e condução da economia, e a população se endivida cada vez mais, as pessoas se tornam individualistas e pretendem fazer o melhor por sua própria conta", explicou.

A taxa de desemprego na Cisjordânia no primeiro trimestre deste ano foi de, aproximadamente, 20%, segundo o Escritório Central de Estatísticas da Palestina. Este órgão também indica que um quarto dos palestinos da Cisjordânia, onde residem 2,6 milhões de pessoas, vivia na pobreza em 2011, enquanto 13% vivia em condições de extrema pobreza.

As autoridades palestinas devem estar conscientes do que significa construir uma economia sob ocupação e mudar sua política para aliviar o peso econômico que carregam muitas famílias, pontuou Tareq Sadeq. "A brecha aumenta. Há frustração nas ruas, mas o que importa para as pessoas é não perder. Querem manter suas casas e as coisas que compraram", ressaltou. "A economia palestina sofre uma ocupação. Temos que criar nossas próprias políticas de desenvolvimento sob a ocupação e pensar em como ajudar as pessoas a se manterem, ficarem em suas terras e resistirem à ocupação", acrescentou. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Contra os casamentos precoces no Sudão do Sul
 Freios incipientes ao monopólio de terras
 Manifestações em massa no Paquistão contra bombardeio teledirigido
 Líderes religiosos islâmicos pedem apoio para rebeldes sírios
 Para uma zona de livre comércio entre Ãfrica do Sul e Nigéria
 REPORTAGEM: Ajuda financeira contra mudança climática de novo paralisada
 DESTAQUES: Cidades mexicanas se afogam em poluição e ainda não sabem
 Erradicar a fome deve ser prioridade para depois de 2015
 Especulando com a comida
 O renascimento indígena brasileiro sob fogo cruzado
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 U.S. Regulatory System “Stymied by Special Interestsâ€
 Behind the Climate Finance Headlines
 Are Developing Countries Waving or Drowning?
 U.S. Syria Hawks Can’t Get No Traction
 Rice Replaces Donilon as Obama’s Top Foreign Policy Adviser
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 COLUMNA: Protección social para superar la pobreza y el hambre
 Fondo de los ODM impulsa seguridad alimentaria
 EEUU se sienta a dialogar con el Talibán
 Las cuentas pendientes en deforestación de la Amazonia brasileña
 Cómo la seguridad de EEUU quedó a cargo de una compañía privada
MÁS >>