África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

DESTAQUES
Decisão contra central Castilla dispara debate sobre eletricidade
Marianela Jarroud

SANTIAGO, Chile, 3 de setembro de 2012, (IPS) - (Tierramérica).- Até 2020, a mineração chilena do cobre exigirá quase o dobro de eletricidade do que a que consumiu no ano passado, segundo as autoridades.


Crédito: Alex Fuentes/IPS
Vista panorâmica de Totoral, deserto de Atacama, que ganhou disputa judicial contra a Termoelétrica Castilla
A paralisação, determinada pelo Supremo Tribunal de Justiça do Chile, da construção da central Termoelétrica Castilla desatou um debate sobre a segurança energética neste país. Autoridades e alguns especialistas alertam que o desenvolvimento nacional corre risco se não forem feitas obras desta envergadura. "Esta é uma pressão política ilegítima, é uma chantagem", afirmou o diretor do Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca), Lucio Cuenca, para quem "o consumo cotidiano de energia dos chilenos e das chilenas não está ameaçado pela construção ou não da Termoelétrica Castilla".

O projeto da empresa de energia MPX, parte do grupo EBX do brasileiro Eike Batista, se coloca como a maior central de geração térmica da América do Sul, localizada 810 quilômetros ao norte de Santiago, no Deserto de Atacama e na margem do Oceano Pacífico. O projeto, de US$ 4,4 bilhões, compreende oito centrais: seis movidas a carvão, para gerar 300 megawatts cada uma, e duas a petróleo, com capacidade individual de 127 MW. Assim, o complexo poderá produzir quase 2,1 mil MW, que se somariam ao Sistema Interligado Central que abastece 90% da população chilena.

No entanto, no dia 28 de agosto, a Sala Constitucional do Supremo Tribunal ordenou a paralisação do projeto, ao acolher um recurso de proteção apresentado pela comunidade e pelos pescadores da localidade de Totoral, a mais próxima da termoelétrica, que já havia sido aceito parcialmente por um tribunal de apelações. A decisão unânime estabelece que a MPX e sua sócia alemã E.ON não podiam apresentar em separado a análise de impacto ambiental de cada componente do projeto, o complexo termoelétrico e o porto que o acompanha, onde seria descarregado o carvão e o petróleo importados para alimentar as usinas.

"A crítica em questão é efetiva", afirmou o Tribunal, pois "o porto tem com principal cliente e finalidade abastecer a central termoelétrica, e esta tem a necessidade de se abastecer de carvão e diesel que são fornecidos por intermédio do porto, de tal forma que claramente existem três unidades para uma mesma atividade que vão operar, a saber: o porto, a central e a conexão entre ambas". O Tribunal concluiu que, para seguir adiante, as empresas devem apresentar um novo estudo de impacto ambiental "que considere os dois projetos em forma conjunta e sua conexão para a transferência do carvão e do diesel, partindo do primeiro para a segunda".

Uma vez conhecida a sentença, a MPX alertou em um comunicado que "reavaliará sua estratégia de negócios no Chile". Estas declarações motivaram a reação imediata do governo. O ministro de Mineração, Hernán de Solminihac, afirmou que até 2020 a mineração do cobre exigirá 97% mais eletricidade do que a consumida em 2011. Na mesma linha, o economista Jorge Rodríguez Grossi disse ao Terramérica que a rejeição a Castilla e a outros projetos energéticos "fazem mal ao processo de crescimento econômico".

Grossi, que foi ministro de Energia no governo de Ricardo Lagos (2000-2006), acrescentou que a lei ambiental e suas indicações são "um gol contra que estamos fazendo do ponto de vista econômico". Segundo ele, "todos os chilenos querem crescer de maneira sustentável, mas não queremos que, por respeitar o meio ambiente, tenhamos atraso de dez ou 15 anos no desenvolvimento". É preciso "exigir do próprio Estado que dê aos investidores pautas claras e completamente provadas de que o caminho para avaliar um projeto é o correto", destacou.

Em sua opinião, "para que um projeto novo apareça e passe novamente pelos filtros ambientais transcorrerão dois ou três anos, podendo atrasar os investimentos em mineração". No entanto, para o ecologista Cuenca, este é "um discurso artificialmente armado em função de continuar apostando em uma estratégia de desenvolvimento equivocada", que não teria peso "se não existisse esta expansão desenfreada do investimento em mineração".

O Chile é o principal produtor de cobre do mundo. Sua capacidade instalada atual é de 17 mil MW. Em 2011, seu consumo foi pouco mais do que seis mil MW, detalhou Cuenca, o que determina uma margem ampla para atender novas demandas de curto e médio prazo. Porém, a distribuição não é parelha: 74% da capacidade instalada está no Sistema Interligado Central; 25% no Sistema Interligado Norte Grande, e menos de 1% em redes médias das regiões austrais de Aysén e Magallanes. Precisamente no norte se concentra a atividade mineradora, que consome um terço da eletricidade chilena e que tem projeções de grande crescimento.

A geração térmica, muito contaminante, abastece 63% da eletricidade e a hidráulica 34%. Os 3% restantes correspondem a fontes renováveis não convencionais. O porta-voz da associação de moradores de Totoral, Juan Carlos Morales, disse ao Terramérica que "a energia termoelétrica em nível mundial está em retrocesso, estão sendo usadas novas formas de geração, e é a megamineração a que exige energia e a que nos deixa sem água e com alta contaminação provocada pelos depósitos de dejetos" de carvão. Para Morales, a sentença foi uma surpresa. "Nos surpreende que no Chile nossos argumentos sejam respeitados e que a justiça tenha prevalecido sobre todas as pressões", ressaltou.

* (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Thousands of New Yorkers Protest Gaza Killings
 U.S., Regional Leaders Convene over Migration Crisis
 Israel’s U.S.-Made Military Might Overwhelms Palestinians
 U.S. Debating “Historic” Support for Off-Grid Electricity in Africa
 U.S. Ranks Near Bottom Globally in Energy Efficiency
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Indígenas necesitan fondos para luchar contra VIH/sida
 Países del Sur se imponen al Norte en negociación de la OMC
 BRICS, una brecha en ordenamiento financiero de Occidente
 Buen futuro para los precios agrícolas pero no tanto para los pobres
 Desplazados viven una pesadilla en el norte de Pakistán
MÁS >>