África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

REPORTAGEM
Uruguai: O longo adeus às batatas chips
Inés Acosta

MONTEVIDÉU, Uruguai, 8 de outubro de 2012, (IPS) - (Tierramérica).- Um quarto das crianças uruguaias tem sobrepeso ou obesidade.


Crédito: Victoria Rodríguez/IPS
Meninas e meninos da escola 124, de Melilla, fazem fila para comprar lanche durante o recreio.
Os estudantes uruguaios estão tomando consciência de que os alfajores, as balas, as batatas fritas e os refrigerantes são nocivos para a saúde. Algumas escolas tomaram a iniciativa e não permitem esses alimentos "chatarras" (não saudáveis) nas merendas escolares. As autoridades anunciaram este ano a proibição de alimentos não saudáveis nas escolas, mas não chegaram a concretizá-la. Enquanto isso, um projeto de lei apresentado pela oposição para proibir a promoção e publicidade desses alimentos dentro das escolas conseguiu meia sanção no dia 11 de setembro na Câmara de Deputados, e é dada como certa sua aprovação no Senado.

"Agora não se pode mais trazer batata chips e essas coisas para a escola, e está muito certo porque somos crianças e, se comemos muita comida ruim, podemos ficar doentes agora ou quando formos maiores", disse Luciano, aluno da escola 124 de Rincón de Melilla, uma região de vinhedos e hortas no noroeste de Montevidéu. "Às vezes me dá vontade de comer essas coisas, e em alguns domingos vamos à venda e compramos batatas chips", admitiu o garoto sobre as viciantes batatas fritas embaladas.

Nesta escola não há uma cantina terceirizada, é apoiada a alimentação saudável e proibido o consumo de comida não saudável. O programa funciona desde o ano passado, explicou ao Terramérica sua diretora, Teresa Conti. "No começo houve um pouco de resistência por parte dos pais, mas, finalmente, eles e as crianças se acostumaram a não mandar snacks, alfajores ou comida embalada. Tiveram que aceitar porque são normas institucionais", disse Conti.

"É muito mais fácil para os pais comprar um saco de batata frita ou um alfajor, mas este hábito foi mudando porque os professores também foram ensinando e impondo outro tipo de alimentação", acrescentou a diretora. Há alguns meses, alunos de quarta, quinta e sexta séries levam para a escola lanche preparado em suas casas para vender e conseguir dinheiro para as viagens de final de ano. Luisa, da sexta série, contou que preparam torta de presunto e outros pratos, e também levam frutas. "Vendemos tudo", garantiu enquanto atendia a cantina onde não restava quase nada para vender.

Em fevereiro, o então diretor do Conselho de Educação Inicial e Primária, Óscar Gómez, agora subsecretário de Educação e Cultura, anunciou que seria proibida a venda de alimentos não saudáveis nas escolas. "A ideia era não nos transformarmos em agentes de fomento de hábitos negativos", declarou Gómez ao Terramérica. A iniciativa, que seria aplicada no segundo semestre deste ano, "estava sendo impulsionada à luz do projeto de lei" que é preparado desde 2011, acrescentou. "Contudo, não houve continuidade porque vim para o Ministério", justificou.

Agora, as autoridades da educação se limitam a jornadas de sensibilização, capacitação do pessoal e reforço das "ações pró-ativas que cada escola realiza para promover a boa alimentação", acrescentou Gómez. A encarregada do Programa de Alimentação Escolar (PAE) do Conselho de Educação Inicial e Primária, Graciela Moizo, disse ao Terramérica que o esforço se concentra em "uma linha educativa". Justificando que "a educação tem que se adaptar a uma realidade social, que é o bombardeio constante de determinados produtos. Sem uma forte contrapartida educativa, que permita às crianças saberem o que faz mal, estaremos muito longe de chegar a ter uma alimentação saudável".

Moizo afirmou que as visitas aos centros educacionais do ensino primário mostram que quase não há alimentos nocivos. Nas escolas públicas, "em geral, não há cantinas", acrescentou, lembrando que faltam dados certeiros. As que existem "são organizadas pelas crianças ou por alguma cooperativa escolar para arrecadar dinheiro com um determinado fim, mas, geralmente, vendem comida caseira", contou, ressaltando que "o problema das merendas está na cantina fora da escola".

Por outro lado, por meio do PAE, o Estado fornece assistência alimentar a 67% dos alunos de escolas públicas, que vão desde um café da manhã, um almoço ou um lanche até as quatro refeições diárias. Dos 248.590 alunos atendidos diariamente, cerca de 24 mil recebem alimentos adquiridos de empresas contratadas. O restante é servido pela tradicional cozinha dos restaurantes escolares, explicou a nutricionista Caren Zelmonovich. Segundo Gómez, a grande maioria das escolas particulares possui cantinas terceirizadas, "onde se registra maior índice de consumo de comida chatarra, porque também há mais poder aquisitivo".

Julieta, aluna do Instituto de Educação Santa Elena de Ciudad de la Costa, limítrofe com o leste de Montevidéu, contou ao Terramérica que em sua classe se fala de alimentação saudável. "Fizemos uma nota a alguns alunos do colégio e a maioria disse que come coisas industrializadas, mas também algumas saudáveis e, em geral, tomam água. Muita da comida da cantina é saudável e caseira", assegurou. "É bom" não ingerir coisas não saudáveis na escola", afirmou, mas acrescentou que "um dia a gente pode se ver com vontade de comida chatarra, porque é gostosa... pelo menos uma vez na semana".

Se o Uruguai adotar uma lei, as normas e os incentivos serão iguais para todos. O projeto de lei Alimentação Saudável nos Centros de Ensino busca proteger a saúde da população infantil e adolescente que vai à escola pública e privada, mas sem proibir a venda de nenhum produto. Segundo dados revelados pelo animador do projeto, deputado e médico Javier García, "70% das mortes no Uruguai são causadas por doenças crônicas não transmissíveis, basicamente cardiovasculares, cerebrovasculares e câncer", nas quais os hábitos não saudáveis são um fator poderoso. Um quarto das crianças uruguaias tem sobrepeso ou obesidade.

Segundo disse ao Terramérica o legislador do opositor Partido Nacional, o projeto "proíbe que na cantina se promova e divulgue esse tipo de alimento nocivo", mas não sua venda. "Optei por este caminho educativo porque, do contrário, a discussão seria mais longa", esclareceu Javier. Em sua opinião, a comunidade educacional vai se envolver "de maneira a ir reduzindo a margem de venda destes produtos até deixarem de ser vendidos", afirmou.

O texto dá ao Ministério de Saúde Pública a tarefa de fornecer informação para ser divulgada na comunidade educacional, estabelecendo uma lista de alimentos não saudáveis, como os que contêm muita gordura, açúcares simples e sal. Espera-se que a iniciativa seja aprovada no Senado na atual legislatura e entre em vigor em março de 2013, quando começar o novo ano letivo.

* (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Yakama Nation Tells DOE to Clean Up Nuclear Waste
 World Cuts Back Military Spending, But Not Asia
 The Iranian Nuclear Weapons Programme That Wasn’t
 U.S. Blasted on Failure to Ratify IMF Reforms
 Developing Nations Seek U.N. Retaliation on Bank Cancellations
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Terrorismo en Nigeria pasa de los machetes a los lanzacohetes
 Indígenas de EEUU exigen limpiar el peor vertedero nuclear del Proyecto Manhattan
 Salvando el turismo caribeño
 COLUMNA: El “lead”, técnica de García Márquez
 Trabajo informal duro de matar en Argentina
MÁS >>