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Salvar as vidas das crianças do Malawi
Charity Chimungu Phiri

CHIKHWAWA, Malawi, 10 de outubro, (IPS) - Simplicious Gift, de três meses de idade, vive na aldeia de Mafunga, no distrito rural de Chikhwawa, no sul do Malawi, a 48 quilómetros da capital comercial, Blantyre.

A aldeia agrícola onde vive é pobre e contém 1.200 pessoas que vivem das suas colheitas e dos produtos derivados do gado, que inclui carneiros, porcos e vacas. Embora este ano uma proporção substancial da população nesta região possa ter de enfrentar o problema da insegurança alimentar devido às más colheitas, a Simplicious pelo menos não faltarão cuidados de saúde.

Logo que o bebé precisa de tratamento médico, Margaret Gift só precisa de andar 300 metros até à clínica mais próxima.

"Venho aqui logo que o meu filho tem febre, diarreia ou tosse. Também visito este local devido aos métodos de planeamento familiar," contou à IPS enquanto esperava na clínica local da aldeia.

Nesta nação da África Austral, onde 90 por cento da população é composta por agricultores de subsistência pobres com limitado acesso aos transportes, a distância média para um hospital distrital é de 21 quilómetros, segundo um relatório sobre as instalações de saúde no país publicado em Dezembro de 2011 pelo Jornal de Cirurgia da África Oriental e Central.

Na vizinha Tanzânia, a distância média é de 31 quilómetros, enquanto que a média na África Subsariana é oito, de acordo com Todas as Mães Contam, uma plataforma que liga as campanhas de mobilização popular a medidas de "contacto, educação e advocacia."

Mas a crescente presença de centros de saúde rurais e a introdução de trabalhadores de saúde comunitários no Malawi nos últimos 30 anos resultaram numa redução de 64 por cento da mortalidade das crianças com idade inferior a cinco anos nos últimos 10 anos no país, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Em 1990, o país registava 227 mortes em cada 1.000 nados-vivos. Esta percentagem diminuiu para 83 mortes por cada 1.000 nados-vivos em 2011.

Um relatório da UNICEF tornado público em 13 de Setembro denominado "Empenhados na Sobrevivência das Crianças: Uma Promessa Renovada", indica que o número de crianças com menos de cinco anos que morre na África Subsariana conheceu uma redução de 39 por cento, enquanto que globalmente a redução passou de 12 milhões em 1992 para 6.9 milhões em 2011.

O relatório referiu que o Malawi é um dos nove países de baixo rendimentos em todo o mundo que reduziu a mortalidade das crianças com menos de cinco anos em mais de 60 por cento.

No distrito de Chikwawa existem 12 centros de saúde que servem esta região com aproximadamente 350.000 pessoas. O Centro de Saúde de Makhwira oferece serviços de saúde a 58.755 pessoas.

Kennedy Thala, Assistente de Monitorização Superior ou trabalhadora de saúde comunitário no centro, disse à IPS que a introdução do Diagnóstico Infantil Precoce em 2010 reduzira o número de falecimentos de crianças.

"No início, quando este mecanismo foi lançado, tinhamos 229 crianças, das quais só morreram três entre os meses de Julho e Setembro de 2010 enquanto esperavam pelos resultados dos testes ao VIH e à subnutrição do Laboratório Central em Blantyre. Antes disso, as crianças morriam a um ritmo muito mais elevado. Mas infelizmente não temos a informação necessária porque não havia registos então," explicou.

Acrescentou que a introdução do programa dos SMS Rápidos da UNICEF em 2010 também ajudara a reduzir a taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos.

"Recebemos as mensagens de texto com os resultados referentes às crianças que fizeram a despistagem do VIH, normalmente três a quatro semanas depois," disse. Anteriormente, demorava meses antes do centro de saúde receber os resultados.

Os bebés neste local também fazem parte do Programa de Monitorização do Crescimento, um projecto aplicado conjuntamente com o Programa Terapêutico para os Pacientes Ambulatórios, onde os bebés com subnutrição moderada recebem alimentos terapêuticos já prontos para serem consumidos como a Plumpy Nut (manteiga de amendoim fortificada) e farinha de milho e de soja misturada com óleo alimentar, medicamentos e vitaminas.

Nesta região e no resto do país, os Assistentes de Monitorização Superiores efectuam diariamente as suas intervenções clínicas nas aldeias locais. Além disso, os trabalhadores responsáveis pelos cuidados de saúde comunitários visitam os centros de saúde duas vezes por semana para ajudar a campanha de imunização das crianças, cuidados de saúde pré-natais e serviços de aconselhamento e despitagem do VIH.

"Acreditamos que através destes programas as mães recebem informação em primeira mão sobre o que é esperado delas em relação à redução da subnutrição das crianças com menos de cinco anos," afirmou o Director de Comunicações da UNICEF no Malawi, Victor Chinyama.

Os funcionários da UNICEF afirmam que tem sido muito importante aproximar os serviços de cuidados de saúde dos locais onde as pessoas vivem, reduzindo de forma significativa a distância que as pessoas precisam de percorrer para terem acesso aos tratamentos médicos no Malawi.

"No Malawi, muitos hospitais distritais estão situados muito longe da maioria das aldeias, o que anteriormente obrigava muitas mães a caminharem distâncias muito longas. Mas agora as pessoas podem receber os cuidados médicos no local onde residem e as mães que procuram cuidados médicos para os seus filhos podem aceder a eles imediatamente," explicou Chinyama.

O porta-voz do Ministério da Saúde, Henry Chimbali, disse à IPS que a redução da taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos era "um feito notável porque indica que o que estamos a fazer está a funcionar".

"Em geral atribuímos este sucesso ao projecto Maternidade em Segurança, às clínicas nas aldeias e também aos Assistentes de Monitorização Superiores que trabalham directamente com as mães nas suas próprias comunidades e ajudam a impedir as mortes infantis que podem ser evitadas," disse.

A Drª Queen Dube, pediatra no Hospital Central da Rainha Elizabete em Blantyre, uma infraestrutura com 950 camas onde a maioria dos pacientes é oriunda de áreas rurais ou de bairros dos arrabaldes, disse à IPS que a redução da mortalidade das crianças com menos de cinco anos devido à subnutrição também podia ser atribuída ao melhor acesso ao fornecimento de alimentos no país desde 2005.

"Estava aqui quando tinhamos mais de cem crianças na Unidade de Reabilitação de Nutrição. Mas agora visitamos essa unidade e nem sequer está cheia - so lá estão dezasseis crianças - e para nós isso é surpreendente!"

"As coisas melhoraram depois da introdução dos cuidados Terapêuticos para os Pacientes Ambulatórios (que tiveram o seu início nas clínicas comunitárias há mais de 30 anos) e das clínicas comunitárias, porque os trabalhadores de saúde deixarem de estar à espera que as mães tragam os filhos muito doentes," explicou. Em vez disso, os trabalhadores de saúde falam com as mães para as educar sobre como evitar que os filhos fiquem doentes.

A Drª Dube também afirmou que a introdução do Programa de Imunização Alargado para as crianças com menos de cinco anos, que começou no início dos anos 60 em todo o país, ajudara a reduzir a taxa de mortalidade.

"Neste momento a nossa cobertura em todo o país é de 90 por cento. Apesar disso, há mais a fazer na área da pneumonia. Mas desde o ano passado que os bebés estão a ser vacinados contra esta doença. Além disso, muitas grávidas agora participam nos cuidados pré-natais pelo menos uma vez - neste momento, a participação em todo o país é de 91 por cento," disse.

Contudo, a Drª Dube afirmou à IPS que a mortalidade neonatal continua a representar um grande desafio no Malawi, visto que contribui para um terço de todas as mortes das crianças com menos de cinco anos. As estatísticas actuais indicam que em cada 1.000 nados-vivos morrem 79 crianças com menos de 12 meses de idade por ano. Actualmente a taxa de mortalidade neonatal global, segundo um relatório da UNICEF, é de 22 mortes por cada 1.000 nados-vivos.

"Basicamente, os nados-vivos ficam doentes nas primeiras 72 horas de vida e morrem principalmente devido ao seu reduzido peso à nascença. Estas mortes não têm sofrido alterações no Malawi, os números continuam elevados," explicou. (FIN/2012)

 
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