África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

"Resistência a desastres naturais começa com as mulheres"
Julia Kallas

Nova York, Estados Unidos, 17/10/2012 , (IPS) - As meninas e as mulheres podem ser poderosas agentes de mudança, mas sofrem de forma desproporcional os desastres climáticos devido aos tradicionais papéis de gênero, à discriminação e à pobreza.


Crédito: Julia Kallas/IPS
A partir da esquerda, Haydee Rodríguez, Violet Shivutse e Josephine Castillo.
A IPS conversou a esse respeito com a ativista filipina Josephine Castillo, da rede de organizações não governamentais Dampa, Haydee Rodríguez, presidente da União de Cooperativas de Mulheres Las Brumas, na localidade nicaraguense de Jinotega, e Violet Shivutse, fundadora da Comunidade de Trabalhadoras da Saúde Shibuye, do Quênia.

O Dia Internacional para a Redução de Desastres, celebrado no dia 13, se concentrou em "Mulheres e meninas a força (in)visível da resiliência".

IPS: As três têm histórias diferentes e procedem de contextos diferentes. Poderiam explicar quais os principais desafios que enfrentam na hora de criar mecanismos de resiliência em suas comunidades?

Josephine Castillo: Sou uma das diretoras de minha associação de proprietárias, que tem 421 membros, todas donas de suas terras desde 1995, algo que conseguimos graças a um programa que realizamos com o governo nacional, que ofereceu hipotecas para que as mulheres comprassem suas casas. Temos programas que agrupam nossa comunidade em caso de desastre. Formamos equipes de resposta rápida em colaboração com o governo local, e nossos projetos de resiliência trabalham com a Huairou Comission e Groots International. Em agosto, as pessoas afetadas pelas inundações de Manila foram levadas para locais de recolocação, que resgatam famílias afetadas por inundações e terremotos. Os desastres naturais ocorrem mais frequentemente devido à mudança climática, e precisamos ter programas de adaptação climática, mitigação de desastres e resiliência.

Haydee Rodríguez: Presido a União de Cooperativas de Mulheres Las Brumas, em Jinotega, Nicarágua. Criamos 20 cooperativas de mulheres com cerca de 1.200 integrantes e outras 960 vinculadas de forma indireta. Nossa comunidade tem numerosas dificuldades com a mudança climática e a distribuição de terras. Mediante o trabalho de resiliência criamos programas para cultivar alimentos e plantas medicinais, e outros que objetivam melhorar o diálogo com o governo. Também conseguimos que as mulheres participassem de organizações partidárias. Nas próximas eleições, em 4 de novembro, haverá 14 ativistas comunitárias.

Violet Shiuvutse: Quando trabalhava em uma repartição que registrava agricultores, conheci muitas mulheres grávidas que sofreram problemas no parto. Muitas morreram, outras tiveram partos complicados após os quais o bebê morreu, ou elas ficaram com sequelas por muito tempo. O principal problema era ajudá-las e garantir-lhes o traslado para um hospital, pois a distância e o alto custo do serviço não as animava a fazê-lo. Então, comecei a pensar em como ajudar estas mulheres tão importantes para a comunidade. Foi assim que me envolvi no trabalho comunitário e em questões de saúde feminina. Os maiores problemas na comunidade incluem encontrar fundos contra o HIV/aids, segurança alimentar, os períodos de seca e as inundações. A água, o saneamento e a higiene também são grandes problemas para meninos e meninas nas escolas. Quando me dei conta de que os problemas aumentavam, reuni muitas mulheres para começar a trabalhar no desenvolvimento de nossa comunidade. Criamos a organização Comunidade de Trabalhadoras da Saúde Shibuye, que hoje conta com 2.036 ativistas.

IPS: Por que é importante se concentrar nas mulheres e meninas em matéria de redução de desastres?

JC: Porque são as mais prejudicadas em casos de desastres. Devem estar preparadas e treinadas. Não gostamos de dizer que somos vulneráveis, mas somos. Quando falamos de resiliência não nos referimos apenas aos desastres naturais. A falta de educação também significa desastre. Não podem encontrar trabalho se não têm capacitação. Por isso devemos participar de conferências internacionais, para mostrar nossas necessidades e lutar por nossos direitos.

HR: Trabalhar na resiliência de mulheres é importante porque precisamos cuidar de nossas vidas e da comunidade. Se não nos preocupamos com a água, por exemplo, não haverá cultivo e, sem produção, há fome.

VS: Acreditamos que a resiliência começa com as mulheres, já que são elas que se encarregam das comunidades rurais, porque os homens emigram para as cidades em busca de trabalho. Por isso, o impacto dos desastres para mulheres e meninas é grande. As incentivamos a trabalharem em grupos para que possam compreender como resistir. Resiliência é ter comida em suas casas, resiliência quer dizer armazenar alimentos, resiliência significa identificar recursos naturais e protegê-los. Também acreditamos que é importante as meninas aprenderem a importância da resiliência para que, quando forem adultas e mães, ajudem suas comunidades.

IPS: Como criam projetos eficazes em matéria de resiliência feminina?

JC: É importante colaborar e associar-se com autoridades locais, instituições e organizações em todo o mundo. Também é importante o diálogo entre atores locais. As organizações devem se concentrar em muitas questões porque, se trabalharem em apenas uma, podem esgotá-lo, e se esse assunto for resolvido não terão mais nada para trabalhar. Nossos programas surgem das pessoas, não dos contribuintes.

HR: Temos que impulsionar as mulheres a participarem dos processos de decisão e ocuparem cargos de liderança. As organizações devem ajudá-las e incentivar a inovação feminina oferecendo-lhes recursos. Além disso, as protagonistas devem compartilhar seu trabalho e seus projetos com outras comunidades para ajudar a propagar a resiliência.

VS: Primeiro temos que educá-las, porque do contrário não poderão participar de trabalhos comunitários. Em segundo lugar, fortalecê-las do ponto de vista político e econômico. Dar-lhes mais valor e igualdade no ambiente de trabalho. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Panama Regulators Could Slow U.S. Approval of GM Salmon
 Resolving Key Nuclear Issue Turns on Iran-Russia Deal
 Good Twins or Evil Twins? U.S., China Could Tip the Climate Balance
 OPINION: Contras and Drugs, Three Decades Later
 U.S. Contractors Convicted in 2007 Blackwater Baghdad Traffic Massacre
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Ãfrica puede seguir los pasos de Suiza
 Â¿La hora del cambio entre Cuba y Estados Unidos?
 Finalmente, Guatemala juzgará a militares por esclavitud sexual
 La reforma política de Rousseff ya enfrenta trabas en Brasil
 Avance en negociación nuclear con Irán depende ahora de Rusia
MÁS >>