África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Epidemia de defeitos congênitos no Iraque após a guerra
Julia Kallas

Nações Unidas, 30/10/1012, (IPS) - Um novo estudo confirma o que muitos médicos do Iraque estão dizendo há anos: há uma virtual epidemia de raros defeitos congênitos nas cidades que sofreram bombardeios e disparos de artilharia em ofensivas lideradas pelos Estados Unidos.


Crédito: Cortesia de Mozhgan Savabieasfahani
Savabieasfahani pesquisou nas cidades de Faluja e Basra.
Os locais mais afetados parecem ser a cidade de Faluja, no centro do país, que sofreu uma forte ofensiva em 2004, e Basra, ao sul, em abril de 2003.

Os registros mostram que o número de defeitos observados pelo pessoal médico do Hospital e Maternidade Basra nos recém-nascidos mais do que dobrou entre 2003 e 2009. Entre 2007 e 2010, em Faluja, mais da metade das crianças nasceram com algum problema congênito, contra menos de 2% em 2000.

Mozhgan Savabieasfahani é a autora principal do último estudo publicado pelo Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology (Boletim de Contaminação Ambiental) intitulado Metal Contamination and the Epidemic of Congenital Birth Defects in Iraqui Cities (Contaminação com metal e a epidemia de defeitos congênitos em cidades iraquianas).

O exame de amostras de cabelos de 56 famílias de Faluja revelou contaminação com dois metais conhecidos por sua neurotoxidade: chumbo e mercúrio. Savabieasfahani, toxicologista ambiental da Escola de Saúde Pública da norte-americana Universidade de Michigan, conversou com a IPS sobre a crise sanitária iraquiana e as consequências de longo prazo pela exposição a metais liberados pelas bombas e munições.

IPS: A senhora se concentrou em Faluja e Basra. Há algum indício de que este problema possa estar afetando outras cidades também?

MOZHGAN SAVABIEASFAHANI: Há um estudo feito em outra cidade e creio que apresenta aspectos semelhantes. Acredito que é possível que qualquer outro lugar tenha sido afetado. Em alguns locais são registradas situações parecidas, mas não há publicações que indiquem isso.

IPS: Seu estudo encontrou sérias deformações em crianças em 2010. Por quanto tempo continuarão sendo sentidos na saúde os efeitos da guerra?

MS: Falando como toxicologista ambiental, creio que enquanto não se limpar o meio ambiente, enquanto a fonte desta contaminação pública não for encontrada, e enquanto a população estiver diariamente exposta a ela, o problema persistirá. E podemos ver que, na verdade, está se agravando. Penso que o melhor passo a ser dado agora é ampliar o alcance dos estudos ambientais: analisar a água, o ar, os alimentos, o solo, tudo o que esteja em contato com as pessoas, analisar tudo isto para detectar a presença de metais tóxicos e outras substâncias que estão no meio ambiente. E, uma vez encontrada a fonte, então poderemos erradicá-la. Se não fizermos isto, o problema continuará, porque as pessoas estão expostas.

IPS: Que tipo de munição é responsável por esta classe de contaminação em grande escala?

MS: Fazemos referência a um par de documentos militares dos Estados Unidos e a metais indicados neles. As munições para armas pequenas incluem vários metais. Porém, pode ser de tudo, desde as bombas lançadas do ar até as disparadas por tanques ou mesmo as balas. Todas possuem metais semelhantes, incluindo mercúrio e chumbo, que encontramos nos corpos das pessoas que vivem em Faluja e Basra.

IPS: A senhora colabora com os pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) que realizam um estudo semelhante, cujas conclusões serão apresentadas no próximo mês?

MS: Não, não mantive contato com a OMS, nem com nenhuma outra organização. Simplesmente trabalhamos com um grupo de cientistas.

IPS: A senhora sabe de alguma reação formal à sua pesquisa, seja do governo do Iraque, dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha?

MS: Houve alguma. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos respondeu ao informe dizendo que não sabe de nenhum estudo oficial que indique algum problema em Basra ou Fajula. Mas isto é só o que consigo lembrar.

IPS: Como o sistema de atenção médica iraquiana enfrenta uma emergência como esta? E como é possível dar atenção médica e adotar medidas contra a contaminação nos lugares afetados?

MS: Sei que os hospitais nas duas cidades que estudei estão sobrecarregados, mas enquanto houver preocupação haverá formas de ajudá-los. Precisamos organizar os médicos, os cientistas e profissionais nesta área para fazer a limpeza. Organizá-los, levá-los a essas duas cidades e iniciar o trabalho. No entanto, tudo isso exige apoio financeiro e de outro tipo. O apoio político e o financeiro ajudarão para que isso aconteça. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Yakama Nation Tells DOE to Clean Up Nuclear Waste
 World Cuts Back Military Spending, But Not Asia
 The Iranian Nuclear Weapons Programme That Wasn’t
 U.S. Blasted on Failure to Ratify IMF Reforms
 Developing Nations Seek U.N. Retaliation on Bank Cancellations
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Sospechosos de terrorismo ante aterrador sistema judicial de EEUU
 Gobierno de Sudán del Sur aprieta la mordaza
 Ruanda se atreve a tener dulces sueños, y con sabor a helado
 Uruguay no es “pirata” por legalizar la marihuana
 Anfitrión de la ONU cierra con llave cuando quiere
MÁS >>