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Perseguição a mulheres ativistas no México
Gladis Torres Ruiz, da IPS/Cimac

Cidade do México, México, 1/11/2012, (IPS) - Como se fossem a nova Inquisição, as autoridades e os poderes fáticos do México hostilizam, censuram e inclusive assassinam as defensoras dos direitos das mulheres, afirmam acadêmicas e ativistas.

Em uma reedição atualizada da perseguição social, política e religiosa que sofreram as chamadas "bruxas" durante a Idade Média, no México as mulheres que defendem os direitos humanos, sexuais e reprodutivos são desprestigiadas, ameaçadas, perseguidas de modo implacável e inclusive assassinadas pelo poder e pelo crime organizado.

Feministas, acadêmicas e integrantes de organizações civis pelos direitos das mexicanas coincidem em afirmar que hoje a Inquisição que perseguia as mulheres da antiguidade por serem sábias e livres prevalece sob o disfarce da Igreja, especialmente da católica, e do sistema patriarcal que reprimem os direitos femininos. Em seu livro O Retorno das Bruxas, a filósofa especialista em ciência e gênero pela Universidade Nacional Autônoma do México, Norma Blázquez Graf, explica que as mulheres da Idade Média, com conhecimentos de anatomia, sexualidade, reprodução e botânica, representaram uma "ameaça" para a sociedade, a Igreja e, sobretudo, para a hegemonia masculina.

Entre os conhecimentos femininos que foram proibidos e castigados estavam o controle da natalidade e a prática do aborto. Diversos autores dizem que desde o começo do cristianismo os anticoncepcionais naturais foram considerados "pecado". Graf alerta que, no Século 21, as mulheres com conhecimento se reacomodaram ao ocuparem espaços importantes, conseguindo mudar os espaços institucionais, por isso ainda são vistas como "ameaças" pelo patriarcado.

Segundo a psicanalista Jean Shinoda Bolen, autora do livro As Bruxas Não se Queixam, atualmente o patriarcado "tem medo" e por isso ataca os direitos da população feminina para eliminar conquistas ganhas há décadas. "Sempre antes de uma mudança profunda, aqueles no poder se fortalecem ou golpeiam mais duramente: com repressão e violência. Isto está ocorrendo agora contra as mulheres", afirmou. Para Marusia López, coordenadora no México da organização internacional Associadas pelo Justo (Jass), no país existe uma "caça às bruxas", toda vez que a violência contra as mulheres em todas suas formas é usada como mecanismo de controle e para infringir medo na sociedade.

"A sanha, o aumento do feminicídio, o uso da violência contra elas pelas forças militares em cumplicidade com o crime organizado dão conta disso, e lançam a mensagem de que as mulheres devem ficar caladas e quietas", explicou a ativista. Ela acrescentou que, "se analisarmos os casos das defensoras assassinadas, encontraremos que em sua maioria eram mulheres que denunciaram cumplicidade entre Estado e poderes fáticos, e repudiaram a violência de gênero e a impunidade".

Nos últimos dois anos foram assassinadas no Estado de Chihuahua Marisela Escobedo, Josefina Reyes e Susana Chávez, ativistas que acompanhavam casos de feminicídios, como são definidos os assassinatos de mulheres em razão de seu gênero. No Estado de Oaxaca foi morta Beatriz Cariño, que denunciou a violência de grupos paramilitares. Entre as defensoras de direitos humanos que sofrem ameaças estão a diretora do Centro de Direitos Humanos das Mulheres de Chihuahua, Luz Estela Castro, e as advogadas Margarita Martínez, de Chiapas, e Bettina Cruz, de Oaxaca, que são contra megaprojetos econômicos.

No entanto, Norma Andrade, Olga Reyes, Sara Salazar e Marisela Ortiz, todas de Chihuahua, tiveram que abandonar seus lugares de residência para evitar a perseguição e proteger suas vidas e suas famílias. Marusia López ressaltou que, ao revisar os dados duros, "em 2011 registramos que, do total de casos de violência contra defensores dos direitos humanos, 40% foram contra mulheres".

O Pacto Nacional pela Vida, pela Liberdade e pelos Direitos das Mulheres - rede de grupos defensores dos direitos sexuais e reprodutivos - afirma que o Estado mexicano impede o exercício dos direitos femininos, dá como exemplo as reformas constitucionais realizadas em 17 dos 31 Estados do país para "proteger a vida desde a concepção-fecundação".

Estas legislações estaduais foram aprovadas pelo conluio entre Igreja Católica e as duas forças políticas dominantes: o Partido Revolucionário Institucional e o Partido Ação Nacional. Esta contrarreforma foi uma reação à decisão dos legisladores do Distrito Federal, onde fica a capital do país, de aprovar uma lei que desde 2007 permite a interrupção voluntária da gravidez até 12 semanas de gestação.

O país conta com uma lei federal que permite o aborto induzido em alguns casos terapêuticos, o que fica anulado de fato nos Estados que passaram a punir o aborto deste a concepção em todos os casos. Apenas no Estado de Guanajuato em 2010 foram presas e depois libertadas 160 mulheres pelo suposto crime de homicídio doloso em grau de parentesco. O Pacto denuncia que as reformas constitucionais, a forma com são aplicadas as leis, bem como as políticas públicas, são um sinal evidente de violência institucional contra as mexicanas. Envolverde/IPS

* Este artigo foi publicado originalmente pela agência mexicana de notícias de Comunicação e Informação AC, Cimac. (FIN/2012)

 
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