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Cumprir as Promessas Feitas aos Pequenos Agricultores em África
Terna Gyuse

ARUSHA, Tanzânia, 05 de novembro, (IPS) - O investimento nas infra-estruturas rurais e o apoio prestado a milhões de pequenos agricultores africanos aumentou na última década. Mas à medida que estes agricultores começam a ver um aumento da produção, torna-se pertinente a questão de ter melhor acesso aos mercados.

O Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze, afirma que as zonas rurais de África estão prontas para o investimento, apresentando oportunidades sem precedentes.

"África tem o maior crescimento populacional e o maior índice de urbanização do mundo. A classe média está a crescer em todo o continente, levando ao aumento da procura de alimentos," disse Nwanze aos delegados do Fórum sobre a Revolução Verde Africana de 2012, que se realizou em Arusha, na Tanzânia, de 26 a 28 de Setembro.

Os governos africanos, os seus parceiros de desenvolvimento e os responsáveis pelo sector agro-industrial concordam que a chave para o aumento da produção inclui sementes e adubos de melhor qualidade, assim como melhores infra-estruturas como estradas e irrigação.

Mas muitos pequenos agricultores não têm instalações de armazenamento ou processamento nem meios de transporte para retirar as suas colheitas das explorações agrícolas. Uma das formas que o investimento do sector privado pode ligar estes pequenos agricultores ao mercado são os projectos em regime de subcontratação, segundo os quais determinada empresa firma um contrato com os pequenos agricultores para que estes forneçam produtos agrícolas.

Em Moçambique, a Olam Internacional, empresa do sector agro-industrial sediada na Índia que mantém relações comerciais com dois milhões de agricultores em duas dezenas países africanos e noutros locais, está a desenvolver um projecto em regime de subcontratação numa concessão gigante com 850.000 hectares, com a duração de 20 anos, não muito longe da cidade portuária da Beira [LINK http://is.gd/70ehI8].

"Não havia nada ali há quatro anos," disse à IPS M.D. Ramesh, director responsável pelas operações na África Oriental,. "Agora temos 60.000 agricultores a trabalhar em 60.000 hectares."

A Olam concede crédito, sementes e adubos aos agricultores e depois compra as suas colheitas na altura apropriada.

O problema inicial residia no facto de muitos pequenos agricultores não terem qualquer noção sobre como plantar algodão. A Olam organizou demonstrações móveis para ensinar aos agricultores locais a forma de plantar esta colheita. Ramesh afirmou que os resultados ainda não eram os melhores mas as colheitas tinham aumentado de 300 quilos por hectare no início há seis anos para os actuais 600 quilos por hectare. Para colocar isto em perspectiva, os subcontratados mais experientes no Zimbabwe colhem habitualmente 1.200 quilos de algodão em caroço por hectare.

"Têm de compreender que estamos a trabalhar sem infra-estruturas, sem telefones, e sem bancos - portanto tudo se baseia em transações monetárias: é um desafio," disse Ramesh.

Mas está confiante que, até 2015, 100.000 hectares terão começado a produzir, com 120.000 agricultores a produzirem entre 60.000 a 70.000 toneladas de algodão em caroço por ano, valendo cerca de 40 milhões de dólares depois do processamento.

"O maior risco com os pequenos agricultores é quando se concede crédito, visto que não se pode recorrer a meios legais se algo correr mal...e muitas vezes as coisas correm mal, mas com o tempo desenvolve-se uma dependência mútua entre as duas partes," afirmou Ramesh.

O Director Exceutivo da Agrica, Carter Coleman, dirige uma companhia muito diferente - numa escala muito diferente - na Tanzânia, mas concorda quanto à questão do risco. "A agricultura é uma actividade de capital intensivo e de elevado risco e oferece retornos a longo prazo. Muitos investidores ouvem essa explicação e saem porta fora."

Mas Coleman não tem essa atitude. A Agrica foi fundada em 2005 com o intuito de criar um padrão para a agricultura comercial sustentável na África Oriental. O seu único projecto até agora é o arrozal de Kilombero na Tanzânia, com 5.800 hectares, estabelecido no local, há muito abandonado, de um projecto agrícola conjunto da Tanzânia e da Coreia do Norte.

A Kilombero Plantations Limited ou KPL é uma instituição muito moderna que pratica o plantio directo, a fertilização com meios aéreos, pivôs centrais de irrigação e um moinho alimentado por uma pequena central hidroeléctrica, seguindo a filosofia do seu proprietário, a Agrica. [LINK: http://is.gd/Tll2n8]

Mas também está a trabalhar no sentido de ajudar 5.000 dos seus vizinhos - que são pequenos agricultores - a mudarem de uma agricultura de subsistência para uma produção com excedentes até 2016.

Há dois anos, a KPL recrutou um especialista da Índia para formar um pequeno grupo de vizinhos e pequenos agricultores no Vale de Kilombero, sobre o Sistema dos Pequenos Agricultores para a Cultura Intensificada do Arroz.

As técnicas utilizadas, desenvolvidas há muitos anos por um padre jesuíta de Madagáscar, envolvem a plantação sistemática de sementes que são cuidadosamente escolhidas num grelha de 25 x 25 centímetros, permitindo aos agricultores triplicar as colheitas e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade de sementes usadas, bem como o tempo necessário para plantar e limpar os campos de ervas daninhas.

Quinze agricultores receberam formação, tendo cada um experimentado os novos métodos durante uma estação e num local de 30 x 30 metros. A experiência teve um excelente resultado e no ano seguinte foram formadas mais 365 famílias - tendo os membros de cada grupo inicial expandido a área plantada para cerca de meio hectare.

O aumento de volume do arroz causou um engarrafamento na altura das colheitas - simplesmente não havia vizinhos em número suficiente para contratar durante as colheitas.

"Organizámos duas mini ceifeiras-debulhadoras do Vietname para ajudar o nosso trabalho. Cada uma pode cultivar um acre num período de três horas, o que demoraria três dias se fosse feito à mão," disse Coleman. "E isto é 20 vezes mais barato para os agricultores. Agora queremos mais."

Os subcontratados estão satisfeitos, mas a KLP é neste momento vítima do sucesso dos subcontratados. A companhia compra o arroz não processado ao preço de mercado, mas embora o preço do arroz em casca tenha duplicado desde o ano passado para 466 dólares por tonelada, o preço actual do arroz branqueado vendido pela KPL aumentou só 40 por cento, não deixando à companhia qualquer margem em relação àquilo que eventualmente entrega em Dar es Salaam, a capital da Tanzânia.

Coleman explicou também as diversas formas como as infra-estruturas deficientes causam danos à companhia. Transportar combustível na altura das chuvas na estrada não asfaltada que liga o Vale de Kilombero ao mundo exterior constitui um pesadelo.

"Não podemos trazer um camião-cisterna. Temos de transferir o combustível para barris e colocá-los numa carroça presa a um tractor. Depois temos de arranjar outro tractor para tirar o primeiro da lama quando fica preso. É como uma cena da Primeira Guerra Mundial.

A uma dada altura da época das chuvas no ano passado a estrada ficou completamente intransitável, levando milhares de habitantes do vale a ficarem isolados do mundo exterior durante dois meses.

Tanto a KPL como os subcontratados podiam receber mais apoio para a investigação agrícola - por exemplo, para proteger contra as pestes.

Os subcontratados também podem estar sujeitos a uma taxa punitiva de cinco por cento sobre o seu volume de negócio imposta pela autoridade distrital, apesar dos agricultores não receberem nada tangível em retorno. A taxa pode anular os lucros de um ano inteiro.

"Toda a gente fala de empenho por parte do governo mas o empenho ao mais alto nível não passa pela burocracia inerte para produzir aquilo que foi prometido," afirmou Coleman.

Dirigindo-se a uma sessão plenária a 27 de Setembro, Nwanze disse que, apesar do crescente investimento e atenção, via a situação do sector agrícola em África como um copo meio vazio.

"Onde estão as estradas, o abastecimento de água e electricidade, as instalações de armazenagem em África para reduzirmos os prejuízos pós-colheita? Onde está a boa governação para gerir níveis de financiamento mais elevados?" perguntou.

"A ideia que o copo está meio cheio conduz à complacência e às vezes à paralisia mental. Portanto não vos digo o que fizemos ou estamos a fazer bem. Desafio-vos a fazerem melhor." (FIN/2012)

 
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