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uta Para Reconstruir o Sistema de Saúde da Costa do Marfim
Kristin Palitza

Abidjan, 05 de dezembro, (IPS) - Angama Ouattara, de um ano de idade, está deitada numa cama enferrujada de hospital, com soro ligado ao seu pequeno pé esquerdo. A mãe, Minata, está sentada na beira da cama, alisando os lençóis que teve de trazer de casa

Há seis dias, Angama foi internada na unidade de pediatria do Hospital Geral de Abobo em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim. A menina padece de um grave caso de meningite, uma inflamação perigosa das membranas do cérebro e da coluna vertebral. Está demasiado fraca para se sentar ou até levantar a cabeça. Um novo regulamento nacional de saúde, que entrou em vigor no dia 1 de Março, oferece serviços de saúde gratuitos a mulheres grávidas, crianças com menos de cinco anos e pessoas com malária, o que ajudou a salvar a vida de Angama. "Só ganho o suficiente para pôr comida na mesa para mim e para os meus dois filhos. Não tenho dinheiro suficiente para pagar as despesas de hospitalização," afirmou a mãe, de 27 anos, que trabalha como vendedora de peixe num mercado em Abobo, o maior bairro de lata de Abidjan. Ela não teria trazido a sua filha ao hospital se o internamento não fosse gratuito. Dez meses depois deste país da África Ocidental ter emergido de uma crise presidencial eleitoral, durante a qual quase todos os hospitais e clínicas foram obrigados a encerrar durante pelo menos seis meses devido ao facto de terem sido vandalizados, pilhados e ocupados, o novo governo chefiado pelo Presidente Alassane Ouattara está a tentar fazer da saúde pública uma prioridade. Ouattara chegou ao poder em Maio de 2011, seis meses depois das eleições presidenciais, que foram seguidas por uma luta violenta pelo poder entre ele e o seu antecessor, Laurent Gbagbo, durante a qual foram mortas 3.000 pessoas e pelo menos meio milhão de pessoas ficaram deslocadas, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Uma das primeiras acções do presidente foi assegurar a reabertura dos hospitais com a implementação de um plano de cuidados de saúde de emergência, chamado Gratuité, que oferece cuidados de saúde gratuitos a todos os cidadãos durante nove meses. Esta política foi agora substituída com um regulamento permanente orientado apenas para mães, crianças pequenas e doentes com malária.

Mas num país a recuperar de 12 anos de instabilidade política desde o golpe militar de Dezembro de 1999, seguido por dez anos de governação autocrática de Gbagbo, a reconstrução do sistema de cuidados de saúde pública em declínio demora tempo. Há anos que os hospitais sofrem com a falta de pessoal especializado, equipamento básico e tecnologia.

A crise pós-eleitoral do ano passado veio piorar a prestação de cuidados de saúde, visto que as forças armadas e os cidadãos roubaram tudo o que podiam transportar: medicamentos, equipamento de laboratório, computadores, camas e colchões. Até as ambulâncias foram roubadas, contou o Dr. Mamadou Keita, director do departamento nacional de saúde no distrito de Abobo. Actualmente, este bairro de lata que alberga perto de um milhão de pessoas só tem uma ambulâcia. "Ainda não conseguimos repor todo o equipamento porque tivemos de reconstruir do zero. É um processo que vai demorar tempo porque é muito caro," explicou. "Neste momento, só podemos oferecer serviços mínimos. Ainda não temos equipamento de laboratório e faltam-nos coisas básicas como agulhas e termómetros. Muitas vezes os medicamentos acabam." A pequena Angama é um bom exemplo. Apesar do hospital não cobrar pelos serviços médicos e pela cama, a mãe teve de comprar líquidos intravenosos e medicamentos numa farmácia perto - devido ao facto de os stocks do hospital estarem esgotados. Isto custa-lhe 20 doláres por dia, enquanto que o seu rendimento médio diário é cerca de quatro doláres. "A minha filha já está aqui há seis dias. Tive de pedir dinheiro emprestado de vários membros da família. E enquanto Angama estiver no hospital, eu não trabalho e, portanto, não tenho nenhum rendimento. Vai levar muito tempo para de eu pagar esta dívida," suspirou Ouattara. A necessidade que a população tem de bons serviços de saúde é maior do que nunca. Durante a crise pós-eleitoral entre Novembro de 2010 e Maio de 2011, muitos costa-marfinenses ficaram feridos durante os confrontos, milhares de deslocados ficaram sem acesso a água potável e saneamento e ficaram expostos à malária. Em 2011, só o Hospital Geral de Abobo recebeu quatro milhões de crianças, quase o dobro do ano anterior, afirmou a Drª. Tenedia Soro-Coulibaly, pediatra do hospital. "Cerca de 90 por cento destas crianças tinha malária. Foi espantoso," disse Soro-Coulibaly, mesmo para um país como a Costa do Marfim, onde a malária é a primeira causa da mortalidade infantil, e metade de todas as mortes infantis é causada por esta doença, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Agravando a situação, os mercados e os bancos tiveram de encerrar quando o país mergulhou na crise, o que significa que as pessoas não tinham acesso a dinheiro nem a alimentos. Em resultado, aumentou a subnutrição, especialmente de crianças, as mais vulneráveis. "Também assistimos a um aumento dos casos de cólera, meningite e sarampo, assim como diarreias e infecções respiratórias," acrescentou Keita. A combinação de pilhagens e do aumento de doenças redobrou os encargos de um sistema de saúde já em dificuldades que levará muitos mais meses a reparar. "Muitas vezes não temos o equipamento urgente necessário para salvar a vida dos pacientes," lamentou Soro-Coulibaly. As garrafas de oxigénio na unidade de pediatria estão vazias e os geradores avariados impedem os médicos de fazerem o seu trabalho durante os frequentes cortes de electricidade. O impacto da violência pós-eleitoral na saúde das crianças foi tão severa que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está preocupado que a situação tenha consequências negativas duradouras para as crianças na Costa do Marfim - especialmente se o governo não conseguir gerir a reconstrução rápida do sistema de saúde em todo o país. Embora a prestação dos serviços de saúde em Abidjan, o coração económico do país, esteja a melhorar lentamente mas em segurança, o acesso a estes serviços continua a ser extremamente limitado nas regiões ocidentais e centrais da Costa do Marfim, que até agora continuam a sofrer violência esporádica. "Pedimos ao governo orçamentos maiores mas também apelamos que descentralize o sistema. Actualmente, a maioria dos fundos é atribuída a três hospitais em Abidjan, enquanto que a prestação de serviços de saúde nas áreas rurais ainda é muito reduzida," disse Christina de Bruin, a vice-representante da UNICEF na Costa do Marfim. "Os próximos meses vão ser um período crítico com respeito ao impacto da crise no futuro e no bem-estar das crianças a longo prazo," acrescentou de Bruin. "O rápido retorno à prestação de serviços de saúde e de outros serviços sociais constitui um importante passo para a estabilização do país." (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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