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Ressurgimento da poliomielite na Nigéria
Toluwa Olusegun

Lagos, Nigéria, 05 de dezembro, (IPS) - Sunday Oderinde, de doze anos, está sentado à beira da estrada com as pernas dobradas debaixo do corpo, vendo os amigos a jogar futebol nas ruas de Iwaya, um bairro de Lagos, na Nigéria.

Gostaria de participar no jogo mas não pode. Oderinde contraiu poliomielite quando criança. Apesar de 90 por cento das infecções de poliomielite não causarem sintomas nenhuns, as pernas de Oderinde ficaram paralisadas. Agora só consegue andar com a ajuda de muletas que pousa ao seu lado quando observa o jogo num campo de futebol improvisado

"Costumo vê-los a jogar mas não posso jogar devido à minha condição. Já vi na televisão algumas pessoas como eu com patins a jogar à bola com as mãos. Gostaria de jogar como elas se tivesse essa oportunidade," disse Oderinbe à IPS. Quando Oderinde era bebé a mãe, Aminat Jimoh, levou-o à clínica local para as suas imunizações e vacinas. Entre as que recebeu estava a vacina oral contra a poliomielite, que é administrada às crianças com menos de cinco anos. Segundo a Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite, embora a vacina oral contra a poliomielite seja altamente eficaz contra os três tipos do vírus selvagem da poliomielite, uma dose da vacina apenas produz imunidade em 50 por cento dos indivíduos vacinados. "Três doses produzem imunidade em mais de 95 por cento de indivíduos vacinados. A imunidade dura muito tempo, provavelmente a vida inteira." Na Nigéria, são administradas cinco doses da vacina. Como muitas outras mães nesta nação da África Ocidental, Jimoh, comerciante informal, não continuou a levar o filho à clínica para cumprir o calendário completo das doses de vacina oral contra a poliomielite. Ela disse à IPS que na altura estava tão ocupada a sustentar a família que não pensou que fosse importante. "Tenho de tomar conta da minha família e a minha actividade ocupa a maior parte do meu tempo. Não me lembrei de o levar a todas as doses de imunização. Foi esse o meu erro. "Vimos que algo estava errado quando ele fez dois anos, já que Sunday não conseguia andar... quando finalmente o levámos ao hospital já era demasiado tarde," contou a mãe. Atitudes como esta estão entre as razões pelas quais a Nigéria continua a ser um dos três países, incluindo o Paquistão e o Afeganistão, que ainda lutam contra o vírus selvagem da poliomielite. Tommi Laulajainen, responsável pelas comunicações referentes à poliomielite junto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Nigéria, disse à IPS que os principais estados onde a infecção persiste, como Borno, Kano, Sokoto e Yobe, no norte do país, uma em cada três crianças recebia menos de quatro das cinco doses impostas pelo calendário da vacina oral contra a poliomielite. Acrescentou ainda que o número de vezes que os funcionários de saúde visitavam os agregados familiares durante o período de vacinação nacional tinha diminuido, resultando numa redução do número de crianças que recebiam a vacina contra o vírus selvagem da poliomielite. "Durante as campanhas de imunização perde-se o rasto às crianças devido a uma mistura de factores operacionais e sociais. A baixa cobertura da vacinação de rotina é um dos factores que mais contribuem para a situação da Nigéria," explicou. Laulajainen disse que, desde Maio de 2012, a Nigéria tinha registado 32 casos de vírus selvagem da poliomielite em 10 estados, representando um aumento dos 16 casos que tinham ocorrido em seis estados durante o mesmo período em 2011. "A Nigéria continua a ser o único país em África onde a poliomielite é endémica. Este ano o país registou 90 por cento dos casos de poliomielite em África, e mais de 50 por cento dos casos registados em todo o mundo tiveram lugar na Nigéria," disse. Além disso, os estados que estavam livres de poliomielite, como Kaduna na região centro-setentrional da Nigéria e o país vizinho do Níger, voltaram a registar re-infecções em 2012. A Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite afirma que o Níger vai continuar a sofrer o risco de re-infecções até que a Nigéria interrompa a transmissão do vírus selvagem da poliomielite. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a incapacidade da Nigéria de acabar com a poliomielite permite a expansão do vírus para países vizinhos, que anteriormente tinham sido declarados como estando livres da poliomielite. "Enquanto houver uma única criança infectada, as crianças em todos os países continuam a correr o risco de contrair a poliomielite. O sucesso da erradicação da poliomielite em África depende da Nigéria conseguir travar o vírus," afirmou a OMS. Contudo, os analistas atribuem o aumento do número de casos de poliomielite a uma série de outros problemas, incluíndo corrupção. O Dr. Olarenwaju Ekunjimi, presidente da Associação de Médicos Residentes do Hospital Universitário de Lagos, referiu que a corrupção tem dificultado a capacidade da Nigéria de travar a transmissão do vírus. "A corrupção no sistema não irá permitir uma Nigéria livre de poliomielite até 2015. Ficaria surpreendido se esse objectivo fosse atingido com o nível de corrupção que existe no país." "Toda a gente quer ganhar dinheiro com o sistema, desde que os doadores continuem a injectar dinheiro no programa. Se o governo conseguir a erradicação total da poliomielite, os fundos irão desaparecer e as pessoas que deles beneficiam ficam a perder," acusou Ekunjimi. O Presidente Goodluck Jonathan inaugurou uma Força Operacional Presidencial para a Erradicação da Poliomielite no dia 1 de Março e deu a este comité 24 meses para acabar com o vírus na Nigéria. Anunciou também o aumento do financiamento para a campanha, que aumentou de 22 milhões de dólares no ano passado para 30 milhões de dólares em 2012. A UNICEF contribuiu 15.14 milhões de dólares para a erradicação de poliomielite em 2011. O governo federal e dos diversos estados na Nigéria também anunciou medidas para conter o vírus e garantir a existência de uma nação livre de poliomielite até ao ano 2015. No entanto, Ekunjimi sugeriu que, em vez do governo aumentar os fundos para a erradicação da poliomielite, deveria criar centros de saúde primários em todo o país para que os bebés possam sejam vacinados contra as doenças mortais infantis enquanto são pequenos. "Apanhem-nos nos centros durante a infância e depois continuem a imunizar as crianças que ficaram excluídas através de exercícios de imunização de rotina, que tenham lugar mensal ou trimestralmente. Dessa forma a poliomielite poderá ser completamente erradicada na Nigéria," observou Ekunjimi O Professor Oyewole Tomori, virólogo e antigo vice-reitor da Universidade de Ibadan, no sudoeste da Nigéria, culpa os líderes em todos os níveis de governo pela contínua presença da poliomielite no país, asseverando que ela podia ser erradicada em três anos se os líderes do país tivessem a atitude certa. Tomori disse aos participantes na 43ª Assembleia Geral Anual e Conferência Científica da Associação dos Pediatras da Nigéria, que teve lugar a meio de Fevereiro, que a falta de planeamento e de implementação adequadas eram a desgraça das políticas governamentais na Nigéria. Os líderes religiosos também são responsáveis pela contínua presença do vírus. Em 2003, no estado de Kano, no norte do país, um líder muçulmano opôs-se ao programa de imunização contra a poliomielite, alegando que o programa fazia parte de uma conspiração ocidental para tornar as pessoas inférteis. Apesar de mais tarde ter deixado de se opor ao programa, o mal estava feito. De acordo com os relatórios provenientes da região, a maioria dos prestadores de cuidados muçulmanos não deixa que os seus filhos recebam a vacina oral contra a poliomielite. Entretanto, a UNICEF enviou um grupo de voluntários comunitários para mobilizar as pessoas a fazer face a este problema. (FIN/2012)

 
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