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Guerra civil nubla o horizonte do Egito
Mel Frykberg

Cairo, Egito, 17/12/2012, (IPS) - O Egito enfrenta sua pior crise política desde que a revolução de janeiro de 2011 derrubou o ditador Hosni Mubarak.

E já há vozes alertando para o perigo de uma guerra civil. Ao contrário do ocorrido na rebelião contra o regime de Mubarak (1981-2011), a oposição atual ao governo está duramente dividida entre setores islâmicos e seculares.

A incapacidade da governante Irmandade Muçulmana e de seus aliados islâmicos para encontrar pontos de acordo com os críticos do presidente Mohammad Morsi se agrava pelas profundas divisões que mostra o campo opositor na formulação de uma estratégia. Outro fator importante é a incerteza sobre o papel que terão as forças armadas nos próximos acontecimentos políticos.

"O Egito está diante de uma prolongada batalha política. A situação é insustentável. Parece que nos dirigimos para uma guerra civil. O curinga da situação é o exército, e não se sabe de que lado ficará", disse à IPS o analista de política nacional e internacional Gamal Nkrumah, editor do jornal Al-Ahram Weekly.

Semanas de protestos violentos, que eclodiram com o decreto de 22 de novembro, no qual Morsi atribui a si mesmo amplos poderes sem fiscalização do Poder Judicial, obrigaram o mandatário a voltar atrás e revogá-lo. Contudo, um novo decreto assegurará a vigência dos amplos poderes presidenciais com a mínima supervisão judicial.

E a decisão de Morsi de acelerar o referendo para aprovar um texto constitucional de cunho islâmico, realizado no dia 15, enfureceu ainda mais a oposição, pois o processo incluiu pouquíssimas consultas às minorias religiosas, como os cristãos coptos, as mulheres e os partidos liberais."Quatro dos conselheiros não islâmicos de Morsi renunciaram após fracassarem em sua tentativa de convencê-lo a ser mais amplo no processo constitucional. Chegaram a suspender suas renúncias por uma semana. Mas quando o presidente não deu sinais de se retratar, partiram", contou Nkrumah.

Os sangrentos confrontos de rua entre seguidores da Irmandade e ativistas rebeldes causaram pelo menos sete mortos, enquanto há centenas de feridos e detidos. Apesar do uso de tanques e soldados, a sede da Presidência foi cercada por manifestantes no primeiro final de semana do mês. E outras seis pessoas morreram na semana anterior. Nessas noites de agressões e escaramuças, jornalistas e pessoal da saúde foram alvos de ataques. Um médico morreu e um repórter ficou com sequelas por um dano cerebral grave.

Questionou-se o papel do exército, pois houve informações sobre soldados combatendo lado a lado com ativistas da Irmandade, enquanto outros uniformizados expressavam simpatia e incentivavam os revolucionários. No momento, as forças armadas se mantêm oficialmente à margem. Mas, no dia 8, divulgaram um comunicado advertindo que entrariam em ação se os setores em confronto não conseguissem resolver suas diferenças mediante o diálogo. "Qualquer outra coisa que não seja o diálogo nos levará a um escuro túnel com desastrosas consequências. A nação inteira pagará, mas não vamos permitir isso", dizia o texto.

"A grande pergunta é de que lado vai cair o dado militar", pontuou Nkrumah, filho do ex-presidente de Gana, Kwame Nkrumah, e de uma egípcia copta. "A oficialidade de alta patente sempre ficou ao lado de Mubarak. Mas não se sabe onde está a lealdade de outros oficiais médios e o quanto suas fileiras estão infiltradas pela Irmandade. É provável que muitos soldados pobres e de baixa instrução sejam seus simpatizantes", acrescentou o analista.

Outro elemento da equação é o influente Judiciário e para onde inclinará seu peso. Os sinais até agora mostram hostilidade ao governo de Morsi. "Também a tradição mostrava um Poder Judiciário com muitos seguidores de Mubarak. Mas, tal como os militares, as duas instituições estão infiltradas pela Irmandade, e as duas partes em conflito têm seus simpatizantes", detalhou Nkrumah.

O que parece claro é que nem a Irmandade nem seus oponentes estão preparados para negociar. "A Irmandade está consolidando seu poder no terreno com os salafistas (seguidores de um movimento islâmico sunita que defende a volta às origens do Islã). Eles acreditam que Deus está ao seu lado e lutam por sua sobrevivência e por uma ampla implantação da shariá" (lei islâmica), explicou o analista.

Os partidos laicos, ao contrário dos islâmicos, contam com um apoio eleitoral menor, não têm uma mensagem atraente para o povo, e carecem de estruturas para chegar a toda a sociedade. "Sempre foram débeis e estiveram divididos. É preciso ver se são capazes de deixar de lado suas diferenças, construir unidade e traçar um caminho para adiante", observou Nkrumah.

"O beco sem saída é a consequência inevitável de uma luta de poder entre duas forças políticas que não têm incentivos para competir na mesma arena e com base em regras de jogo aceitas", opinou Marina Ottaway, pesquisadora associada do Carnegie Endowment for International Peace, um centro de estudos norte-americano.

"Uma parte da Irmandade luta por meio do voto e a outra (a elite pró-Mubarak) na área judicial, e ambas apelam para a rua, atropelando o processo político formal", apontou Ottaway em um artigo escrito no final de novembro. "O confronto adquire cada vez mais o caráter de uma tragédia grega, com o Egito rumo ao autoritarismo sem importar qual setor vença. A única pergunta é se a tirania será da maioria islâmica ou da minoria secular", acrescentou.

"De uma forma ou outra, as perspectivas de um desenlace democrático são poucas, quase inexistentes no curto prazo e questionáveis no médio, enquanto o futuro se vê muito distante para previsões frustradas", afirmou Ottaway. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
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