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"As mulheres iraquianas buscam sua Primavera Árabe"
Karlos Zurutuza

Bagdá, Iraque, 16/1/2013, (IPS) - A ativista Hanaa Edwar trabalha sem parar para que sejam recuperadas as liberdades das mulheres do Iraque, onde o poder político e a ortodoxia religiosa se juntam para isolá-las uma década depois da invasão da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos.


Crédito: Karlos Zurutuza/IPS
A líder iraquiana Hanaa Edwar durante a entrevista.
Edwar, líder da Rede de Mulheres Iraquianas e secretária-geral da Al Amal, uma organização não governamental de defesa dos direitos femininos neste país, disse à IPS que as mulheres precisam de sua própria Primavera Árabe, para saírem desse grave retrocesso, que fica explícito na entrega de meninas em casamento ou na quase impossível sobrevivência das viúvas da guerra.

Também recordou que neste país as mulheres alcançaram a plena alfabetização na década de 1970, enquanto agora 40% delas são analfabetas. Afirmou, ainda, que o Iraque foi o primeiro país a contar, em 1959, com uma ministra e uma juíza.

IPS: Que trabalho realiza sua organização para proteger os direitos das iraquianas?

HANAA EDWAR: A Al Amal administra a Rede de Mulheres Iraquianas, que promove a aproximação entre as organizações de mulheres locais e entidades internacionais, bem como a participação delas nas diversas atividades sociais e cursos de formação. Um de nossos maiores êxitos foi conseguir a cota de 25% reservada para deputadas. Agora trabalhamos em uma nova campanha, no contexto da Primavera Árabe, para proteger as liberdades pessoais.

IPS: Quais são os problemas agora mais graves agora para as mulheres?

HE: Representamos mais de 55% da população iraquiana, mas vivemos submetidas em uma sociedade traçada exclusivamente pelos padrões masculinos. Não há mulheres liderando blocos políticos ou em altos cargos no governo. Em todo caso, a marginalização das iraquianas se deve mais a razões culturais do que políticas. Um tema especialmente doloroso é o do milhão de meio de viúvas causadas pela guerra iniciada em 2003. O Iraque já estava cheio delas antes, mas seu número aumentou depois da invasão militar. Vivem na mais absoluta precariedade, com pensão equivalente a US$ 100, que permite que apenas sobrevivam. Sua integração na sociedade deveria ser uma prioridade, mas são incentivadas somente a se casarem de novo em um país que permite a poligamia. Inclusive aquelas com formação, com títulos universitários, têm as portas fechadas para o emprego. Neste cenário, é quase impossível romper a dependência de seu pai e, depois, de seu marido.

IPS: O Iraque não foi pioneiro na região quanto aos direitos das mulheres?

HE: Em 1959, o país tinha a primeira ministra e a primeira juíza do Oriente Médio. Um de nossos maiores êxitos naquele ano foi a lei do status pessoal, que obrigava ao registro legal dos casamentos. Em 2013, grande número de contratos matrimoniais são ilegais, por isso a mulher fica em uma situação muito frágil e isto significa problemas legais para seus filhos. Na verdade, hoje, muitas meninas são obrigadas a casar aos dez ou 12 anos com homens que, frequentemente, têm o triplo da idade. Inclusive acontecem casamentos "temporários", algo que, evidentemente, foi importado do Irã. Também há preocupantes e crescentes casos de violência intrafamiliar, diante da total indiferença do governo que, por sua vez, apoia a ortodoxia religiosa, que impõe rígidos códigos de vestimenta. As mulheres que não usam o hijab (véu islâmico) são alvo de discriminação, e, o que é pior, as meninas são tiradas das escolas e as mães de seus postos de trabalho.

IPS: É útil a cota legislativa para as mulheres?

HE: Formalmente, há 84 mulheres no parlamento, graças à cota representativa de 25%. Mas a maioria delas ocupa suas cadeiras por afinidade pessoal com os líderes dos partidos políticos e não por méritos próprios. Apesar das dificuldades, ainda há um grande número de mulheres capazes de ocupar estes cargos com responsabilidade, mas a maioria destas é relegada a segundo plano.

IPS: O Iraque conta com um ministério da mulher. Isto ajuda em seus direitos?

HE: Chama-se Ministério de Estado para a Mulher, e existe um projeto de lei para mudá-lo para Ministério de Estado para a Mulher e a Família, o que é eloquente sobre o papel reservado às iraquianas na sociedade atual. Seja como for, estamos contra qualquer tipo de ministério para as mulheres porque pensamos que não se trata de algo que deva estar vinculado a um ministério em particular, mas à sociedade em seu conjunto. Além de contar com um orçamento muito baixo, um ministério da mulher sempre estará vinculado a um partido político. O que precisamos é de uma comissão mais independente, que faça o acompanhamento das políticas governamentais e impulsione programas que ajudem a melhorar a vida das mulheres.

IPS: Diversas organizações denunciam o dramático aumento do número de suicídios entre as iraquianas. Fala-se, inclusive, de casos de mutilação genital feminina...

HE: Esses supostos "suicídios" frequentemente ocultam assassinatos dentro da família por questão de "honra". São cometidos com total impunidade, já que são vistos como "questões domésticas" pelo aparelho judicial. Os casos de mutilação feminina são mais isolados e limitados a zonas remotas, na região autônoma curda. Cerca de 70% das mulheres dessas áreas a sofreram, mas quase nenhuma outra no restante do país.

IPS: Como a divisão sectária afeta a mulher e a sociedade em seu conjunto?

HE: Trata-se de um ódio sectário fabricado, que começou em 2006 e que foi impulsionado a partir dos mais altos níveis, para dividir e governar por meio da violência e do medo. A falta de diálogo entre os principais partidos políticos e o papel cada vez maior da religião asfixiam nossa sociedade. Por exemplo, muitas famílias não permitem que suas filhas se casem com alguém de outra seita, e isto é algo novo no Iraque.

IPS: Em março completará dez anos do início da invasão do país. Há alguma melhora social desde 2003?

HE: É certo que depois da invasão conseguimos romper nosso isolamento internacional e o tabu sobre a liberdade de pensamento. Até 2003, simplesmente não se podia falar de pluralismo político, nem de organizações civis ativas ou de qualquer outro tipo de contato com o mundo exterior. Contudo, após a invasão e posterior destruição do país, nossas fronteiras se abriram para os grupos terroristas que se somaram às milícias locais, tanto xiitas quanto sunitas. Dez anos depois, vivemos em meio a um caos onde a instabilidade e a falta de segurança são as únicas constantes. Hoje enfrentamos uma crise política intensa. Passamos de uma ditadura de mais de três décadas para um Estado que carece de um governo efetivo. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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