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Um rio que corre sem água na Tanzânia
Orton Kiishweko

Dar es Salaam, 23 de janeiro de 2013, (IPS) - Avelina Elias Mkenda, agricultora de pequena escala de 52 anos do distrito de Mbarali, na região de Mbeya, no sudoeste da Tanzânia, pressente uma mudança no meio ambiente.

Residente na bacia do Rio Grande Ruaha, nunca teve problemas para regar as suas colheitas e dar de beber aos seus animais

Mas nos últimos anos o rio tem trazido um volume cada vez menor do seu precioso recurso; a relva que outrora era abundante agora escasseia, deixando o gado com fome, enquanto que a produção de café, a principal colheita da região, caiu drasticamente. Designado de "espinha dorsal ecológica" da Tanzânia, o Rio Grande Ruaha nasce nas montanhas Kipengere e apresenta uma extensão de cerca de 84.000 quilómetros, atravessando as zonas húmidas do Vale do Usangu e o Parque Nacional de Ruaha até desembocar finalmente no Rio Rufiji. A área da sua bacia hidrográfica irriga uma grande extensão do campo tanzaniano. Mais de um milhão de pequenos agricultores produz uma importante porção dos alimentos locais no fértil solo da bacia de Ruaha, que também fornece 70 por cento da energia hidroeléctrica da Tanzânia, de acordo com fontes governamentais. Os funcionários do Gabinete da Bacia Hidrográfica de Rufiji (RWBO), que gere a bacia de Ruaha, juntamente com quadros académicos da prestigiosa Universidade de Agricultura de Sokoine da Tanzânia (SUA), avisam agora que o rio está sob "pressão alarmante". "O rio agora fica seco durante longos períodos, que chegam a atingir três meses (de cada vez), comparado com o curto período de três semanas que se verificava anteriormente," explicou à IPS Damian Gabagambi, economista agrícola da Universidade de Agricultura de Sokoine. Ele acredita que a crise se deve, em larga medida, ao facto de um crescente número de agricultores desviar água do rio para irrigação. "Antes de 1993 o rio nunca estava seco," disse à IPS Andrew Temu, professor da Universidade de Agricultura de Sokoine, acrescentando que o período de seca de três meses começou em 1999. Durante este período, a população que vivia na zona da bacia hidrográfrica aumentou de três para seis milhões de pessoas. "Com o aumento populacional, há uma correspondente procura de mais água," apontou Temu. O aumento das pastagens e a desflorestação também contribuíram para a crise iminente. Além disso, a ausência de infra-estruturas de irrigação adequadas significa que uma grande parte da água é desperdiçada, acrescentou Gabagambi, O Funcionário Responsável pelo Desenvolvimento Comunitário da RWBO, David Muginya, disse à IPS que os projectos agrícolas empreendidos por grandes e pequenos agricultores não respeitavam a Lei de Gestão dos Recursos Hídricos de 2009, que obriga todos os consumidores a instalarem as infra-estruturas adequadas para evitar o desperdício de água.

Um relatório efectuado pela Universidade de Dar es Salaam em 2012 publicado em Julho do ano passado, 'Vulnerabilidade dos Meios de Vida das Populações à Disponibilidade dos Recursos Hídricos em Áreas Semi-áridas da Tanzânia', revelou que o desperdício de água tinha tornado um milhão de pessoas dependentes dos recursos hídricos a jusante do Rio Grande Ruaha extremamente vulneráveis a uma grave escassez de água. Todos os indícios apontam para que a actual gestão dos recursos naturais não seja sustentável e poderá resultar em danos irreparáveis para o meio ambiente. "A situação está a colocar em perigo a vida de milhões de pessoas que vivem no sul e no centro da Tanzânia, que correm o perigo de ficarem mais pobres se se deixar o meio ambiente neste estado de degradação," avisou Gabagambi. Os especialistas acreditam que o impacto na agricultura e na produção alimentar se alargará muito para além da vizinhança imediata da bacia hidrográfica, afectando uma grande proporção das 46 milhões de pessoas da Tanzânia. Entretanto, os funcionários da RWBO estão preocupados com o futuro fornecimento de energia hidroeléctrica.

De quem é a culpa?

Oa grandes agricultores na região, que dizem ter planos para construir infra-estruturas de irrigação adequadas, acusam os pequenos agricultores de ter acesso ilegal aos canais de água devendo, por isso, pagar a água que utilizam. O Director-Geral da Companhia Açucareira de Kilombero Limitada, Don Carter, explicou à IPS que os pequenos agricultores "exercem pressão sobre os recursos hídricos porque estão todos envolvidos na agricultura e retiram água ilegalmente sem pagar por esses direitos". Mas os pequenos agricultores como Mkenda, no distrito de Mbarali, afirmam não ter outra opção. As alterações climáticas, um sol mais forte e agora a escassez da água do rio têm tido um impacto negativo na sua colheita de café, resultando em rendimentos ainda mais baixos. "Não temos dinheiro para construir (as infra-estruturas de irrigação)," lamentou Mkenda. Ironicamente, os pequenos agricultores serão os mais afectados pela escassez de água à medida que lutam para sobreviver ao lado de um rio que está a morrer. Outros peritos como Bariki Kaale, especialista de energia e meio ambiente junto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), atribuem o problema à"destruição das fontes de recursos hídricos pelo homem". Kaale diz que a bacia de Ruaha costumava ter água abundante até à altura em que todas as árvores foram abatidas. Esta opinião é corroborada pelas conclusões de um relatório apresentado ao Fundo Mundial para a Natureza (WWF)-Tanzânia sobre as causas da perda de biodiversidade na bacia hidrográfica de Ruaha: "Os habitantes locais (do) Distrito de Makete acreditam que as plantações de árvores (especialmente as diversas espécies de ciprestres e eucaliptos) estão associadas à degradação ambiental que se faz sentir nesta área. "Devido ao excessivo abate de árvores para obtenção de madeira, algumas das áreas foram desmatadas e ficaram expostas aos agentes de erosão. O abate de árvores para obtenção de madeira e troncos também tem contribuído para a desflorestação generalizada da zona, levando à erosão do solo e ao assoreamento dos rios," acrescentou o relatório. "Agora não temos água para a energia hidroeléctrica (e) não vamos ter água para beber no futuro mais próximo," avisou este especialista das Nações Unidas. (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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