África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Abandonar as armas nucleares
Ensinamentos da África do Sul
Análise de John Fraser

Joanesburgo, 29 de janeiro, (IPS) - Não se podem dizer muitas coisas boas do sistema do apartheid que vigorou na África do Sul.

Foi racista e violento na opressão brutal de muitos dos seus cidadãos e era desprezado em todo o mundo. Contudo, nos últimos dias do apartheid, as autoridades sul-africanas tomaram uma medida que teve implicações importantes para o país e para o continente africano: desmantelaram o seu programa de armas nucleares

"A primeira fase envolveu o desmantelamento dos seis engenhos nucleares que tinham sido completamente montados (e um parcialmente montado)," explicou Greg Mills, que dirige a Fundação Brenthurst, uma instituição de investigação que presta assessoria a governos africanos. "A decisão sobre esta matéria foi tomada pelo então Presidente F.W. de Klerk em Fevereiro de 1990, pouco depois da libertação de Nelson Mandela da prisão e do fim da proibição do Congresso Nacional Africano, do Congresso Pan-Africano e do Partido Comunista Sul Africano." A África do Sul aderiu ao Tratado de Não Proliferação (NPT) a 10 de Julho de 1991. Sete semanas mais tarde, no dia 16 de Setembro, o país assinou um Acordo de Salvaguardas Generalizadas com a Agência Internacional da Energia Atómica (IAEA), permitindo inspecções frequentes das suas instalações. "As autoridades sul-africanas colaboraram plenamente com a IAEA durante todo o processo de verificação e foram elogiadas pelo então director-geral da Agência em 1992, o Dr Hans Blix, por terem prestado aos inspectores acesso e informações ilimitados para além do que era exigido pelo Acordo de Salvaguardas Generalizadas," acrescentou Mills. "A segunda fase envolveu o desmantelamento do programa de mísseis balísticos da África do Sul, que começou em 1992, processo que demorou 18 meses." "Este processo culminou com a sua admissão ao Regime de Controlo da Tecnologia de Mísseis (MTCR) em Setembro de 1995, depois da verificação da destruição dos últimos motores dos mísseis. "A terceira fase envolveu o termo do programa de armas químicas e biológicas da África do Sul." Mills concluíu que a África do Sul "ocupa assim uma posição privilegiada no mundo devido ao facto de ser o primeiro país a ter desmantelado voluntariamente a sua capacidade de produzir armas nucleares. "A experiência (sul-africana) indica a importância de criar o ambiente apropriado em que os regimes se sintam suficientemente confiantes para desarmarem e assim continuarem." Embora as acções dos líderes sul-africanos do regime do apartheid mereçam elegios - pelo menos desta vez - há alguma desconfiança quanto aos motivos que levaram a essa acção. Será que desmantelaram as armas nucleares do país porque acreditavam na visão de uma África sem armas nucleares? Ou o seu motivo era mais cínico? Ao apereceberem-se que um governo negro era inevitável, será que desmantelaram as armas nucleares sul-africanas para as manter fora das mãos de Nelson Mandela e do novo governo do ANC? O colega de Mill e director adjunto da Fundação Brenthurst, Terence McNamee, asseverou no jornal Star de Joanesburgo que o país que tinha desmantelado as armas nucleares "não era a África do Sul de Zuma (o actual Presidente Jacob Zuma) mas um outro país, um pária internacional, felizmente agora extinto."

"Sem dúvida que Zuma acredita, tal como a maior parte dos seus colegas séniores que estiveram activos durante a transição para a democracia, que as pessoas que construíram o arsenal nuclear da África do Sul - o regime do apartheid - o destruiu porque não queriam que o ANC se apoderasse dele."

McNamee referiu que de Klerk esperou até Março de 1993 antes de informar o mundo do desmantelamento das armas nucleares sul-africanas, e até essa altura, "ninguém, nem mesmo Nelson Mandela, tinha sido informado que o programa tinha sido abolido (ou até mesmo que existia)."

Embora as armas nucleares já não existam na África do Sul ou no continente africano, há uma expectativa crescente que vai ser necessário obter energia nuclear para ajudar a fornecer uma parte crescente da mistura energética no continente. "A energia nuclear pode ajudar a responder ao grande défice energético dos países africanos, visto que o continente produz o mesmo que a Espanha, apesar de ter uma população vinte vezes superior," disse Mills à IPS. "Mas as preocupações associadas ao uso da energia nuclear em África vão ao âmago do motivo que explica por que existe este défice em primeiro lugar: a governação." Jeremy Sampson, especialista em criação de marcas, presidente executivo da empresa de consultoria de branding Interbrand Sampson localizada em Joanesburgo, referiu que em termos de imagem a decisão sul-africana de eliminar o programa de armas nucleares tinha fortalecido a sua autoridade moral quanto à questão de não proliferação. "As últimas duas décadas têm testemunhado um aumento dramático da importância das questões reputacionais e ligadas à marca," disse Sampson à IPS. "Isto já não se aplica simplesmenta a empresas, produtos e serviços, mas hoje abarca igualmente pessoas e mesmo países." Ao questionar a verdadeira razão que levou ao desmantelamento do programa de armas nucleares sul-africano, Sampson especulou que o regime talvez tivesse recebido alguma recompensa, que não foi ainda divulgada, por ter tomado essa decisão. "Se a África do Sul produziu realmente um dispositivo nuclear, quem é que a ajudou, houve ensaios fictícios nas produndezas do Atlântico Sul e como é que essas armas seriam usadas?" questionou. Sampson sugeriu também que a decisão da África do Sul de desmantelar a sua opção nuclear voluntariamente levantava muitas questões. "Será que o regime de apartheid estava desesperado? As sanções estavam a ter resultados? Qual foi o objecto de troca, quais foram as garantias oferecidas, havia realmente fundos secretos em várias partes do mundo para os membros do regime que escapassem, como aconteceu na Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial?" "Algum outro país desmantelou voluntariamente a sua opção nuclear, que levaria muitos anos e teria usado muitos biliões a desenvolver?" Sampson defendeu que, quaisquer que tenham sido as recompensas, deviam ter sido "muito substanciais. As actividades militares em Angola e o apoio concedido a Jonas Savimbi (líder rebelde angolano) deviam estar no topo da agenda." Frans Cronje, director executivo adjunto do Instituto Sul-Africano de Relações Raciais, outra organização de investigação localizada em Joanesburgo, sugeriu que o regime do apartheid foi sujeito a uma forte pressão do Ocidente e possivelmente também da Rússia, no sentido de renunciar ao seu programa de armas nucleares. "Foi tudo disfarçado como uma retirada ilustre de uma África nuclear," disse à IPS. "É muito provável que os países ocidentais e a Rússia estivessem preocupados com o facto de um estado africano independente ter armas nucleares." Acredita igualmente que hoje em dia a África do Sul teria mais poder no plano internacional se tivesse mantido o seu arsenal nuclear. "Um estado nuclear africano seria levado mais a sério e teria ainda um papel de liderança mais forte - obrigaria as pessoas a levá-lo mais a sério," afirmou. "Em termos de liderança, a renúncia às armas nucleares resulta no oposto - reduz a influência do país nas relações exteriores e na política internacional." "Se a renúncia às armas nucleares aumenta a influência de determinado país, outros países já se teriam precipitado a desmantelar os seus arsenais nucleares." Talvez nunca venhamos a saber todas as razões que levaram a essa medida, mas o desmantelamento das armas nucleares na África do Sul trouxe benefícios morais que perduram até hoje. Concedeu ao país uma voz global em questões de não proliferação assim como a autoridade moral para desenvolver a sua própria indústria de electricidade de origem nuclear sem atrair a desconfiança internacional, como tem acontecido mais recentemente com o Irão. (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 OPINION: The Islamic State’s Ideology Is Grounded in Saudi Education
 Canada Accused of Failing to Prevent Overseas Mining Abuses
 Panama Regulators Could Slow U.S. Approval of GM Salmon
 Resolving Key Nuclear Issue Turns on Iran-Russia Deal
 Good Twins or Evil Twins? U.S., China Could Tip the Climate Balance
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 La pobreza infantil española desde los ojos de Encarni
 Miles de cristianos iraquíes, perseguidos por EI, huyen a Jordania
 San Vicente y las Granadinas se toma en serio el cambio climático
 Hidrocarburos sin controles ambientales, mala mezcla para África
 Los indígenas, convidados de piedra en las concesiones de tierras
MÁS >>