África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

A polêmica sobre agrotóxicos chega ao carnaval carioca
Fabiana Frayssinet

Rio de Janeiro, Brasil, 8/2/2013, (IPS) - O Brasil já entrou no carnaval, que habitualmente paralisa por uma semana a agenda política do país.

Mas este ano o patrocínio de uma multinacional a uma escola de samba levou à festa a controvérsia sobre o uso dos agrotóxicos. A escola de samba Unidos de Vila Isabel levará para a avenida o enredo "A Vila canta o Brasil, maior celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um", que homenageia os agricultores.

"... Saciar a fome com a plantação... arar e cultivar o solo, ver brotar o velho sonho de alimentar o mundo...", são partes do samba-enredo composto por Arlindo Cruz, Martinho da Vila, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel, para o desfile criado pela carnavalesca Rosa Magalhães. Trata-se de uma homenagem bem recebida por grupos como o Movimento dos Sem-Terra (MST), que faz parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

"A letra do samba reflete de forma impecável a beleza da agricultura camponesa e familiar brasileira", disse à IPS a ativista Nivia dos Santos, integrante da coordenação nacional dessa campanha e da direção do MST no Rio de Janeiro. "É um tema importante para nós, que lutamos por uma agricultura sem venenos e que possa produzir alimentos saudáveis para toda a população", destacou. Contudo, o MST denuncia um problema: o patrocínio do desfile da Vila Isabel, uma das 12 escolas do Grupo Especial do carnaval carioca, recebeu o apoio financeiro do grupo transnacional alemão Basf, a maior companhia química do mundo, com importante presença no Brasil.

"Denunciamos que a Vila Isabel está sendo usada pelo agronegócio brasileiro para promover sua imagem, manchada pelo veneno, pelo trabalho escravo, pelo desmatamento, pela contaminação das águas do país e por tantos outros problemas", diz a carta enviada à direção da escola de samba pela campanha contra os agrotóxicos. "O agronegócio, que não derrama uma gota de suor na enxada, nem compartilha nem protege e muito menos abençoa a terra, quer se apropriar da imagem dos camponeses e da agricultura familiar", destaca a carta.

O objetivo é "continuar lucrando à custa do envenenamento do povo brasileiro", acrescenta a campanha, em um jogo de palavras com a letra do samba-enredo. "O que causou espanto e insatisfação é que este bonito desfile seja patrocinado pela Basf. Esta multinacional alemã produz agrotóxicos e causa degradação ambiental e contaminação de nossos alimentos", disse Nívia dos Santos.

Em um comunicado enviado à IPS, a Basf Brasil respondeu que apoia o desfile pela "oportunidade de abordar uma mensagem amplamente discutida nacional e internacionalmente (a produção de alimentos de qualidade para atender a crescente demanda da população mundial), de forma lúdica e acessível a todos os públicos". No comunicado a empresa assegura que o patrocínio é parte da estratégia de sua Unidade de Produção de Cultivos da América do Sul, "cujo enfoque principal é a valorização da agricultura nacional".

A direção da Vila Isabel, bicampeão do carnaval carioca, explica que aceitou esse apoio para seu desfile porque a verba dada pela prefeitura é insuficiente. As escolas têm de investir enormes recursos em fantasias, efeitos especiais e luxuosas alegorias e carros alegóricos, entre outras exigências do desfile. "Nosso carnaval é a valorização do homem do campo. Não colocaremos na avenida nenhuma máquina agrícola", explicou a Vila Isabel.

"Em nossas fantasias e alegorias retratamos a natureza e o homem do campo, não apenas os grandes agricultores", afirmou a vice-presidente da Vila Isabel, Elizabeth Aquino, segundo um comunicado do MST. Elizabeth acrescentou que o regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba, que organiza o desfile no Rio, proíbe qualquer tipo de comercialização e, por isso, nem o nome nem o logotipo da Basf aparecerão no sambódromo. Não haverá apologia da Basf, insistiu, acrescentando que "falamos de preservação de animais".

O MST recordou que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o pequeno agricultor produz 70% dos alimentos consumidos pelas famílias no país, apesar de ocupar apenas 25% da terra cultivada. Também destacou que, apesar de receber apenas 14% do crédito oficial para a produção do setor, a agricultura familiar emprega nove vezes mais pessoas por área cultivada e gera um terço das exportações agropecuárias.

"O outro modelo de produção agrícola, o agronegócio, recebe 86% do crédito e tem 75% das terras, mas produz apenas 30% dos alimentos que compõem a alimentação da população", diz o IBGE. A Basf Brasil apelou para outros números. Recordou que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em dez anos a demanda mundial por alimentos crescerá 20% e que o Brasil poderá satisfazer 4% dessa demanda adicional.

A empresa acrescentou que nos últimos 35 anos o país deixou de ser importador para se converter em um dos maiores exportadores de alimentos, e que o agronegócio contribui há 13 anos de maneira "decisiva" com o superávit primário em sua balança comercial. "A companhia acredita que o agricultor brasileiro pode ajudar a alimentar o mundo de forma sustentável", afirmou a Basf Brasil.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida tem outra visão. Na carta enviada à Vila Isabel destaca que a quantidade de agrotóxicos usados na agricultura brasileira causou a contaminação de rios, da água da chuva, do solo e até do leite materno. "Os danos à saúde vão desde dores de cabeça, tontura até câncer, incluindo os de cérebro, pulmão, próstata, linfoma, com pôde confirmar em 2012 a Associação Brasileira de Saúde Coletiva", segundo a carta.

A nutricionista Sueli Couto, do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e participante da Campanha, diz que quase dois terços dos alimentos consumidos pelos brasileiros contêm resíduos de agrotóxicos. "Dos tipos de câncer, 40% podem ser prevenidos", indica ao explicar que "o trabalho do Inca é promover uma alimentação saudável. E alimentação saudável é produzida pelo pequeno agricultor".

André Burigo, da Fundação Fiocruz, que também apoia a Campanha, ressaltou que desde 2008 o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. A Basf "tentará se aproveitar de um samba para criar uma imagem indireta unida à biodiversidade. Mas agrotóxico não combina com biodiversidade", afirmou Burigo no comunicado. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Survivors of Sexual Violence Face Increased Risks
 Pro-Israel Hawks Take Wing over Extension of Iran Nuclear Talks
 OPINION: How Ebola Could End the Cuban Embargo
 U.S. Missing in Child Rights Convention
 A Game-Changing Week on Climate Change
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Europa a la vanguardia… de la decadencia
 Las elecciones ofrecen poco consuelo a los pobres de Sri Lanka
 Mujeres afrontan desafíos ambientales con ingenio en India
 Cuba exporta carbón vegetal de plantas invasoras
 Lucha por el sucesor de Mugabe frena el desarrollo en Zimbabwe
MÁS >>