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Atacama, riqueza ambiental e turística
Marianela Jarroud*

Santiago, Chile, 1º de abril de 2013, (IPS) - (Terramérica).- O ecossistema altiplano de San Pedro de Atacama, no norte do Chile, é objeto de estudos para aprender a administrar suas maravilhas e melhorar a vida de seus habitantes.


Crédito: Cortesia da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta
Uma vicunha bebendo em um dos mangues de San Pedro de Atacama.
Dois projetos pretendem converter San Pedro de Atacama, capital do turismo, da arqueologia e da astronomia no norte do Chile, em uma comunidade sustentável que melhore a vida dos indígenas que a habitam. Esses são os atributos que definem San Pedro de Atacama, segundo sua prefeita, Sandra Berna. As iniciativas, no valor de US$ 2,7 milhões, poderiam agregar mais um: capital do conhecimento científico aplicado a um manejo sábio da riqueza natural.

Os 4.797 habitantes, 60,9% indígenas de Atacama, duplicam na temporada turística, quando os estrangeiros chegam atraídos pelos mistérios do deserto, seus vulcões e gêiseres. O município faz parte de uma paisagem de salinas, dunas e cristas rochosas, gêiseres, águas termais e montanhas nevadas, a 2.600 metros de altitude e 1.500 quilômetros ao norte de Santiago. Ali também está o céu mais limpo do planeta e o Observatório Alma (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array, ou Grande Conjunto Milimétrico/Submilimétrico de Atacama), que com seus 66 radiotelescópios tenta decifrar enigmas do espaço.

Rico em diversidade biológica, San Pedro atraiu iniciativas para dar-lhe sustentabilidade e um planejamento turístico adequado. "Pode-se racionalizar o turismo e gerar políticas de controle de acesso aos lugares protegidos, se conhecer os serviços ecossistêmicos da área e de que maneira podem se tornar vulneráveis", explicou ao Terramérica o secretário regional ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta, Hugo Thenoux.

A primeira iniciativa faz parte do Project for Ecosystem Services (ProEcoServ), financiado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e implantado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A inspiração veio dos resultados da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio (global e subglobal), que recopilou informação científica sobre as mudanças ambientais e as opções para responder a elas.

De novembro de 2011 até 2014 serão geradas ferramentas para avaliar e valorizar os serviços que o ecossistema presta e pode prestar à comunidade. A natureza e as espécies que a habitam fornecem serviços fundamentais para a vida humana: água e ar puros, alimentos e energia, entre outros. O projeto se centrou em dois: provisão de água e ecoturismo e recreação, para estimar sua resposta diante de eventos naturais como secas ou aluviões.

"A ideia é avaliar como determinamos a situação que temos hoje em dia destes serviços, e com fazemos um uso racional deles, de maneira a não colocá-los em risco", explicou Thenoux. A partir das conclusões, "as comunidades terão informação direta do Estado se tiverem um projeto que queiram desenvolver no lugar". Essas ferramentas serão usadas para planejar e implantar políticas de desenvolvimento, melhorando a capacidade pública e privada para tomar decisões.

"Falar de serviço ecossistêmico é bastante novo", lembrou Thenoux. "Este projeto também é realizado no Vietnã, Tobago e África do Sul. Portanto, também há conclusões que teremos em níveis nacional e internacional em manejo de sustentabilidade", destacou. O desenvolvimento está a cargo do Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas, com a coordenação da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente da região de Antofagasta.

Estes "temas emergentes" estão em linha com as políticas do Ministério do Meio Ambiente "de melhorar a sustentabilidade de nosso país e a qualidade de vida", pontuou o funcionário. O ProEcoServ também contará com matrizes de compromisso, que descrevem o comportamento entre dois serviços ecossistêmicos e definem se esta relação é dependente ou independente e se esta dependência é direta ou indireta.

"Tudo que é planejamento, ou estudos nos quais possamos melhorar e ter consciência do que temos e do que ocorre em todo o ecossistema, é valioso", afirmou a prefeita Berna ao Terramérica. Contudo, lamentou que a participação popular não seja maciça. "Gostaria que as pessoas se conscientizassem, que vissem na ciência, nos estudos, o que se diz de nosso ecossistema", enfatizou.

As autoridades também licitam a execução de dois projetos para a proteção de mangues alto-andinos, fontes de água das comunidades que habitam a Salina de Atacama, além de serem um dos ecossistemas mais frágeis e suscetíveis à mudança climática. Um desses projetos busca analisar, identificar e aplicar medidas-piloto de restauração e conservação dos mangues. "A ideia é avaliar como a mudança climática pode afetar os mangues e como trabalharmos com as comunidades para que nos adaptemos", explicou Thenoux.

Um segundo estudo analisará o sistema de acompanhamento ambiental desses ecossistemas, com vistas a desenhar um novo modelo de gestão para fortalecer a capacidade pública e privada de conservar e fazer bom uso dos mangues. Segundo Thenoux, "muitos monitoramentos que são feitos nos mangues não necessariamente dão uma visão ecossistêmica do lugar".

Berna espera que todo este conhecimento ajude a lidar com as manifestações cada vez mais duras do inverno no altiplano, que em 2012 provocou o transbordamento de rios e riachos, e afetou e isolou comunidades indígenas e turistas. "Pedimos às Nações Unidas que possamos fazer um estudo sobre estes recursos e ver como direcionar as águas para aproveitá-las" sem que causem estragos, afirmou a prefeita.

As comunidades indígenas e outros atores que fazem uso do meio ambiente participarão, porque "não há nenhuma ação humana que não afete o território se não for adequadamente manejada", ressaltou Thenoux. Os indígenas do Chile "administram o território há vários séculos e existe um conhecimento ancestral que vamos redescobrir e recapturar", ressaltou. Envolverde/Terramérica

* A autora é correspondente da IPS. (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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