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Ilha japonesa militarizada busca se renovar
Suvendrini Kakuchi

Ginowan, Japão, 12/4/2013, (IPS) - A ilha japonesa de Okinawa é conhecida por abrigar a maior parte dos 50 mil soldados que os Estados Unidos mantêm estacionados no Japão.

Porém, diante da crise com a Coreia do Norte, dirigentes locais se esforçam para promover uma imagem comercial deste lugar.

"Okinawa, com seu entorno cultural e natural únicos quer ampliar sua indústria turística e se converter em um centro asiático de educação e entretenimento", disse Shigenobu Asato, presidente do Escritório de Convenção e Turismo durante sua apresentação no Festival de Cinema desta ilha, que terminou em 30 de março. "O slogan de Okinawa agora é "seja inovador", acrescentou, em referência aos esforços oficiais para promover o investimento no setor do entretenimento e da atividade empresarial nesta ilha, a maior das 60 que formam a prefeitura de mesmo nome.

Pelos termos do Tratado de Segurança e Cooperação Mútua entre Estados Unidos e Japão, Okinawa é a sede de dois terços das bases norte-americanas neste país e há tempos desempenha um papel crucial em matéria de segurança no Oceano Pacífico. Para Washington, o arquipélago que se estende até quase Taiwan é o lugar perfeito para observar, e conter, a presença naval da China na região.

A ilha foi palco do único enfrentamento direto na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) entre Estados Unidos e Japão, que terminou com a derrota japonesa. Washington devolveu o controle do lugar ao Japão em 1972, mas manteve bases em 18% do território, uma situação que desagrada a imensa maioria da população local. As bases militares norte-americanas mantêm arrendamento de grandes porções de terra, a maioria no centro e sul de Okinawa, onde vivem 80% dos 1,5 milhão de habitantes.

A renda, que representa pouco menos de 6% da renda bruta da região, se destina a ajudar os fazendeiros locais e permite que as áreas onde estão situados os acampamentos recebam grandes subsídios. Em 2012, os subsídios do governo central chegaram a US$ 2 bilhões, e estima-se que este ano subirão para US$ 3,1 bilhões.

A presença militar norte-americana ajudou a atribulada economia insular. A renda média por habitante de Okinawa é de US$ 20 mil ao ano, a menor do Japão. As bases não oferecem apenas uma renda, mas criaram um mercado para o entretenimento com bares, restaurantes e serviços de táxi para o pessoal. Mas as consequências sociais e políticas são altas.

O acordo de cooperação em matéria de segurança deu impunidade aos militares norte-americanos. Os crimes violentos, que incluem violações de mulheres por parte do pessoal militar, além da deterioração e contaminação do meio ambiente, empurraram muitos moradores para os braços do movimento contra as bases.

Com o aumento da oposição desde novembro, as autoridades locais se esforçam bastante para desatrelar a economia de Okinawa da presença das bases militares. Ginowan, sede de várias dependências militares, como a controvertida base aérea de Futenma, é um dos lugares onde são necessárias urgentes formas alternativas de desenvolvimento e renda.

Mas os desejos dos moradores de se livrarem das bases militares enfrentam um ambiente político hostil. Além das ameaças da Coreia do Norte, o governo conservador do primeiro-ministro Shinzo Abe deve lidar com difíceis disputas territoriais e pelos direitos de pesca com China e Coreia do Sul. "Fazer a paz com a população de Okinawa se tornou um desafio interno crucial para Abe", disse Tetsuo Kawakami, professor de relações internacionais da Universidade de Takushoku.

"Okinawa tem sido um assunto delicado para muitos primeiros-ministros do Japão, e nenhum conseguiu progressos", afirmou Kawakami à IPS. Para o professor, o atual primeiro-ministro tem interesse especial em ganhar o apoio da população de Okinawa, por seu interesse em reformar a Constituição de "paz" do Japão, que "renunciou à guerra como um direito soberano da nação e à ameaça ou ao uso da força como forma de resolver disputas internacionais", conforme consta do artigo 9. Abe afirma que é crucial reformar esse artigo para garantir ao Japão certa proteção e incorporar disposições sobre autodefesa diante do aumento das tensões na Ásia Pacífico.

O último informe anual sobre diplomacia, divulgado na semana passada pela chancelaria, destaca a necessidade de fortalecer a Aliança de Segurança Estados Unidos-Japão para conter as "ameaças" contra o território, o mar e o espaço aéreo do Japão, bem como contra a população. O informe aponta enfrentamentos territoriais com a China pelas Ilhas Senkaku, no mar da China Oriental, reivindicadas pelos dois países.

Conhecidas na China como Diayu, a cadeia de ilhotas e penhascos desabitados pode conter grandes depósitos de gás natural. O território está sob jurisdição japonesa há muito tempo, mas a Coreia do Sul, que as denominou Dokdo, e Taiwan, onde são identificadas como Ilhas Tiaoyutai, também reclamam o arquipélago. Nesse contexto, o governo central anunciou na semana passada sua decisão de estabelecer um cronograma para devolver ao governo municipal o terreno alugado pelo exército norte-americano, perto da base aérea de Kadena, em Okinawa.

O acordo alcançado em 2012 se baseia na condição de os efetivos norte-americanos serem trasladados para o estrangeiro. Abe tratou de acelerar o processo com Washington, com a intenção de Okinawa aceitar mudar a base aérea de Futenma da cidade densamente povoada de Ginowa para Nago, um pitoresco centro turístico costeiro.

Miko Higa, diretor do Instituto de Pesquisa para a Paz e a Segurança, disse à IPS que a proposta do governo é bem-vinda, mas terá oposição se for vinculada ao conceito de reassentamento. "A questão essencial da segurança do Japão gera confiança em Okinawa. O processo será longo, e não deve estar vinculado aos planos de defesa de Abe que objetivam fortalecer as relações militares com os Estados Unidos, o que será uma pesada carga para esta ilha", alertou. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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