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Crianças malinesas refugiadas no Senegal sem educação
Issa Sikiti da Silva

Dacar, Senegal, 22/4/2013, (IPS) - Mariama Sow, viúva de 30 anos, tenta levar uma vida mais próxima do normal junto com seus três filhos na capital do Senegal, após abandonar em junho a histórica cidade de Tombuctu, no norte de Mali, que no ano passado caiu sob controle de grupos rebeldes islâmicos.


Crédito: Marc-André Boisvert/IPS
Duas meninas tuaregues brincam no acampamento de refugiados de Goudebo, em Burkina Faso.
Sua família agora tem uma segurança relativa na casa da irmã mais velha de Mariama, que a ajuda no trabalho de seus dois "tanganas" (restaurantes informais).

"A ocupação islâmica não trouxe nada de bom, prejudicou muita gente e continuará afetando muitas pessoas nos próximos anos", disse Sow à IPS, mas sem querer se aprofundar e somente acrescentando que foi um "inferno". Visivelmente emocionada, declarou: "jamais esquecerei o ocorrido, mas decidi deixá-lo para trás e me concentrar no futuro dos meus filhos, que agora podem comer bem graças ao apoio da minha irmã".

Sow contou que a imposição da shariá (lei islâmica) no norte de Mali prejudicou não apenas as mulheres, mas toda a população das áreas ocupadas pelos rebeldes. Ela se preocupa com seu filho mais velho, de oito anos, que não vai à escola desde abril de 2012, quando os grupos islâmicos aliados à rede extremista Al Qaeda assumiram o controle do norte de Mali. Suas filhas, de quatro e dois anos, ainda são muito pequenas.

"O primeiro ano de escola do meu filho foi interrompido pela ocupação. É um problema porque há um ano que não tem aula e no ano que vem completará nove anos. Não sei quando a paz voltará em definitivo para que possa se reintegrar", lamentou Sow.

Apesar de a operação militar encabeçada pela França, a pedido do governo de Diocunda Traoré, ter conseguido expulsar os rebeldes, ainda falta muito para a paz definitiva. Os islâmicos recorrem agora a ataques suicidas e a outras estratégias de guerrilha. O informe Mali Após a Operação Militar Francesa, divulgado em fevereiro pelo Instituto de Estudos sobre Segurança, com sede na África do Sul, pede que se estabilize e garanta rapidamente a segurança do norte após sua libertação.

"Para consolidar os êxitos militares, e já que a França expressou o desejo de reduzir sua presença, ou pelo menos de que o compromisso seja multilateral, a ideia é que agora seja realizada uma operação da Organização das Nações Unidas (ONU) que substitua a Afisma" (Missão Internacional de Apoio a Mali Liderada pela África), diz o informe preparado por Lori Anne Théroux-Bénoni.

O conflito no norte de Mali forçou milhares de homens, mulheres, meninos e meninas a abandonarem suas casas. O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) tem registrados 167.370 malineses nos cinco países vizinhos. A Mauritânia abriga a maior quantidade de refugiados, com 68.385 pessoas, seguida de Níger com 50 mil e Burkina Faso com 48.939. Também há 26 na Guiné e 20 em Togo.

O funcionário responsável pela situação em Mali do escritório do Acnur para a África ocidental, Awo Cromwell, disse à IPS que há 31 solicitantes de asilo malineses no Senegal, cuja situação ainda deve ser analisada pela Comissão Nacional de Elegibilidade do Ministério do Interior. "São sete mulheres, 24 homens e três menores", afirmou. Apesar de refugiada no Senegal, Sow não está registrada pelo Acnur, pois teve sorte de ter família nesse país. Já a maioria dos malineses que fugiram é obrigada a viver em acampamentos em Níger, Mauritânia e Burkina Faso.

No entanto, o problema da escolarização dos menores é o mesmo para todos. "Muitas crianças malinesas dos acampamentos de refugiados já perderam várias semanas e meses de aula. Se não começarem logo perderão todo o ano e correm o risco de não se reintegrarem à escola ao voltarem para Mali", advertiu Laurent Duvillier, especialista em comunicações do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a África central e ocidental, em entrevista à IPS.

"O futuro dos estudantes malineses não deveria estar em jogo por serem refugiados. Como se poderá reconstruir Mali se milhares de meninos e meninas não têm acesso à educação?", perguntou Duvillier. Os menores que escaparam da violência em Mali sofrem muito, e que regressar à escola é uma forma de recuperar uma "vida normal", porque brincam com outras crianças, aprendem e riem, acrescentou .

Os pais refugiados não têm muito tempo para cuidar dos filhos, pontuou Duvillier. "Se não recebem atenção, os menores ficam expostos a todo tipo de abusos e violência. É um grande alívio para os pais saber que estão seguros em um lugar onde podem aprender e brincar sem perigo", destacou. Também disse que, junto com o Acnur, o Unicef trabalha para capacitar professores voluntários, distribuir materiais e montar barracas de campanha onde seja possível dar aula tanto em Níger quanto na Mauritânia e em Burkina Faso, além do próprio Mali.

"Lamentavelmente, ainda há muitas crianças malinesas que não têm acesso à educação. Temos que ter mais alunos, mais pessoal capacitado e equipado, e garantirmos que o que aprenderem lhes sirva para quando voltarem a Mali. São necessários mais recursos, pois as necessidades em matéria educacional ainda carecem de dinheiro", enfatizou Duvillier. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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