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Apoio ao comércio legal de chifres de rinoceronte
Brendon Bosworth

Cidade do Cabo, África do Sul, 23/4/2013, (IPS) - Diante do crescimento da caça ilegal de rinocerontes na África do Sul, conservacionistas e criadores particulares pressionam para que seja levantada a proibição internacional ao comércio de chifres destes animais e criado um mercado legal.

"A proibição ao comércio está gerando uma situação em que os rinocerontes são mortos desnecessariamente", disse à IPS o pesquisador Duan Biggs, do Centro de Excelência para as Decisões Ambientais na Universidade de Queensland, na Austrália. "Está tirando recursos de outros esforços de conservação e levando a uma pseudoguerra no Parque Nacional Kruger", acrescentou.

O governo sul-africano explora esta opção e pode fazer uma proposta na Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites) 2016 para permitir a abertura da venda de chifre de rinoceronte. Isso exigirá apoio de dois terços dos 178 Estados-membros. As propostas para levantar a proibição, em vigor desde 1977, provocou um debate quanto ao mercado legal realmente poder acabar com a caça ilegal.

Os que se opõem se preocupam que isso estimule o mercado ilegal no qual se comercializa em partes da Ásia, onde os chifres de rinoceronte são vendidos a US$ 65 mil o quilo - mais que o ouro ou a cocaína - e se considera que servem para curar ressacas e como afrodisíacos em países como o Vietnã. Mas os que estão a favor afirmam que essa seria a solução para a crise da caça ilegal.

No ano passado caçadores ilegais mataram 668 rinocerontes na África do Sul, principalmente no Parque Nacional Kruger, onde vive a maior população mundial de rinocerontes brancos. Em um comunicado divulgado no dia 3, o governo afirma que em 2013 foram assassinados 203 desses animais. A caça ilegal praticamente duplicou a cada ano ao longo dos últimos cinco anos na África do Sul.

Caso continue essa prática no ritmo atual, a população de rinocerontes do Parque Nacional Kruger começará a decair a partir de 2016, segundo pesquisadores de Parques Nacionais Sul-Africanos. E, o que é pior, os cientistas estimam que, se a caça sofrer uma aceleração, os rinocerontes da África, em geral, poderão estar extintos em apenas 20 anos.

Um mercado rigidamente regulado oferecerá uma maneira de cobrir a persistente demanda asiática e, se for administrado adequadamente, resultará mais barato, mais seguro e mais confiável para os compradores do que adquirir o produto de cartéis criminosos. Isto, por sua vez, afastará os compradores do mercado ilegal, explicou Biggs, coautor de um documento divulgado em março na revista Science que pede a introdução do comércio legal.

"A ideia é tirar do mercado" os comerciantes ilegais, disse à IPS Michael 't Sas-Rolfes, economista independente especialista em conservação, que investiga o comércio de chifres de rinoceronte. "Eles comercializam muitos outros produtos. Se o chifre do rinoceronte se tornar pouco atraente, simplesmente passarão para outra coisa", opinou. O comércio legalizado de pele de crocodilo, que na década de 1980 levou à criação sustentável desses animais, em lugar de se matar crocodilos selvagens, é um exemplo de como o comércio legal pode levar à conservação, afirmou Biggs.

Para ser efetivo, os ativistas propõem um órgão independente que se reporte à Cites e que administre o mercado, vendendo os chifres para compradores registrados. Parte dos ganhos com as vendas será canalizada para os esforços de conservação e usada para fortalecer as iniciativas contra a caça ilegal.

Os chifres de rinoceronte são feitos de queratina, substância encontrada no cabelo humano, e volta a crescer depois de cortado. Sedar os animais e tirar-lhes os chifres implica "um risco completamente mínimo" para os animais, argumentou Biggs. Para impedir que os chifres obtidos ilegalmente entrem no mercado legal, os fornecedores podem localizar os legais com rastreadores e identificações por DNA (ácido desoxirribonucleico) por menos de US$ 200 por chifre, destacou.

Várias organizações conservacionistas se opõem também ao comércio legal. Afirmam que a legalização levará à demanda por chifres de rinoceronte a um ponto em que o mercado criminoso florescerá ao lado do legal, como ocorre com o abalone (um molusco), severamente ameaçado pela caça ilegal na África do Sul. Mary Rice, diretora-executiva da Agência de Investigação Ambiental, uma organização independente que investiga e denúncia crimes ambientais, apontou aumento nas vendas ilegais de marfim na China depois que este país comprou legalmente reservas desse material em Botsuana, África do Sul, Namíbia e Zimbábue, em 2008.

O governo chinês comprou marfim por US$ 157 o quilo, mas vende por até US$ 1.500 o quilo. Os varejistas, porém, vendem produtos de marfim por até US$ 7 mil, segundo informe da Agência de Investigação Ambiental. Inclusive, 90% do marfim que entra no mercado chinês é ilegal, segundo o documento. "O marfim legal agora está mais caro do que o ilegal, e o que se tem é o maior recrudescimento da caça ilegal desde a proibição" de 1989 ao comércio internacional de marfim, indicou Rice à IPS.

Os que são contra o comércio legal dizem que os governos não podem controlar adequadamente o mercado de chifres de rinoceronte, e citam a corrupção como problema. No ano passado, a polícia prendeu quatro funcionários de Parques Nacionais Sul-Africanos vinculados à caça ilegal desses animais, que foram soltos sob fiança. Não há dados precisos disponíveis sobre a dimensão real do mercado de chifres de rinoceronte.

"Não sabemos qual é a demanda e tampouco sabemos qual será se abrirmos o comércio", disse à IPS Allison Thomson, diretora da organização Outraged SA Citizens Against Poaching (Cidadãos Indignados da África do Sul Contra a Caça Ilegal). "Se essa porta for aberta e aumentar a demanda, se for um erro fazer isso, fechar essa porta será absolutamente impossível", enfatizou. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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