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Agora, somos todos thatcheristas
Roberto Savio*

Roma, Itália, abril/2013, (IPS) - A avalanche de artigos lamentando a morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret

Thatcher publicados depois de seu falecimento, no dia 8, é um bom indicador de como todos nos convertemos em thatcheristas, sem nos darmos conta.

Somente aqueles que já não gozam seus anos de juventude percebem o quanto sua obra de governo mudou o mundo e a política, a tal ponto que seria correto chamá-la de uma "grande revolucionária".

Para apreciar a dimensão da mudança, recordemos que, imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial, outros dois grandes acontecimentos tiveram lugar: o fim do colonialismo e a emergência do Terceiro Mundo, e a formação de um poderoso bloco socialista, encabeçado pela União Soviética, mas com rebentos na África, América Latina e Ásia, como, por exemplo, Angola, Cuba e China.

Os dois acontecimentos tiveram um efeito instrutivo nos setores políticos e filosóficos identificados com o capitalismo, conduziram à era da social-democracia e inspiraram o desígnio de estabelecer uma ordem internacional baseada na cooperação e na justiça social.

Isso fez com que, em 1974, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovasse por unanimidade um plano de ação para um novo sistema de relações internacionais que permitiria aos países subdesenvolvidos regular e controlar as atividades das corporações multinacionais, adotaria medidas para reduzir a brecha entre Norte e Sul, e outras disposições que hoje seriam consideradas fantasiosas.

Propiciava-se a cooperação internacional como fundamento das relações entre os Estados e foi convocada a cúpula Norte-Sul, realizada em Cancún, em 1981.

Thatcher assumiu o poder em 1979, e em Cancún conheceu Ronald Reagan, eleito presidente dos Estados Unidos alguns meses antes da cúpula. Foi a primeira prova internacional para Reagan, que evitou com desagrado qualquer diálogo sobre cooperação internacional.

Instigado e apoiado por Thatcher, simplesmente disse que os Estados Unidos haviam se convertido em um grande país não graças à ajuda, mas mediante o esforço de milhares de indivíduos que construíram suas ferrovias, fábricas e escritórios. Afirmou que Washington não contrairia acordos internacionais por considerá-los contrários aos seus interesses e apresentou a fórmula "comércio em lugar de ajuda".

A partir desse momento, a "revolução de Reagan" mudou o mundo. Marginalizou-se a ONU e travou-se uma implacável campanha contra o conceito da sociedade e do Estado. Thatcher declarou gloriosamente: "A chamada sociedade não existe. Existem homens e mulheres de forma individual, e existem as famílias".

Reagan se especializou em dar respostas simples a questões complexas. A contaminação? "As árvores contaminam, não as fábricas". Thatcher proclamou: "Nos vangloriemos de nossa desigualdade". Catalogava Nelson Mandela como "terrorista", e mais adiante elogiaria o ditador Augusto Pinochet como "defensor da democracia".

Pouco a pouco, os dois partidos conservadores, o Republicano norte-americano e o Conservador britânico, sofreram uma metamorfose antropológica. Deixaram para trás o "conservadorismo compassivo" e se arrebataram com uma ideologia que exaltava a riqueza, a aceitação da injustiça como um fato da vida, a demonização do Estado e a divinização do mercado, e a convicção de que a assistência social, os sindicatos e demais instrumentos de igualdade eram improdutivos e desnecessários.

Reagan demitiu os controladores aéreos. Thatcher desmantelou os sindicatos de mineiros do carvão e proclamou: "Marks e Spenser (a rede de supermercados) derrotou Marx e Engels". Reagan deixou os Estados Unidos com um pesado déficit e uma crescente desigualdade.

Quanto Thatcher chegou ao governo o nível de pobreza marcava 9%, quando o deixou havia aumentado para 24%.

Thatcher e Reagan abriram o caminho para a legitimação dos aspectos menos sociais dos indivíduos e da política: o egoísmo, a ostentação do poder e o status, e a crença de que os que mais ganham são os melhores. O diretor-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, calou a boca de um acionista em um debate dizendo-lhe: "Tenho a razão porque sou mais rico do que você".

Esse tipo de cultura, desconhecida antes de Thatcher e Reagan, engendrou os Madoff, os Berlusconi e os Murdoch de nossos dias.

Com o passar do tempo, a maré subiu até causar a perda de identidade da esquerda, neutralizada pela prolongada campanha para um capitalismo desbocado como a única solução.

Thatcher lutou eficazmente para que a Grã-Bretanha obtivesse privilégios especiais na Comunidade Econômica Europeia, plantando as sementes que colheram os céticos do euro, que agora condicionam o governo de David Cameron.

Seus sucessores John Major e Tony Blair, e o próprio Cameron, empreenderam ações desde a guerra no Iraque até a extrema austeridade atual, que não seriam imagináveis sem o legado de Thatcher.

O sonho de uma Europa unida está em sério perigo. Não há solidariedade entre Europa do Norte e Europa do Sul. Os interesses nacionais estão se impondo sobre os comunitários, tal como está ocorrendo no plano mundial. O fato é que não há valores comuns capazes de consolidar a cooperação internacional.

Atualmente não dispomos de governo internacional, no sentido real da palavra. A ONU foi confinada aos temas do desenvolvimento. O mundo não é capaz nem mesmo de tomar medidas concretas para enfrentar a mudança climática, que constitui uma ameaça real para a humanidade.

Pelo contrário, muitas companhias esperam com entusiasmo o degelo do Ártico, pelas perspectivas que se abririam para o tráfego e a exploração de minérios e hidrocarbonos.

As finanças estão fora de controle e a desigualdade é escandalosa. Em 2012, o capital apropriado pelos cem indivíduos mais ricos do mundo cresceu US$ 240 bilhões, uma soma que bastaria para resolver os problemas da pobreza global.

Porém, não se ouve uma só voz pedindo a redistribuição desse descomunal lucro. Como essas cem pessoas já são enormemente ricas, não sofreriam muito se pagassem um imposto de 75% sobre o lucro.

A tentativa de aplicar esta ideia equitativa na França converteu o presidente François Hollande em objeto de escárnio.

O desastre financeiro afundou mais de cem milhões de pessoas na pobreza. E, segundo a Eurostat, o desemprego entre os jovens europeus chegou a 22,4% no ano passado.

Por que tudo isto é tolerado, por que não há uma verdadeira reação? Porque todos nos tornamos thatcheristas. Envolverde/IPS

* Roberto Savio, fundador e presidente emérito da agência de notícias IPS (Inter Preess Service) e editor do Other News. (FIN/2013)

 
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