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Caminhadas conectam os palestinos com seu passado
Jillian Kestler-D'Amours

Deir Ghassaneh, Palestina, 21/5/2013, (IPS) - Entre as árvores emerge uma cúpula de cor terracota, localizada sobre uma antiga casa de pedra, usada há séculos para orações.


Crédito: Jillian Kestler-D’Amours/IPS
Vista do santuário de al-Qatrawani, uma parada no caminho sufi na aldeia de Atara, na Cisjordânia.
Ao longe se vê os verdes vales e as colinas do centro da Cisjordânia. Este santuário, conhecido como Al-Khawass, fica a 540 metros de altitude, na aldeia palestina de Deir Ghassaneh. É uma das várias paradas ao longo do caminho sufi, que começa no vale abaixo e faz visitantes e moradores do lugar voltarem aos tempos em que o sufismo, uma forma mística do Islã, estava generalizado na área.

"Quero que os estrangeiros conheçam a cultura palestina, nossa cultura. E quero que os palestinos sejam tenazes nisto. Este é o lar de vocês. Orgulhem-se da terra, da pátria", disse Rafat Jamil, diretor de trajetos e guia da Associação Rozana. Com sede em Birzeit, perto de Ramalá, esta entidade trabalha para restaurar edifícios históricos palestinos, bem como para fortalecer o patrimônio cultural palestino. A organização também criou três rotas sufis no centro e no norte da Cisjordânia.

Os participantes destas excursões de um dia veem cerca de cinco santuários ao longo desses caminhos e apreciam a paisagem do lugar. Indicadores pintados com as cores da bandeira palestina (vermelho, verde e branco) e localizados a cada 30/40 metros avisam aos turistas que estão no caminho certo. A Cisjordânia tem aproximadamente 600 santuários sufis, entre eles alguns com 800 anos, segundo Jamil. Muitos foram construídos quando o Sultanato Mameluco e o Império Otomano governavam a antiga Palestina.

"Há uma luta em torno da história. Para os israelenses nada é palestino, somente judeu e israelense. A ideia é que as pessoas conversem sobre a história da Palestina e que queiram ver santuários e casas antigas, dos períodos romano e otomano", explicou Jamil à IPS. "Os israelenses afirmam que toda cultura daqui é deles", acrescentou, ressaltando que, no entanto, quando os turistas se aproximam "veem algo mais".

O turismo alternativo na Palestina não é um fenômeno novo. Dezenas de organizações lideram rotas na Cisjordânia e em Jerusalém, que incluem viagens "políticas" durante o dia, estadias em casas de famílias palestinas, colheita de azeitona e festivais de arte e patrimônio cultural. Mas a gradual expansão e o desenvolvimento das rotas para caminhadas nos territórios ocupados é algo que os palestinos esperam que atraia tanto turistas quanto apoio internacional.

"Queremos trazer turistas para áreas onde nunca estiveram, e gerar um bom impacto econômico na comunidade", disse Michel Awad, diretor-executivo e cofundador do Centro Siraj, uma operadora de turismo sem fins lucrativos com sede em Beit Sahour, perto de Belém. Se mais pessoas passassem mais tempo nos territórios palestinos, "partiriam com uma compreensão real da causa palestina e se tornariam promotores da justiça em seus países", acrescentou.

O Centro Siraj organiza trajetos a pé ou de bicicleta, bem como excursões políticas para visitantes internacionais por toda a Cisjordânia. Estas incluem a chamada Rota da Natividade, que serpenteia de Nazaré a Belém, e que, acredita-se, segue a viagem feita por José e Maria antes do nascimento de Jesus, ou os caminhos do patriarca Abraão, que incluem 170 quilômetros desde Naplusa até Hebrón.

Awad contou à IPS que os operadores turísticos israelenses manejam a maioria dos percursos de peregrinos religiosos - todo um negócio na Terra Santa -, embora estes invadam áreas palestinas. Frequentemente, os turistas visitam locais sagrados em Belém e voltam à noite para hotéis administrados por israelenses em Jerusalém, por exemplo. Desta forma, o turismo baseado na comunidade é uma alternativa a estes itinerários religiosos e fortalece os palestinos.

Israel não pode competir, porque estes trajetos implicam muito mais que uma caminhada, detalhou Awad. "Trata-se de conhecer a comunidade e as famílias. É totalmente diferente", ressaltou. Os conselhos de aldeias e povoados palestinos fornecem insumos e orientação para as caminhadas do Centro Siraj, e com regularidade as famílias recebem participantes para almoços ou pernoite em suas casas. As famílias que preparam essas refeições durante as excursões semanais, por exemplo, recebem 40 shekels (US$ 10) para cada convidado.

"Nosso objetivo é criar na Palestina um novo turismo baseado em experiências que permitam aos viajantes viver a hospitalidade palestina e conhecer muitas paisagens. Queremos criar um novo tipo de turismo que esteja em contato com as comunidades locais e que gere benefícios diretos para as áreas rurais", pontuou Awad. Entre janeiro e junho de 2012, foram realizadas cerca de 3,5 milhões de visitas a locais turísticos nos territórios palestinos ocupados, segundo o Escritório Central Palestino de Estatísticas, a maioria na região de Belém. No entanto, realizar excursões na Palestina vai além de gerar turismo.

"Nos encanta a paisagem: as pedras, as árvores, tudo. É um sopro de ar fresco, literalmente", disse Bassam Al Mohor, fotógrafo e membro do grupo excursionista Shat-ha, com sede em Ramalá. Toda sexta-feira essa entidade organiza passeios por diferentes áreas da Cisjordânia, e ocasionalmente a lugares dentro de Israel, da Jordânia ou de outros países. Os trajetos não são complicados, são gratuitos e geralmente duram desde as primeiras horas da manhã até o começo da tarde. A organização tende a se centrar em palestinos da área, embora os visitantes internacionais sejam bem-vindos, já que busca conectar os palestinos urbanos com os rurais, fortalecendo os vínculos entre o povo e sua pátria.

"A paisagem na Cisjordânia está diminuindo, desaparecendo, morrendo lentamente. E isso se deve principalmente à ocupação. Se nos aproximamos das colônias israelenses corremos o risco de sermos atacados. É realmente triste ver que caminhos, pelos quais fazíamos lindas caminhadas, repentinamente ficaram fora de nossos limites", disse Mohor. "Porém, quando se caminha e se vê antigas casas de pedra ou varandas ou povoados antigos, a primeira coisa que chama a atenção é esse patrimônio. Não sabíamos que a natureza pode ser assim. É possível se perder nisto", acrescentou Mohor. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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