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"Sinto-me indígena em qualquer lugar"
Lucy Westcott

Nações Unidas, 29/5/2013, (IPS) - As vozes dos jovens aborígines se fazem ouvir no décimo-segundo período de sessões do Fórum Permanente para as Questões Indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece até o dia 31.


Crédito: Cortesia Andrea Landry
“A ideia ocidental de sucesso é diferente da do indígena”, disse Landry.
Uma delas é a de Andrea Landry, de 24 anos. O mundo se torna cada vez mais jovem. A população do planeta superou sete bilhões de habitantes no ano passado, e mais da metade tem em torno de 30 anos, segundo um informe da consultoria Euromonitor International. A maioria dessas pessoas vive no Sul em desenvolvimento.

Landry é originária da comunidade nativa Primeira Nação de Pays Plat, perto de Thunder Bay, no sudeste do Canadá. Na língua ameríndia anishinaabe leva o nome de Mulher com Coração de Águia. Estuda comunicações e justiça social na Universidade de Windsor, e defenderá sua tese em agosto. A IPS conversou com Landry sobre os desafios que os jovens aborígines de todo o mundo enfrentam e sobre a possibilidade de reconectá-los com suas culturas por meio das novas tecnologias.

IPS: Como você se envolveu na defesa dos povos indígenas?

Andrea Landry: Meu pai era militar, assim cresci em diferentes lugares. Fui à escola em Thunder Bay, mas ali não havia muitos estudantes aborígines. A cada duas semanas minha mãe nos levava, eu e minhas irmãs, de regresso à comunidade. Minha mãe também nos levava aos Centros da Amizade (de apoio às comunidades indígenas) para ajudar a nos reconectarmos com nossa história, com nossa cultura, e constantemente nos lembrava quem éramos. Há três anos começou meu trabalho de defesa na Associação Nacional de Centros de Amizade (são 119 no Canadá), onde cheguei a diretora-executiva de juventude. Participo da direção e tenho reuniões com o governo canadense sobre temas relacionados com a juventude indígena. Asseguro que nossas histórias sejam conhecidas em primeira mão, e não por intermédio do governo.

IPS: Acredita que os jovens indígenas que se mudaram para as cidades se sentem desconectados?

AL: Creio que depende da família. Muitas crianças indígenas são levadas para casas de acolhida ou tutela. Ainda assim, é inevitável que se sintam atraídos por sua cultura e história aborígine. É algo que está dentro da gente: eu me sinto indígena não importa aonde esteja. Os Centros de Amizade no Canadá também oferecem oportunidades de se reconectar com a comunidade, conversando com anciãos e aprendendo sua língua. Em Thunder Bay, cidade onde vivi, havia muito racismo em relação aos aborígines, e isso faz você sentir vergonha. Tenho uma mistura de raças, e então perguntava a mim mesma: "Bom, mas o que sou? Sou branca ou morena?", porque as meninas brancas me diziam: "Você é muito morena", e as meninas aborígines me diziam: "Você é muito branca". No Canadá temos a Rede de Televisão de Povos Aborígines, que oferece programas e informação para a população indígena e é administrada por indígenas. Também temos vários veículos de imprensa aborígines, mas não são muito conhecidos. Nos meios de comunicação predominantes há uma carência de representação dos povos indígenas canadenses.

IPS: A internet serve de ferramenta para os jovens indígenas se reconectarem com sua cultura?

AL: Muitos jovens anishinaabe estão aprendendo sua língua por meio de um aplicativo de iPhone. Alguns jovens na comunidade dirão: "Estou aprendendo a língua graças a este aplicativo", e os anciãos dirão: "Deveria ter vindo conversar comigo". As mídias sociais e a internet são boas, mas não à custa de aprender da forma tradicional, de nossos anciãos, pela tradição oral. Agora, aprender com um ancião não parece ser tão importante como deveria.

IPS: Há oportunidades no Canadá para que os jovens indígenas aprendam sobre sua história e sua cultura nas escolas?

AL: O sistema educacional no Canadá não oferece uma oportunidade adequada para o aprendizado das culturas indígenas do país. Durante meu mestrado não encontrei um só artigo dedicado aos povos indígenas ou realizado por acadêmicos indígenas. Disse aos meus professores que é importante incluir a cultura aborígine no diálogo e nas aulas.

IPS: Quais desafios ou problemas enfrentam os jovens indígenas ao redor do mundo?

AL: Sofrem um status socioeconômico baixo, alto desemprego, educação de má qualidade e isolamento. Há muitas comunidades, sobretudo no noroeste do Pacífico, nas quais só é possível chegar por avião, e estão a duas horas e meia de qualquer outro lugar. As populações indígenas também enfrentam problemas de saúde e dificuldades para se adaptar à dieta ocidental. Nossos sistemas não foram desenhados para a comida norte-americana, abundante em gordura. Comíamos urso, alce, e agora comemos no McDonald's e no Burger King. Também temos diferentes percepções sobre o sucesso. A ideia ocidental de sucesso, que é material e financeira, é diferente da minha. Temos sucesso em nossa cultura, em nossa comunidade.

IPS: O que o futuro reserva para os jovens indígenas?

AL: Agora estamos sendo levados a sério, nos permitem falar alto e claro. Estamos sendo reconhecidos em sistemas ocidentais como a Organização das Nações Unidas (ONU), e como jovens estamos tendo prioridade. Depois do meu mestrado, quero continuar defendendo os jovens e os povos indígenas em geral. É realmente minha paixão. Espero que esta geração continue trabalhando por um futuro melhor. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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