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Líderes religiosos islâmicos pedem apoio para rebeldes sírios
Emad Mekay

Los Altos, Estados Unidos, 18/6/2013, (IPS) - Eruditos religiosos sunitas lideram uma campanha na qual exortam os muçulmanos de todo o mundo a apoiarem os rebeldes na Síria e condenam as atrocidades cometidas pelo regime de Bashar Al Assad.


Crédito: Freedom House/CC by 2.0
Fumaça negra emerge da bombardeada cidade de Aleppo, na Síria, em dezembro de 2012.
No dia 14, o imã da Grande Mesquita de Meca, xeque Saudi Al Shoreym, fez um incomum chamado aos maometanos para oferecerem assistência, "por todos os meios", aos rebeldes e civis no conflito sírio.

Por sua vez, o popular pregador islâmico saudita Mohammed Al Erify, convidado nesse mesmo dia a uma mesquita no centro do Cairo, em seu sermão pediu aos fiéis para apoiarem os grupos que lutam contra o regime de Al Assad, apoiado pelo Irã, e se alistem na jihad (luta).

No dia 13 deste mês, dezenas de eruditos islâmicos sunitas, em sua maioria de países do Golfo, se reuniram no Cairo para fazer um chamado à jihad na Síria. Antes, no dia 4, o canal de televisão Al Arabiya, financiado pela Arábia Saudita, entrevistou em Doha o líder islâmico conservador Youssef Qaradawi, que fez uma exortação pelo apoio à jihad contra as forças do libanês Hezbolá (Partido de Deus), que luta a favor do regime de Assad.

Esta multiplicação de chamados por apoio à oposição síria ocorre semanas depois que as milícias xiitas do Hezbolá intervieram na Síria e expulsaram os rebeldes da cidade de Al Qusair, de importância estratégica. Os rebeldes tiveram a cidade sob seu controle por meses e o revés alterou o equilíbrio de poder desde que a oposição pegou em armas e começou a expulsar as forças do governo de várias localidades, em dezembro de 2011.

A imprensa síria, controlada pelo governo, informa que as forças de Assad avançam para o reduto rebelde de Homs, enquanto a agência de notícias iraniana Fars informou, ao longo da segunda semana deste mês, que o exército sírio ganhava terreno em diferentes partes do país. Os chamados à jihad contra o regime de Assad, membro do ramo alauita do Islã, aumentaram depois que os Estados Unidos expressaram, no dia 13, sua disposição de enviar armas aos rebeldes sírios. Washington disse que Damasco cruzou a "linha vermelha" ao usar armas químicas contra seu próprio povo.

Durante a invasão soviética do Afeganistão, nas décadas de 1970 e 1980, os Estados Unidos e a Arábia Saudita assumiram papéis semelhantes. Washington forneceu armas aos combatentes afegãos e Riad entrou com financiamento e justificativas religiosas para lutar contra os soviéticos.

Nas últimas semanas, a imprensa árabe esteve dominada por testemunhas oculares de uma constante chegada à Síria de combatentes xiitas procedentes de Iraque, Líbano e Irã para apoiar o regime de Assad. Os informes também indicam crescente tensão sectária no fundo do conflito. Eruditos sunitas acusam o Irã e o Hezbolá de converterem a crise síria em uma guerra sectária. A rebelião começou como uma série de protestos pacíficos pró-democráticos na cidade de Dera'a, nos primeiros meses da Primavera Árabe. Os protestos rapidamente derivaram em uma guerra que custou a vida de aproximadamente 93 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

O sermão de Shoreym no dia 14 foi transmitido ao vivo por várias emissoras de televisão árabes. O pregador saudita é bastante respeitado em muitos países sunitas. Em sua emotiva pregação, Shoreym chorou ao recordar o sofrimento dos civis sírios. "As mulheres perderam seus maridos, os filhos se converteram em refugiados e suas casas foram destruídas pelas forças de agressão e tirania. Isto obriga todos a emprestarem uma mão e ajudar", afirmou. No passado, Shoreym raramente fez comentários sobre política, por isso seu sermão foi especialmente significativo.

Por sua vez, os eruditos islâmicos sunitas, reunidos no Cairo na semana passada, fizeram "um urgente chamado à jihad" na Síria. Isto, "sem dúvida, terá um impacto no terreno", destacou Gamal Sultan, editor do jornal Al Mesryoon, do Cairo. "O mundo acreditava que o povo sírio poderia se vender barato à tirania de Assad, mas os líderes religiosos demonstraram que isso é falso", afirmou. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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