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COLUNA
A verdadeira vítima do golpe no Egito
Emad Mekay*

Berkeley, Estados Unidos, 10/7/2013, (IPS) - Depois que a junta militar do Egito, armada, equipada e financiada pelos Estados Unidos, realizou seu golpe de Estado contra o primeiro governo livremente eleito na história do país, haverá muitas vítimas.

Militares egípcios disparam contra civis.
Entretanto, as principais não serão o derrubado presidente Mohammad Morsi, nem os islâmicos, que são bons sobreviventes por natureza. Serão a democracia e a fé popular nela em todo o mundo. A vítima será a única oportunidade que os egípcios tiveram de ser parte deste mundo em seus mais de cinco mil anos de história.

Nas eleições, os egípcios, jovens e velhos, mostraram ao mundo seu desejo de mudança e sua esperança, enquanto faziam fila sob o calor do deserto durante horas para tentar depositar seu voto e ter ingerência, pela primeira vez, no futuro de seu país.

Enquanto cobria a Primavera Árabe, vi mulheres jovens vestidas à moda ocidental, esperando para votar ao lado de outras cobertas dos pés à cabeça pelo neqab, vestimenta tradicional das muçulmanas.

A mensagem era: "queremos democracia, não o regime militar que nos controlou durante 60 anos". A cidadania votou uma Constituição, um parlamento e um presidente, enquanto o mundo observava com surpresa e admiração.

Luzindo sua pobre vestimenta, o porteiro do meu prédio fez fila junto a ricos proprietários do bairro. Um valor universal de igualdade, liberdade e esperança se percebia no ar.

Morsi foi o presidente que chegou ao governo com muito menos que os usuais e suspeitosos 90% dos votos que costumam receber tantos governantes árabes.

Contudo, na noite do dia 3 de julho, vi como veículos Humvee fornecidos pelos Estados Unidos eram usados pelas "forças especiais" do Egito enquanto disparavam contra civis que protestavam contra o golpe militar na Praça Nahda, fora da Universidade do Cairo, onde há alguns anos o presidente Barack Obama ofereceu ao mundo muçulmano um discurso sobre a paz e o fim do terrorismo.

Os vídeos mostram vários feridos, sangue e gente morrendo enquanto diziam suas últimas palavras em favor da liberdade. Os militares apoiados pelos Estados Unidos tentavam dispersar os partidários de Morsi antes de divulgar uma declaração formal do golpe de Estado.

Em outro ponto onde se reuniam partidários da democracia, Rabaa Al-Adawia, no distrito cairota de Cidade Nasr, os militares impuseram um estado de sítio que bloqueou inclusive a passagem de alimentos ou outras provisões, obrigando seus moradores a saírem para obtê-los, enquanto franco-atiradores montavam guarda nos terraços, com as pessoas nas miras de suas armas.

Enquanto o general do exército Abdel Fatah Al-Sissi, treinado pelos Estados Unidos, prometia transparência e liberdade em seu discurso do dia 3, no qual declarou o golpe, vários civis sentados ao seu lado demonstravam seu apoio a um regime militar.

Entretanto, na medida em que Al-Sissi falava, todos os canais de televisão que haviam apoiado as eleições e Morsi eram fechados simultaneamente, e vários de seus funcionários presos, humilhados e obrigados a passar entre colunas de opositores alegres e de outros trabalhadores da mídia privada, que apoiou o golpe.

As comunicações por telefone foram cortadas na área onde estavam reunidos os partidários de Morsi, sinal de que tipo de liberdade espera o Egito. Este foi o final trágico da nascente democracia do país, e uma amostra do futuro que tem pela frente sob o comando de forças armadas apoiadas pelo Ocidente.

Mas, quem quer uma volta ao regime militar brutal? Bem, muita gente: civis que esperam tirar proveito de um governo militar e que estão dispostos a sacrificar a democracia e a dar um rosto civil ao golpe em seu próprio benefício.

Obviamente, os militares, que gozam de enormes benefícios financeiros e da livre propriedade de vastas e caras terras, de clubes sociais exclusivos e de descontos em praticamente cada compra.

Eles não querem inspeções nos subornos que recebem pelas exorbitantes compras de armamentos. Eles lançaram seus partidários nas ruas.

A Igreja Copta do Egito, cada vez mais militante, que controla os cinco milhões de cristãos do país e que possui importantes interesses econômicos, também quer a volta do governo militar. E lançou seus seguidores, em massa, nas ruas.

Morsi e os islâmicos haviam introduzido a ideia de legislar para impor controles sobre as finanças da Igreja, medida que encontrou forte oposição do clero cristão. Para o novo e controvertido papa copto Teodoro II foi muito fácil enviar centenas de milhares de seus fiéis às ruas para pedir a derrubada de Morsi e misturar a reclamação com as queixa sobre a segurança.

Também há uma conspiração de ex-membros do regime de Hosni Mubarak (1981-2011) que não têm estômago para um sistema de freios e equilíbrios. Além disso, a força policial, que prosperou com base em assassinatos e que desfrutou dos benefícios do regime, nunca se sentiu cômoda com uma mudança de regime e uma democracia.

Muitos de seus integrantes aguardavam julgamentos por abusos dos direitos humanos. Todos eles protestavam contra Morsi, sem paciência para esperar uma mudança democrática.

Certamente há outros pilares do regime de Mubarak, como o grande imã da mesquita Al-Azher, xeque Ahmed el-Tayeb, bastião do Islã sunita, cujo papel sempre foi branquear os abusos de ditadores como fatos justificáveis pela religião, por meio de uma série de controvertidas "fatuas" (decretos religiosos). Ele enfrentava o fantasma de uma eventual destituição sob o governo de Morsi.

Outros que queriam o regresso do regime militar sob uma frágil máscara civil são os salafistas, que contam com apoio da Arábia Saudita.

Este grupo religioso professa a ideia de "nunca disputar o governante em seu governo" e adere ao lado conservador do Islã, de um modo muito semelhante ao sistema religioso saudita, que dá maior importância à vestimenta do que à forma de governo dos muçulmanos, e em colisão direta com a ideologia da Irmandade Muçulmana, que promove a participação política.

Todos eles encontraram seu ponto de confluência em um general de exército ambicioso, mas pouco conhecido, que mirou o governo do Egito e planejou erradicar a Constituição, a legitimidade e as eleições segundo seu capricho.

Sem dúvida, Morsi e os islâmicos cometeram muitos erros. O presidente assim admitiu em seus últimos discursos e prometeu correções na qualidade de presidente democraticamente eleito.

A forma de resolver esses problemas deveria ter sido por intermédio das urnas, e não por um golpe de Estado que já é sangrento. Agora, a democracia sangra. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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