África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Países do Caribe buscam financiamento para energias limpas
Jewel Fraser

Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 10/7/2013, (IPS) - Quando James Husbands, um empresário de 24 anos de Barbados, começou a lidar com a possibilidade de fabricar aquecedores de água solares, na ilha já existia um protótipo projetado e instalado por um sacerdote anglicano que viveu ali no começo da década de 1970.


Crédito: Cortesia de CREDP
Meninos e meninas aprendem sobre energia solar durante uma exibição em Georgetown, Guiana
Uma organização não governamental local fez um estudo de mercado para determinar a viabilidade de produzir aquecedores de água solares.

A pesquisa, junto com o fato de o governo de Barbados gravar as importações destes produtos procedentes de uma empresa australiana, convenceu Husbands de que era o momento adequado para entrar nesse setor. O agora diretor-gerente da Solar Dynamics contou à IPS que o apoio governamental no final dos anos 1970 foi crucial para o êxito de seu empreendimento. Atualmente, Barbados tem a quinta maior penetração mundial de aquecedores de água solares para cada mil unidades habitacionais.

Arnaldo Vieira de Carvalho, especialista da Divisão de Energia do Setor de Infraestrutura e Meio Ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), disse à IPS que a América Latina e o Caribe usam energias renováveis em maior proporção do que qualquer outra região, embora boa parte delas seja hidrelétrica e biocombustível. O uso de energia eólica e solar é ínfimo.

O BID e seus sócios patrocinam, desde 2009, uma competição de projetos de energias renováveis e eficiência energética no Caribe, cujos ganhadores recebem até US$ 100 mil em financiamento e apoio técnico. No ano passado selecionaram oito ganhadores. Entre os critérios do concurso Ideias consta que os projetos ganhadores devem favorecer os pobres, a igualdade de gênero e as comunidades indígenas. Um incentivo adicional para acelerar o lento ritmo do desenvolvimento de energias renováveis, embora a região não seja uma fonte importante de emissões derivadas da queima de combustíveis fósseis, é a onda de devastadores desastres naturais da última década.

Ulric Trotz, subdiretor e assessor científico do Centro de Mudança Climática da Comunidade do Caribe (CCCCC) recordou à IPS, por email, que "eventos meteorológicos extremos (frequentemente associados com a mudança climática) causaram danos significativos na região, como, por exemplo, o furacão Ivan em 2004, que arrasou cerca de 200% do produto interno bruto de Granada". "De modo semelhante, uma inundação única em cem anos arrasou, em 2005, mais de 60% do produto interno bruto desse país, fazendo com que passasse de uma posição de crescimento positivo para uma de crescimento negativo real", explicou.

Em razão disso, os governos caribenhos começam a adotar um enfoque mais proativo para promover o desenvolvimento das energias renováveis, estabelecendo uma Unidade de Energia na sede regional da Comunidade do Caribe (Caricom), que trabalha junto com o CCCCC. Trotz afirmou que promover as energias renováveis é importante porque, "ao desviar custos da importação de combustíveis fósseis, os países caribenhos terão recursos adicionais derivados desta economia para destinar à criação de resiliência diante dos impactos da mudança climática e da vulnerabilidade climática".

A região não está apenas se centrando em passar para energias renováveis, mas na eficiência energética, ressaltou Trotz. "Reunir projetos de energias renováveis de toda a região pode ter um efeito catalisador para incentivar os investimentos, já que isto pode baixar significativamente os custos de transação e tornar mais atraentes os investimentos", acrescentou. Com exceção de Trinidad e Tobago, que é produtor de petróleo, atualmente o Caribe gasta a cada ano milhares de milhões de dólares na importação de combustíveis fósseis.

Em maio, enquanto visitava este país, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, destacou que é preciso reduzir os custos da energia na região e aumentar o uso de fontes renováveis. "Provavelmente, não haja nenhum grupo de nações melhor situadas para aproveitar as possibilidades das energias renováveis do que aqui, o Caribe", afirmou Biden. "E nós sabemos que muitas nações caribenhas pagam três vezes mais pela energia do que nós nos Estados Unidos. Estamos trabalhando nisto, com o olhar voltado para o investimento em redes elétricas regionais conectadas para criar economias de escala, e economias de escala em matéria de energias renováveis", ressaltou.

A região também buscou ajuda de sócios da União Europeia e lançou o Programa Caribenho de Desenvolvimento de Energias Renováveis (CREDP), com o objetivo primordial de fortalecer a capacidade dos países do Caribe para mobilizar os investidores a fim de concretizar a passagem dos investimentos em energia convencional para as renováveis. Segundo Thomas Scheutzlich, assessor principal do CREDP desde 2003, a falta de um contexto político legal habitante e a falta de propostas bem definidas de projetos financiáveis são barreiras importantes para o desenvolvimento de iniciativas de energias renováveis na região.

Scheutzlich tem uma responsabilidade geral na implantação do programa do CREDP em nome da consultoria alemã Projekt-Consult GmbH, encarregada desta tarefa pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). A Alemanha entra com 80% do financiamento do CREDP. Um problema é que muitos bancos da região duvidam da solidez econômica dos empreendimentos em matéria de energias renováveis, e não são capazes de avaliar os riscos inerentes a essas novas tecnologias, pontuou o assessor.

A falta de garantias governamentais também faz com que bancos tradicionais sejam reticentes em apoiar esses projetos. Porém, bancos regionais e internacionais, com BID, Banco Europeu de Investimentos e Banco de Desenvolvimento do Caribe, "buscam projetos energéticos financiáveis e oferecem financiamento", apontou Scheutzlich. "Ainda há uma falta generalizada de compreensão do potencial das fontes autóctones de energia e da eficiência energética em toda a sociedade. Assim, os governos não podem promover o que não entendem, e as empresas de serviço público não promovem o que elas mesmas não estão produzindo", ressaltou.

As empresas de serviço público na região geralmente têm o monopólio universal sobre geração, transmissão, distribuição e venda de eletricidade. Segundo Scheutzlich, "este é seu modelo empresarial tradicional e só se desviará desse modelo se para elas for economicamente atraente". No entanto, apesar do ritmo lento com que ocorrem as mudanças no Caribe, nos últimos anos a paisagem energética foi alvo de uma virada positiva, em que "os processos de mudança foram acelerados e ganharam certo dinamismo, e isto é exatamente o que o CREDP quer disparar", concluiu. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Yakama Nation Tells DOE to Clean Up Nuclear Waste
 World Cuts Back Military Spending, But Not Asia
 The Iranian Nuclear Weapons Programme That Wasn’t
 U.S. Blasted on Failure to Ratify IMF Reforms
 Developing Nations Seek U.N. Retaliation on Bank Cancellations
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Sospechosos de terrorismo ante aterrador sistema judicial de EEUU
 Gobierno de Sudán del Sur aprieta la mordaza
 Ruanda se atreve a tener dulces sueños, y con sabor a helado
 Uruguay no es “pirata” por legalizar la marihuana
 Anfitrión de la ONU cierra con llave cuando quiere
MÁS >>