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Metrossexualidade em Cuba: mentes machistas em corpos cuidados
Ivet González

Havana, Cuba, 10/7/2013, (IPS) - Alguns jovens cubanos mudam o padrão estético masculino tradicional e passam muitas horas na frente do espelho ou em uma academia, mas continuam reproduzindo a conduta machista hegemônica, segundo especialistas reunidos na capital do país.


Crédito: Jorge Luis Baños/IPS
Jovens cubanos, sobretudo nas cidades, seguem a moda de se preocupar muito com a própria aparência física.
"Vemos por toda Cuba rapazes que fazem as sobrancelhas e pintam os cabelos, enquanto seguem repetindo internamente o modelo tradicional de forma acrítica", disse à IPS a psicóloga Airelav Pérez, da filial universitária de Ciências Médicas Efraín Benítez Popa, da cidade de Bayamo.

Pérez e sua equipe aplicaram este ano a metodologia dos Processos Corretores Comunitários (ProCC), criada pela argentina Mirtha Cucco há quase 40 anos, a um grupo de 27 estudantes de medicina para conhecer esse assunto. "Embora tenha sido um estudo muito pequeno, nos parece significativo que as pautas de criação destes estudantes continuam afiançando o modelo hegemônico de masculinidade, que eles repetem ao mesmo tempo em que rompem com a estética do homem tradicional", explicou a psicóloga.

A seu ver, "parece que o padrão tradicional não responde totalmente às necessidades dos rapazes atuais, por isso estilizam um pouco mais seu corpo e se preocupam com a higiene, o cuidado e a beleza, algo que antes não era tão importante"'. Pérez também interpretou essa realidade como "pelo menos alguma coisa está mudando". A "maioria expressou que fazia isso (tendência conhecida internacionalmente como metrossexualidade) para agradar as moças ou seguir a moda imposta por artistas e esportistas", afirmou Karelia Fernández, também autora do estudo que perguntava se a nova imagem masculina está acompanhada de mudanças internas nos jovens.

"Inclusive, disseram que se cuidar não corresponde ao que é exigido de um homem, mas é cômodo", contou Fernández sobre os resultados do trabalho apresentado na oficina Jornadas 2013. Questões de Gênero: As Contribuições ProCC, que aconteceu na semana passada. Este painel, onde foram apresentadas pesquisas sobre masculinidade realizadas com a mencionada metodologia, nasceu da colaboração entre o Centro Nacional de Educação Sexual, de Cuba, e o Centro de Desenvolvimento de Saúde Comunitária Marie Langer, com sede em Madri.

Profissionais e instituições usam o método ProCC de trabalho e pesquisa comunitária, presente em Cuba há 25 anos, que persegue, entre outros objetivos, "criar espaços de reflexão onde as pessoas se conheçam, interajam e tenham elementos de análise para encontrar em grupo soluções para seus problemas", explicou Cucco. "As pessoas vivem com muitos incômodos e nem questionam nem analisam porque os consideram normais", afirmou a psicóloga argentina em conversa exclusiva com a IPS.

Por isso, ela e seus colaboradores desenvolveram um método para acompanhar as comunidades na busca de melhor saúde e qualidade de vida. Escolas para pais e mães, espaços para adolescentes, terceira idade, homens, mulheres e profissionais, entre outros, são criados com suas particularidades, sobretudo na Espanha, Cuba e Argentina, onde os ProCC têm mais seguidores. Também chegou até Bolívia, Peru, Colômbia, Brasil, Venezuela e México, disse Cucco.

A atual edição das Jornadas, com participantes de diversos países ibero-americanos, apostou em analisar a masculinidade, "uma problemática tornada invisível", segundo a acadêmica. Nos últimos anos, os estudos da masculinidade floresceram em Cuba e cada vez mais ganham o interesse de pesquisadores e ativistas. No entanto, o grande desafio está em os homens questionarem os diversos matizes do machismo e acompanharem a emancipação conseguida pelas mulheres.

As cubanas, que devem continuar se liberando, têm elevados níveis de instrução, engrossam a força técnica e constituem 48,9% do parlamento unicameral do país, entre outros avanços que, de alguma maneira, provocam mudanças nos homens. Mas eles precisam questionar a si mesmos, alertam especialistas. "Os jovens não têm esse sistema de interesses. Algumas inquietações a respeito aparecem às vezes quando se casam, são pais ou trabalham", pontuou o psiquiatra Armando Guzmán, do Centro Comunitário de Saúde Mental, do município de Arroyo Naranjo, em Havana.

Guzmán aplica os ProCC na atenção a problemas de drogas, conflitos familiares e trabalhistas, violência e relações entre pais e filhos, entre outros. O estudioso da masculinidade Alejandro Céspedes concorda com os resultados obtidos pela equipe de Bayamo. "A metrossexualidade é uma moda que toma conta da juventude cubana, principalmente na universidade. Porém, não constitui em sua essência um modelo distinto do patriarcal", ressaltou à IPS.

O termo metrossexual foi cunhado em 1994 pelo jornalista britânico Mark Simpson para definir os homens urbanos europeus que se preocupam muito com sua imagem física, depilam quase todo o corpo, usam cremes e outros cosméticos. No final do século 20, sobretudo jovens das cidades cubanas começaram a seguir essa moda. "Hoje é algo normal e mais difundido. Esta moda não define a forma de ser da pessoa nem sua orientação sexual", disse à IPS o técnico em agronomia Héctor Montiel. Para este jovem de Havana, de 19 anos, que faz as sobrancelhas e depila as pernas, "o homem cubano é menos machista do que antes".

Céspedes especificou que esta tendência pode ser adotada pelos "setores de maior poder econômico" deste país, que enfrenta profunda crise econômica há mais de duas décadas. O acadêmico integra a Rede Ibero-Americana e Africana de Masculinidades, pioneira em Cuba neste tipo de pesquisa e em propiciar encontros de homens das mais diferentes procedências para debater, sensibilizar e refletir sobre a necessidade da transformação masculina. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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