África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

O heavy metal une árabes e judeus
Pierre Klochendler,

Tel Aviv, Israel, 1/8/2013, (IPS) - Duas bandas de heavy metal israelenses, uma integrada por árabes, a Jalas ("suficiente", em árabe), e outra por judeus, a Orphaned Land ("terra órfã"), dividiram esta semana o palco no Club Hangar 13, no renovado porto de Tel Aviv, e logo iniciarão uma excursão europeia de 18 apresentações.


Crédito: Pierre Klochendler/IPS
Da esquerda para a direita: Abed Khatout, da banda árabe-israelense Jalas, e Koby Farhi, da banda israelense Orphaned Land, com outros músicos em Tel Aviv antes da excursão que farão juntos pela Europa.
Embora a colaboração artística seja em si mesmo um sucesso, porque é bastante raro bandas judias e árabes tocarem juntas, os dois grupos preferem se concentrar em fazer música e não em ressaltar suas respectivas identidades em conflito.

O líder da banda árabe, Abed Jathout, é de Acre, no norte de Israel. O baixista procurou baixar as expectativas durante um ensaio. "Somos companheiros metaleiros antes de tudo. É a música que nos une", afirmou. Na verdade, a única "desconexão" que sentem é com os palestinos que afirmam que este tipo de colaboração musical, apresentada como projetos de coexistência, na realidade apoiam a ocupação israelense da Cisjordânia e Jerusalém oriental.

"Cultivar a irmandade e compartilhar o palco são formas de mostrar que o rock está acima da política", ressaltou Koby Farhi, vocalista e líder da banda judia. A Orphaned Land tem uma mescla de ritmo new age. Suas letras se referem a uma paz profética entre as religiões. A banda se apresentou na Turquia e se orgulha de ser "popular no mundo árabe". Existe uma confusão entre a identidade turca e a árabe, que é comum em Israel devido à cultura islâmica compartilhada pelos dois povos.

Os músicos da Jalas são israelenses de origem palestina, embora se considerem simplesmente palestinos. "Íamos tocar no Egito em novembro, mas uma semana antes o show foi cancelado. Bom, temos passaporte israelense", explicou Jathout. Durante sua apresentação tocaram uma boa versão de Alf Leila wa Leila (Mil e Uma Noites, em árabe), um sucesso da lendária cantora egípcia Umm Kalzum (1898-1975).

As duas bandas procuram defender a ideia de que a música não tem fronteiras e está acima das nacionalidades. Contudo, no mundo da política, a realidade é mais complexa. Um em cada cinco israelenses é de origem árabe-palestina. A maioria destes, na verdade, se consideram palestinos ou "palestinos israelenses". A maioria dos judeus os considera "árabes israelenses", e os de direita os rotulam de "quinta coluna", isto é, simpatizantes do inimigo. Por sua vez, a maioria dos palestinos os chama "árabes de 1948", porque permaneceram no Estado judeu quando este foi criado naquele ano.

Quando Israel lutou sua guerra de independência em 1948 e 1949, centenas de milhares de palestinos fugiram e se converteram em refugiados. Muitos que ficaram passaram a ser refugiados internos, no que se reconheceu com "Nakba" (catástrofe, em árabe). Farhi faz todo o possível para destacar o espírito de companheirismo. "É a segunda noite que tocamos juntos, Orphaned Land e Jalas, como israelenses e árabes", afirmou. Por sua vez, Jathout reconheceu: "odiamos que todo o mundo espere que cantemos sobre a ocupação apenas por sermos palestinos".

Entretanto, os habitantes da Cisjordânia e de Jerusalém oriental seguramente não concordam com a atitude das bandas. Desde a segunda Intifada (levante palestino de 2000 a 2005) mantêm um boicote cultural contra Israel em protesto à ocupação. De todo modo, as severas restrições impostas na Cisjordânia com os postos de controle, os caminhos especiais para a população dos assentamentos, as barreiras e os muros de separação tampouco propiciam um intercâmbio cultural.

As limitações de movimento são aliviadas durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã. As pessoas de idade residentes na Cisjordânia recebem permissão para rezar na Al-Haram ash-Sharif (Esplanada das Mesquitas), lugar sagrado para o Islã, localizado na amuralhada Cidade Velha de Jerusalém. O alívio das restrições se deve, provavelmente, à existência de conversações de paz em andamento.

Além do problema central das fronteiras entre Israel e o futuro Estado palestino, a identidade nacional é um grande obstáculo nas negociações. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, insiste que os palestinos reconheçam seu país como "Estado judeu". Mas o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, é contra porque a denominação ignora a significativa minoria palestina que vive em território israelense.

Desde que o Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) assumiu pela força o controle da Faixa de Gaza e Israel impôs um duro bloqueio em 2007, numerosos artistas palestinos estão proibidos de entrar em território israelense, inclusive o cantor Mohammad Asaf, de Gaza, que venceu o concurso de talentos Arab Idol este ano. A União Europeia anunciou que a partir de 2014 os 28 Estados membros que assinarem acordos de financiamento e cooperação com entidades de Israel estarão obrigados a estabelecer uma diferença entre as que estão em território israelense, propriamente dito, e as que ficam nas colônias judias de Jerusalém oriental e Cisjordânia.

Para a maioria dos judeus israelenses, as 200 mil pessoas que vivem nos bairros judeus de Jerusalém oriental não são colonos, simplesmente "residentes" desta cidade e, naturalmente, israelenses. Além disso, os 400 mil colonos que vivem na Cisjordânia se consideram simplesmente israelenses. Para a União Europeia e todos os países que não reconhecem a legitimidade da ocupação, os israelenses que residem nos territórios palestinos definem sua identidade por imposição e não por reconhecimento.

"Sou totalmente contra os boicotes", disse Farhi. "O propósito da arte é a harmonia e a coexistência, precisamente em lugares onde não existe", afirmou. Orphaned Land e Jalas têm um sonho modesto: "compartilhar um ônibus" durante sua viagem pela Europa. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Panama Regulators Could Slow U.S. Approval of GM Salmon
 Resolving Key Nuclear Issue Turns on Iran-Russia Deal
 Good Twins or Evil Twins? U.S., China Could Tip the Climate Balance
 OPINION: Contras and Drugs, Three Decades Later
 U.S. Contractors Convicted in 2007 Blackwater Baghdad Traffic Massacre
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 San Vicente y las Granadinas se toma en serio el cambio climático
 Hidrocarburos sin controles ambientales, mala mezcla para África
 Los indígenas, convidados de piedra en las concesiones de tierras
 La democracia es “radical” en el norte kurdo de Siria
 Ãfrica puede seguir los pasos de Suiza
MÁS >>