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Outro olhar sobre o povo das favelas durante a Rio+20
Clarinha Glock
Rio de Janeiro, Brasil, 20/6/2012 (TerraViva) (IPS) - Enquanto as delegações dos países participantes da Rio+20 discutem projetos de cidades inclusivas, fim da pobreza e propostas de geração de renda voltados para a preservação do meio ambiente, um grupo de moradores de vilas e favelas do Rio de Janeiro começou silenciosamente sua própria revolução.

Eles não têm bandeiras, a não ser o respeito pelas histórias de cada um e a tentativa de se fazer ver e ouvir dentro de uma sociedade competitiva, desigual e injusta.

"As favelas são representadas constantemente como campo de conflitos, espaço de propagação de uma violência atroz, além de ser compreendido como o meio para a difusão da comercialização da droga ilícita. O "outro lado", o das famílias, dos trabalhadores, das crianças, raramente é apresentado, discutido ou mesmo compreendido. A partir do questionamento em torno desta problemática, o Imagens do Povo foi criado pelo Observatório de Favelas do Rio de Janeiro tendo como objetivo principal de todo o trabalho desenvolvido: digam vocês mesmos o que a favela representa para cada um".

Este texto faz parte da apresentação do livro "Imagens do Povo", lançado ontem (19 de junho), pela Nau Editora, com fotos de fotógrafos populares que passaram pelo projeto desenvolvido na Favela da Maré, no Rio de Janeiro. Bira Carvalho, o autor da foto da bandeira rasgada, é um deles. Imagens do Povo é uma agência de fotos feitas por moradores que passaram pelos cursos da escola implantada dentro da favela no ano 2004. Estes retratos mostram a violência sem o sangue explícito como costuma ser retratada a favela nos meios de comunicação tradicionais. Falam da violência gerada pela falta de educação, de saneamento e de serviços básicos de saúde. Os fotógrafos da Escola da Maré captam a humanidade que está muito além da classe social e econômica, que gera sorrisos e sonhos, apesar das dificuldades e diferenças que hoje estão em pauta na Rio+20. (IPS/TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS) (END/2012)