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Partidos políticos lideram percepção mundial de corrupção
Jim Lobe
Washington, Estados Unidos, 11/7/2013 (IPS) - Os partidos políticos são vistos como as instituições sociais mais corruptas em uma maioria de países, segundo uma pesquisa global publicada no dia 9 pela Transparência Internacional, que ouviu mais pessoas em mais países do que nunca, sendo o oitavo estudo publicado desde 2003.

O Barômetro Global da Corrupção 2013, que se baseou em pesquisas com mais de 114 mil pessoas em 107 países, também encontrou uma maioria de entrevistados (54%) para a qual seus governos estão controlados, parcial ou totalmente, por um punhado de entidades que atuam em seu próprio benefício.

Pouco mais de uma em quatro pessoas (27%) reconheceram ter pago um suborno nos 12 meses anteriores para realizar trâmites junto a instituições públicas, como polícia ou tribunais. Mas os subornos mostram maior prevalência em alguns países em relação a outros. Na Austrália, Dinamarca, Finlândia e Japão apenas 1% dos entrevistados admitiram ter pago subornos a funcionários públicos. Entre os países em desenvolvimento, os melhores colocados foram Uruguai, Malásia e Maldivas, onde apenas 3% reconheceram ter subornado servidores públicos no último ano, contra 7% nos Estados Unidos e 5% na Grã-Bretanha.

Estes pagamentos ilegais são muito mais frequentes em países pobres, sobretudo da África, segundo a pesquisa. Mais de seis em cada dez pessoas entrevistadas relataram subornos em Camarões, Quênia, Libéria, Líbia, Moçambique, Serra Leoa, Uganda e Zimbábue. Em geral, a maioria disse acreditar que a corrupção em seus países se agravou desde 2011, quando foi divulgada a edição anterior do Barômetro.

Contudo, dois terços dos entrevistados disseram estar convencidos de que as pessoas comuns podem fazer a diferença no combate à corrupção, embora sejam o segmento que, provavelmente, mais incorreu em condutas como o suborno. Entre 51% e 72% dos entrevistados em cada país se manifestaram dispostos a adotar uma ou mais ações específicas, como ingressar em uma organização anticorrupção, participar de protestos pacíficos e assinar petições públicas.

"Isto demonstra uma ampla vontade de participar que deveria ser aproveitada pelo movimento anticorrupção", afirmou a Transparência, uma entidade não governamental com 90 associações filiadas em diversas partes do mundo. A pesquisa aparece em um momento de particular atenção e mobilização contra as práticas corruptas.

Nas últimas semanas as manifestações realizadas no Brasil tiveram entre seus alvos a estendida venalidade pública. Na Índia, outro populoso país emergente, o movimento anticorrupção que começou em 2011 continua vivo. Da China à Nigéria, comunidades rurais e populações urbanas pobres enfrentam despejos e apropriação de terras por parte de setores ricos e com ligações políticas e judiciais. Movimentos como o norte-americano Ocupe Wall Street ou os indignados de Espanha, Grécia e outros países europeus afetados pela crise econômica, centraram suas críticas na influência desproporcional que corporações e bancos exercem sobre os governos.

O Barômetro é um de vários estudos que observam questões de transparência e cujos resultados são empregados por instituições internacionais como o Banco Mundial, agências de desenvolvimento e empresas privadas para avaliar o risco dos investimentos e dos negócios nos âmbitos nacionais. A Transparência também publica o Índice de Percepção da Corrupção, que no ano passado qualificou 176 países com base em avaliações de analistas de risco, empresários e outros especialistas nacionais e internacionais. Por sua vez, o Barômetro entrevista pessoas comuns.

Este ano, foi solicitado a cada entrevistado que qualificasse a gravidade da corrupção em seu país em uma escala de um (nenhuma gravidade) a cinco. O resultado médio desta pergunta foi de 4,1, mas com enormes variações. Entre os que reconheceram ter recorrido a subornos, 31% disseram que pagaram a policiais e 24% a funcionários judiciais. Uma proporção de 75% de subornos policiais foi registrada em República Democrática do Congo, Gana, Indonésia, Quênia, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.

O setor seguinte com maior porcentagem de subornos foi o correspondente a registros, especialmente registros de propriedade e transferência de terras. As piores cifras correspondem a sociedades e países que vivem processos de transição ou pós-conflito, como Afeganistão, Camboja, Iraque, Libéria, Paquistão e Serra Leoa, todos com alto grau de desnutrição. Seguem em prevalência de subornos os serviços médicos (17%) e a educação (16%).

Além da persistente prática de "molhar a mão", 64% dos entrevistados disseram que outra conduta imprópria são os contatos pessoais para realizar trâmites no setor público. Em Israel, Itália, Líbano, Malawi, Marrocos, Nepal, Paraguai, Rússia, Ucrânia e Vanuatu mais de 80% dos entrevistados mencionaram a importância dos contatos pessoais.

A percepção de que o governo é controlado por uns poucos interesses privados, e não pelo interesse público, parece generalizada, inclusive entre as nações mais ricas. Enquanto apenas 5% dos noruegueses manifestaram essa convicção, 83% dos gregos, 70% dos italianos, 66% dos espanhóis e 64% dos norte-americanos disseram acreditar que seus governos se movem, "em grande parte" ou "completamente", em função de "um punhado de grandes interesses particulares".

Quanto às grandes instituições sociais, os partidos receberam uma pontuação média de 3,8, em uma escala onde cinco indica corrupção máxima. Em seguida estão polícia, com 3,7, servidores públicos, parlamento e justiça com 3,6 cada, as empresas e os serviços médicos com 3,3 cada, o sistema educacional com 3,2, e os meios de comunicação com 3,1. As instituições menos corruptas, segundo a pesquisa são os militares (2,9), as organizações não governamentais (2,7) e as igrejas e religiões (2,6).

Em 51 países houve uma maioria que colocou os partidos políticos como as instituições mais corruptas, entre eles, Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Índia, Iraque, Israel, Itália, Japão, México, Nigéria, Noruega, Palestina, Portugal, Tailândia, Turquia e Uruguai.

A polícia lidera o ranking de maior corrupção em 36 países, como Bangladesh, Bolívia, Egito, Etiópia, Filipinas, Gana, Indonésia, Quênia, Malásia, México, Moçambique, Nigéria, Paquistão, Ruanda, Senegal, África do Sul, Sri Lanka, Tanzânia, Uganda, Venezuela e Vietnã, entre outros. Alguns países se repetem porque vários entrevistados apontaram mais de uma instituição como as mais corruptas de suas sociedades. Envolverde/IPS (END/2013)